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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um caso para estudo

Para certas coisas não há explicação, eu só sei que acontecem, e eu acho engraçado, curioso, até podem dizer ser esquisito, preferiria que não fosse comigo, mas coisas assim acontecem.
Minha mãe voltou do almoço com as amigas da faculdade toda intrigada, a dona da casa havia feito, a pedido de uma das amigas um a receita de macarrão que minha mãe nunca tinha ouvido falar, como se ela só conhecesse as receitas do Vêneto, região de onde vieram os avós dela, até perguntou para meu pai, afinal a receita é da Calábria e meu pai tinha uma avó calabresa.
Ela não lembrava o nome, começou a descrever a receita, primeiro é preciso fazer a farinha de rosca com pão amanhecido, depois coloca o azeite... Ops!
Eu também nunca comi isso, mas essa receita consta do caderno da minha avó! Minha mãe duvidou e foi pegar o tal caderno de receitas, aliás é uma coisa muito interessante a minha intimidade com as receitas da minha avó, eu não tenho muitas delas no meu repertório, sempre achei muitas delas complicadas e na verdade as receitas da comida da minha avó não estão nesse caderno, ela gostava de copiar receitas, mas fazer era outra história.
O caso é que eu peguei o caderno e comecei a folear, as páginas já envelhecidas transpiram memórias, acho que já contei isso aqui, minha avó tinha um monte de cadernos de receitas, cada vez que o caderno começava a despencar ela começava a copiar outro, claro que essa era uma tarefa um tanto demorada, então quando ela avaliou que a letra das netas já era suficientemente treinada, ela começou a nos convocar para ajudá-la, e a descriçao da minha mãe era de uma recita que eu já havia copiado várias vezes, nunca comi, nunca tive coragem de fazer tal receita, me dá agonia!
Procurei e encontrei, a receita está lá, minha mãe disse que é gostoso mas tenho aflição de pensar em misturar macarrão com farinha de rosca! O engraçado é eu ter esse registro das receitas que eu copiei!
Fiquei pensando se haveria alguma razão para essa minha lembrança, não consigo explicar com a teoria do desenvolvimento, acho que isso se chama aprendizagem afetiva, eu copiava as receitas pela por uma única razão, para ajudar e agradar minha avó, simplesmente amor!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A grande pescaria


Os três meses de férias de verão era uma realidade paralela que se instalava em suas vidas, naqueles meses que passavam na antiga fazenda, aquelas crianças podiam explorar em profundidade a existência plena, jamais em qualquer outro lugar poderiam ir tão longe, tão fundo, sem precisar se preocupar com qualquer coisa além dos próprios interesses.
A regra era simples, tinham que estar em casa antes de escurecer, simples assim, talvez, em algum momento tenha sido lembrado que não deveriam se meter em confusão, mas essa, cada um interpretou a sua maneira, afinal o quê é confusão para crianças que andam soltas o dia todo?
Numa tarde quente, as crianças cheias de idéias na cabeça e energia para gastar, resolveram fazer uma expedição pesqueira ao grande lago, acreditavam que ali haveria de ter muito peixe, juntaram as tralhas, passaram pelo mata-burro, atravessaram a linha do trem, subiram pelo bambuzal chegaram, finalmente à margem esquerda do lago, estavam zanzando por lá, procurando o melhor lugar para se instalarem.
Foi exatamente nesse instante que alguém olhou para dentro do lago, bem perto a margem, qual não foi a surpresa, havia ali bem ao alcance das mãos, afundado naquelas águas escuras uma canoa!
Aquilo era um verdadeiro presente, no mesmo instante eles esqueceram a pescaria, precisavam antes, do barco, uma pescaria embarcada, um verdadeiro sonho!
Havia uma corda amarrada ao barco, foi com ela que eles começaram a puxar, puxaram muito, foram momentos de grande tensão, e muita organização, uns puxavam daqui, enquanto outros empurravam de lá, precisaram de toda força disponível.
Quando finalmente conseguiram tirar o barco da água, perceberam que era preciso antes de colocá-lo na água, limpar, reparar e descobrir se estava furado.
Uma das crianças correu até a casa mais próxima, subtraiu umas vassouras, uma caixa de sabão em pó, e mãos a obra, lavaram com muito sabão, o barco ficou uma beleza, não estava furado coisa nenhuma, uma perfeição! Ninguém sabe o motivo do afundamento, mas sabiam o motivo do salvamento.
Agora eles tinham um barco, mas já não tinham sol, precisavam correr para casa, encostaram o barco numa árvore, no dia seguinte voltariam.
Além do azul profundo e o verde intenso daquela paisagem, eram as possibilidades que tornavam o lugar mágico, na volta para casa, fizeram os planos para o dia seguinte, logo cedo, iriam procurar uns remos, depois iriam pescar.
Na manhã seguinte, os sete ou oito meninos e meninas, correram até o barco.
Não havia nem sinal de barco, por obra de algum estraga-prazeres, o barco havia desaparecido, muito bravos, ficaram sabendo que o administrador havia mandado recolher e desmanchar a embarcação.
Se sete ou oito meninos e menias haviam se envolvido no resgate, agora eram uns quinze querendo tirar satisfações com aquele déspota, foram todos até a porta do escritório da administração tirar satisfações.
Foi explicado que aquele barco não oferecia segurança, que não era apropriado, etc e tal.... alguém acha que alguma dessas explicações foi suficiente para acalmar os ânimos? Claro que não, pensaram em vingar o pobre barco, mas logo mudaram de ideia.
Dias depois, os mesmo sete ou oito meninos e meninas apareceram em busca de cuidados médicos, durante a pescaria, o anzol de um foi descansar no dedo do outro, era preciso levar o estropiado ao hospital. O dono do anzol ficou muito preocupado, queria seu anzol de volta e estava quase arrancando o dedo do amigo, foi preciso dissuadir o moleque, prometendo que o anzol seria devolvido pelo médico depois do curativo!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dieta Coletiva - Salada de Isoflavona

Calma! Isso é apenas uma brincadeira, a salada é de soja mesmo.
Como todo mundo já sabe eu e meus irmãos fomos criados a base de sopa de soja, aquela substância grossa e pegajosa de cor parda, nada inspiradora, mas lá em casa a gente comia o que tinha, minha mãe nunca fritou um ovo para os inapetêntes, aliás, lá em casa isso não fazia parte do nosso repertório, a gente comia a pronto, lá ninguém tinha pena de criança enjoada, fácil assim.
A sopa de soja era difícil de engolir, como tempo a gente se acostuma.
Mas tem uma coisa que eu sempre adorei, a salada de soja, ô coisinha gostosa!
É só cozinhar a soja, tirar as casquinhas e temperar, sal, azeite, cebola e cheiro verde, pronto!
Para as meninas do climatério, é muito bom! A soja contém essa substância que propicia bem estar e ajuda no combate dos calores da menopausa, e quem tem isso sabe que a gente faz qualquer negócio para se livrar dos tais dos fogachos!
De uns tempos para cá essa coisa de manter o peso na faixa do IMC adequada, se tornou uma batalha, sem fim. Às vezes perco peso, de repente tudo fica parado, não emagreço, não engordo, os calores aparecem para me atazanar, nesses dias eu tomo muita água e não posso sair da linha, tudo engorda que é uma beleza, adotei uma atitude zen, agora eu faço minha dieta, tudo certinho, café-da-manhã, almoço e jantar, ao todo meu consumo médio é de 2000 calorias por dia, se emagrecer ótimo, se não engordar já estou contente!
P.S. Surgiu uma dúvida, a salada de soja é preparada com grãos de soja, eles são como feijões, e podem ser preparados de todas as maneiras que a imaginação permitir, essa salada que estou falando é como uma salada de grão-de-bico, ou de feijão branco. Para preparar a soja é preciso dar um choque térmico, primeiro deixar de molho em água fervente por cinco minutos, escorer e passar na água fria, colocar para cozinhar 15 minutos na pressão.
Para quem está precisando de mais isoflavona na dieta , existe também a soja texturizada a também conhecida carne de soja, que pode ser usada em todas as receitas de carne, peixe, ave, substituindo a carne, é preciso hidratar com água quente antes do preparo, ah! cuidado com o sal, ela é porosa e absorve muito sal, há a versão "moida"e "picadinho".

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

(*) Esclarecimento

(*) Depois de publicado meu último tumitinhas, minha mãe me ligou, sempre é bom esclarecer!
Já que a dúvida permanece, de onde surgiu essa história de enfermeira?
Imaginação de criança é fértil, nesse caso a avó de ninguém pulou a janela!
Meu avô, o pai da menina do laço de fita era completamente patife, uma gota de sangue era suficiente para ele sentir tonturas, logo percebeu que sua filha era farinha do mesmo saco, ficou preocupado e achou por bem tentar minimizar esse traço, então matriculou a mocinha num curso de enfermagem doméstica, (ah...!) entre outras matérias, havia um curso de Puericultura, com aulas práticas no berçário do orfanato! (ah...!).
Tenho certeza, ela aproveitou as aulas de Puericultura ao máximo, disso somos todos (filhos, sobrinhos, netos, filhos de vizinhos, etc e tal) testemunhas, ela sempre levou o maior jeito com bebês, chega a ser irritante, eles param de chorar quando ela pega os nenês no colo!
Esclarecido!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Outro pouco de tumitinhas


O raio de sol matinal iluminava o quarto, as paredes pintadas de amarelo refletiam a luz alegremente, as janelas eram abertas com generosidade, para ventilar, para renovar o ar viciado da noite, vai ver, por isso éramos, somos tão saudáveis.
As camas eram arrumadas com a presteza de especialista, que desde de sempre soube da arte de arrumar camas, nos dias mais folgados, se é que isso existisse na minha casa, minha irmã e eu éramos convocadas a ajudar.
Adorava esse ritual, com as janelas abertas, sacudíamos os lençóis e cobertores, uma nuvem de poeira dançava nos filetes de luz, aquilo era tão lindo!
Depois, então, o ritual começava, esticar o lençol de baixo, puxa de cá, puxa de lá, faz uma dobra em cada canto para ajeitar as sobras de pano e coloca tudo por baixo do colchão.
Lençol de cima esticado, cobertor por cima, faz-se a dobra por cima do cobertor, ajeita-se o lençol nos pés, coloca-se o excedente para baixo do colchão, levanta-se a lateral do lençol dobra-se como um embrulho de presente, coloca-se tudo por baixo do colchão, por último a colcha, conforme o modelo.
Aí está um dos maiores tumitinhas da paróquia, eu era bem pequena e minha mãe dizia que esse era o jeito que se arrumavam as camas em hospitais, e como ela havia aprendido? Eu imaginava ela toda de branco trabalhando como enfermeira, minha mãe enfermeira? Já naquela época eu sabia que ela desmaiava a qualquer traço de sangue, que passava mal com qualquer coisa. Pois é, soube mais tarde que quando solteira ela foi voluntária em um orfanato da Cruz Vermelha, ajudava no berçário, ah! Mas enfermeira?
Depois que as camas estavam arrumadas, dobrávamos os cobertores sobressalentes, ela de um lado, nós do outro, ai que frisson! Dobrar os cobertores em duas! Uma segurava de cá, outra de lá, juntava-se as pontas, depois andávamos até o meio do caminho, ai encontrávamos a "chefe" que acabaria o serviço! Dobrávamos os pijamas, nos trocávamos e íamos brincar.
Quando minha irmã caçula nasceu e minha mãe ficou doente pra mais de metro, ficou tão amarelinha, a coitada, foram meses de cama, nessa época muita gente veio ajudar, era uma loucura, às vezes a gente chegava da escola e encontrava alguém fazendo o almoço e nem sabíamos quem era, a mãe dela vinha pela manhã, ajudava minha mãe no banho, e fazia um suco de tangerina, eu lembro, e pedia que eu levasse para ela, lá em cima no quarto, eram tantas as recomendações que eu suspirava aliviada quando alcançava o último degrau, dever cumprido, sem derramar uma gota sequer!
Muito mais tarde conheci a sogra da minha cunhada, um pouco mais velha que minha mãe, estudou na mesma escola que minha mãe e minha avó, arruma as camas exatamente da mesma maneira, com a mesma ciência, e imaginei que elas tenham aprendido a arrumar camas na escola, o que não é impossível!
Quando casei descobri que arrumar camas não é uma ciência exata como eu imaginava, em 23 anos de casada nunca encontrei uma secretária do lar que soubesse arrumar camas, no começo eu só dizia que era para arrumar a cama, descobri que existem milhares de maneiras de arrumar as camas, uma vez uma delas arrumou de um jeito x e por fim "embalou" tudo com o lençol de elástico, é difícil imaginar, mas isso não é nada, por isso eu ensino todo mundo a arrumar camas!
Hoje, ao arrumar minha cama, ao fazer a famigerada dobra, lembrei de tudo isso.

Prazo de Validade


Já faz uns quinhentos anos que ouvi o Jô Soares falando sobre o prazo de validade impresso nas embalagens.
A questão que se apresentava era a seguinte, se está escrito que a validade é 27/01/2011, o prazo se esgota faltando um minuto para o dia 27, ou se esgota faltando um minuto para o dia 28, uma dúvida cruel, quase sem resposta, engraçadinho, admito, uma daquelas piadas tão bobinha e que ficou na minha cabeça, lembro toda vez que me deparo com um iogurte idoso na minha geladeira, um fermento biológico fazendo aniversário.
Lembrei disso hoje, o prazo de validade das férias escolares já expirou e as aulas ainda não começaram.
Não pense, caro leitor, amiga leitora, que sou uma mãe desnaturada, muito pelo contrário, sou uma mãe zelosa e firme, devota da Santa Paciência, sabe?
Eu sou uma mãe com prazo de validade, quando as crianças eram pequenas eu fazia questão que todo mundo fosse para cama cedo, às nove horas, o mais tardar, eu precisava de um tempo para exercer minhas funções de mulher, conversar e namorar fazem parte da vida de uma mãe, nunca tive dúvida quanto à rotina das crianças, dormir cedo, acordar cedo, comer nas horas certas, sair para brincar, ir para a escola, fazer lição ( apesar das minhas questões com a lição-de-casa, mas isso é pelo lado profissional), comigo não tem moleza, não.
Agora que são todos grandes, nas férias, as coisas ficam mais soltas, eles acordam um pouco mais tarde, não tem hora para dormir, passeiam, conversam bastante, às vezes umas faíscas voam de lá prá cá, tudo na naturalidade da relação dos irmãos.
O caso sou eu, a mãe, já estou cansada dessa folga toda, falta aquela pegada mais nervosa do horário apertado, das obrigações escolares, os trabalhos e as provas, tudo que faz a molecada ficar ligada! Adoro essa mobilização, sem isso tudo fica fácil demais.
Eu gosto de férias, quando elas começam, quando elas terminam!
Acho que minha paciência é como os laticínios, tem prazo de validade curto, por isso, a variação de atividades e rotina são tão saudáveis para mim!
Agora é hora de voltar ao velho ritmo!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Primo Rico e Primo Pobre


Alguém veio procurar, aqui uma receita de risoto, eu sei pois eu inscrevi o Blog num site de "controle", às vezes eu dou uma olhadinha para saber quantos são, de onde são, e o que procuram.
Eu nunca postei a minha sensacional receita de risoto prático nesse espaço, como tudo que eu faço não pode ser complicado.
Sou casada há mais de vinte anos e o maridão sempre pediu para que eu fizesse risoto para ele, eu fiz, só que não era aquilo que ele queria, ele queria o risoto que faziam lá na casa dele, para mim, o famigerado "Arroz de Forno", receita que eu tenho preconceito, nunca fiz.
Não sabia que fazer para o jantar, queria agradar, estava arrumando meus livros de receita, encontrei, num deles, uma página marcada, era uma receita de "Arroz de Forno", achei tão mixuruca, ai resolvi fazer diferente do sugerido, fiz, inventei um método maravilhoso de fazer a receita, toda incrementada, uma delícia, nada parecido com aquela receita que eu não gosto, quando coloquei o arroz no forno, resolvi dar uma espiada no facebook, havia, perceba meu caro leitor, um convite de amizade pendente.
Com sua licença, aqui é o lugar de uma palavrão, "putaquepariu!", a história é assim, veja só!
Lembrei, então, das férias em Atibaia, era lá que eu comia "Arroz de Forno", uma mãe de outros cinco filhos, vira e mexe juntava todo mundo para almoçar lá, ela era professora de culinária e sempre ensinava para as amigas uns segredinhos básicos, umas receitas sensacionais, o livro de receitas da minha mãe está cheio de receitas da Mara, nós sabemos pois minha mãe costuma, ao lado do nome da receita, colocar entre parênteses, o nome da "dona da receita".
Nem lembrava disso, a cabeça da gente é uma coisa muito inteligente, era um convite dessa minha amiga, a filha da Mara! Lembrei, imediatamente do gosto do "Arroz de Forno" da Mara, lembrei dela explicando para minha mãe como era fácil aquela receita. Eu fiz a receita da Mara! Então quer dizer que a receita que eu achei que tinha inventado não é de minha própria autoria? Estava guardada há mais de 40 anos sei lá onde! Fiquei emocionada!


Risoto

Ingredientes
1 xícara de arroz arbório
1 colher (sobremesa) açafrão(não é essencial)
1 xícara de caldo de galinha (vale aquele feito com o tablete)
150 gramas de champignons fatiados
80 gramas de manteiga
sal
salsinha picada
1 cebola pequena picada
1 cálice de vinho tinto
queijo ralado
(champignons podem ser substituídos por camarões, por abobrinha, por alcachofra, conforme o gosto do freguês.)
Preparo
Refogar a cebola em metade da manteiga, juntar o arroz e fritar mexendo sempre.
Acrescentar os champignons (ou o sabor da sua escolha), sal, açafrão e o vinho, deixar evaporar o líquido sem mexer.
Acrescentar o caldo de galinha (ou tablete, nesse caso dissolvido) deixar cozinhar por vinte minutos, acrescente água caso seja necessário ( se o arroz ainda não estiver no ponto e a água estiver secando). Desligar o fogo e deixar descansar.
Colocar a manteiga restante e polvilhar queijo ralado, e a salsinha


Arroz de Forno

Ingredientes
Arroz cozido
molho de tomate
1 pedaço de frango
Cebola picada
Óleo
Alho
Alho-porró
milho verde em conserva
ervilha em conserva
palmito picado
queijo
queijo-ralado
Preparo
Frite o frango, quando estiver pronto retire e desfie, reserve.
Nessa panela refogue a cebola, o alho e o alho-porró
junte o frango, o milho, a ervilha o palmito, junte o molho de tomate
acrescente o arroz, desligue o fogo e acrescente uns pedaços de quijo... arrume num pirex, polvilhe o queijo ralado.
Gratine e sirva!
Pronto!
E é assim que a gente agrada o maridão e de quebra os leitores do Blog!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Porque lavar a louça do jantar

Essa é uma curiosidade que estava esquecida... quando íamos para Atibaia, nas férias, muitas vezes minha tia sugeria que ficássemos em pé depois das refeições, ela contava que aprendera aquilo com a mãe de uma amiga de juventude, tal senhora dizia que sentar durante a digestão, engorda!
Esse era exatamente o nosso caso, era melhor não engordar, mais!
Eu tinha esquecido essa história.
A certa altura da vida minha mãe desistiu, definitivamente, de ter funcionárias dormindo em casa, quando saímos do Itaim e fomos morar no fim-do-mundo, onde não chegavam linhas de ônibus, foi preciso trazer alguém que dormisse em casa, apesar de experiências nem tão bem sucedidas, não havia opção, trouxeram uma moça, lá da Bahia para trabalhar em casa, assim como a Cecília e a Maria, Bibi vinha do interior, era analfabeta, assustada, não tinha intimidade com o telefone, se atrapalhava com aspirador, liquidificador e outras modernidades, a única pessoa que conhecia em São Paulo era a prima dela que trabalhava numa casa no Higienópolis.
No início tudo ia bem, mas Bibi começou a se sentir triste, vivia dentro do apartamento, não conversava com ninguém, estava solitária, nos finais de semana era preciso levá-la até a casa da prima, ela não conseguia andar de ônibus sozinha, São Paulo era um mistério para ela.
O dia já tinha escurecido, minha mãe e meu pai ainda não tinham chegado em casa, estávamos os cinco e a Bibi em casa, de repente ela começou a chorar e gritar, dizia que não queria mais viver, ia se matar, encostou a cadeira na janela, tirou a sandália e já ia se ajeitando no beiral para da janela pular, corri para evitar aquilo.
Eu tinha mais ou menos 14 anos e me lembro muito bem, naquele momento, eu tinha duas preocupações, uma com minha irmã caçula, que era muito novinha e estava assustada com aquele movimento todo, a outra era com meus pais, eu não saberia explicar um corpo estendido no chão, oito andares abaixo de nós. Acho que era depressão, ela não aguentou a solidão.
Assim passamos a conviver com a louça do jantar, era uma epopeia, minha mãe achava que cada um tinha que lavar seu prato, meu pai fazia coro, era uma chatice ficar na fila, um dia meu irmão, o Metralha Um, resolveu a parada, decidiu que lavaria a louça uma vez por semana e nada mais, foi assim que passamos a fazer um rodízio fraterno, cada dia um lava toda a louça. No final da semana, numa família de sete pessoas, cada um lavou sete pratos! Como é esperto esse Metralha!
Isso tudo aconteceu muito antes de eu pensar em ter minha própria casa, logo que casei, tive uma única experiência, contratei uma moça que me deu tanta preocupação que preferi riscar essa possibilidade da minha vida, depois, quando mudamos para esse apartamento essa deixou de ser uma possibilidade.
Aprendi, então a me organizar de maneira a não sofrer, apesar de não gostar, sempre lavo a louça do jantar, mais por obrigações técnicas que razões diversas. Fui pega de surpresa, mais de uma vez, com o telefone na mão de olho na pia cheia de louça do dia anterior e a notícia fatídica, a secretária não vem!
A louça, aqui em casa, tem o poder de se multiplicar, quanto mais louça suja, mais aparece louça para ser lavada. Detesto mais a louça no dia seguinte, por isso eu lavo, às vezes reclamando, mas lavo. Além de tudo isso, minha pia da cozinha está em petição de miséria, uma novinha será instalada na próxima semana, mas sempre fico achando que muita louça dentro da pia pode causar um acidente, se a cuba soltar o estrago é federal! Melhor lavar!
Além da obrigação, sempre há essa esperança de não estar engordando com a comida do jantar.
Se é verdade, muito bom, se não é pelo menos a louça não acumulou na pia!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Janela Indiscreta


Outro dia estávamos na casa da minha irmã, da janela vimos uma criança na sacada do prédio da frente chorando e gritando. A criança batia na porta que devia estar trancada, gritava e nada acontecia.
Minha mãe e minha irmã se desesperaram, a criança se trancou na sacada e o adulto responsável não percebeu?
Na hora eu percebi, aquilo era um castigo, estávamos presenciando um caso de abuso!
A criança chorava muito, minha mãe se desesperou, em outro andar no mesmo prédio, estava uma mulher limpando a vidraça, que também começou a procurar de onde vinha aquele choro, minha mãe chamou a mulher e pediu que ela interfonasse para a portaria e avisasse que a criança estava presa. Foi o que a mulher fez.
Instantes depois, surpresa, uma mulher abriu a porta da sacada, saiu e deu uma palmada na criança, uns berros, saiu da sacada e fechou a porta de novo!
Minha irmã e minha mãe ficaram em estado de choque!
Muitas vezes somos levados a acreditar que essas coisas só acontecem nos bairros pobres, nas periferias, infelizmente essa é uma realidade muito mais corriqueira que podemos imaginar, o caso aconteceu num lindo prédio, novinho em folha, em plena Vila Madalena, um dos bairros mais badalados da cidade.
A tal mulher era a mãe da criança? Talvez não, mas com certeza é alguém que não está em condições de cuidar de uma.
Isso me levou a pensar que apesar de tantos avanços, as crianças continuam sendo tratadas sem o devido cuidado, por um lado são mimadas e levadas a se sentiram amadas pela quantidade de coisas que possuem, por outro ainda são hostilizadas por adultos que não sabem o que é autoridade, que não conseguem exercer seu papel de "adulto responsável".
A televisão inventou uma personagem de reality-show que se chama "Super-Nany", pelo que entendi o grande público só entende que pode por as crianças de castigo, desde o início do programa me chama a atenção a quantidade de pessoas que se referem ao "tapete" com muita facilidade, mas não entenderam uma só palavra sobre a rotina, as atividades, sabe aquela coisa de horário para comer, horário para dormir e brincar?
Como tudo na televisão é entendido conforme o desejo do telespectador... as consequências são desastrosas.
Por isso acho que os professores, por exemplo, devem estar muito atentos, quando detectados distúrbios devem agir, chamar os pais, convidar para uma conversa, uma orientação, talvez, até uma palestra sobre como a criança pensa, o significado do egocentrismo infantil, enfim, uma ação preventiva contra todo e qualquer traço de violência doméstica.
Esse é um dos temas do trabalho que estou envolvida.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nota sobre a pasta

(Bodas de Ouro da Nona e do Nono, depois disso a família aumentou mais!)
Na verdade eu deveria ter contado, no post da Lasanha uma história muito antiga, mas eu fiquei muito animada com a nossa destreza culinária, minha mãe e eu, soltas numa cozinha, delícia!
Minha bisavó, a nona Maria, era uma mulher ativa e determinada, as mulheres do outro século eram verdadeiras heroínas, tinham um monte de filhos faziam e aconteciam, na minha família nenhuma delas era mártir, não!
Há histórias, de monte, sobre a força e determinação delas.
Outro dia lembramos que a nona Maria fazia, no Natal capeleti in brodo para a família toda, como o Nono gostava de cantar, 6 filhos ( e cônjuges) 17 netos ( e cônjuges, muitas noivas e noivos) 35 bisnetos(um ou outro cônjuge e noivos e noivas), alguns amigos e parentes mais distantes.
Que ninguém fique pensando que ela fazia tudo sozinha, nessas ocasiões ela contava com o auxílio precioso das filhas e noras, todas se juntavam para amassar, abrir e dobrar os tais dos capeletis.
O Natal não dura o ano todo, e a massa era parte essencial do cardápio da família, de maneira que a nona fazia muito macarrão, toda semana ela fazia um tantão e deixava guardado para ir usando conforme a necessidade.
A nona era mesmo uma mulher incrível e gostava de agradar todo mundo, uma vez, eu estava na casa da minha avó Irma, eu ainda era menina, devia ter uns oito anos, no máximo, estávamos lá, por algum motivo, para deixar bem clara minha preferência, comentei com a nona que o melhor macarrão do mundo todo era o dela, e isso não era exagero, era a verdade! Para minha surpresa, em instantes um prato da melhor coisa do mundo se materializou na minha frente, na manteiga com um tanto de queijo ralado por cima! Desde então tive certeza, não existe macarrão melhor que o dela. O da minha avó... chegava perto, da minha mãe, o meu, chegam perto, mas o melhor era o da nona.
A curiosidade é que quem abria a massa para a nona era ninguém menos que o nono Beppe! Ele levava muito a sério essa tarefa, mais tarde, ele já era viúvo, e estava bastante debilitado, me contou essa história do macarrão, ele dizia que a parte dele era muito importante, a massa tem que ser aberta aos poucos, não pode querer chegar na espessura perfeita assim de uma vez, tem que abrir um pouco, deixar secar, depois abrir mais um pouco, deixar secar, abrir outro tanto, esse é o segredo!
Conta a lenda que ela levava o nono em rédeas curtas, acho que depois que ele se aposentou ela passou a ser mais exigente ainda, quando ela pedia alguma coisa para ele e não era atendida imediatamente ela dizia - Muovi-ti, muovi-ti!!!!Beppe!!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A vizinhas

Não sei qual era sua idade, mas parecia ser bem velhinha. Dona Isaura era a avó da Babu e da Keka, nossas vizinhas do lado. Era também, um tanto minha avó.
Era viúva e morava com a filha. Sempre vestida com discrição, saia de lã cinzenta, casaquinho de tricô, um camafeu fechando a camisa e o mais interessante eram as meias da dona Isaura, diferente de todas as outras meias que eu já havia visto, minhas avós não usavam aquelas meias, presas nas pernas por um elástico bem forte, parecia que prendia a circulação!
Era a dona da casa em exercício, lidava com a cozinha e tudo mais, até do Kuki, o cãozinho da família, ela cuidava.
Dona Isaura era uma figura presente na nossa vida, vira e mexe, quando minha mãe tinha dúvidas sobre algum assunto culinário, subia num banquinho e chamava Dona Isaura por cima do muro, queria saber o ponto de uma massa, a receita de um assado, era tudo com Dona Isaura.
Dona Isaura conversava com a gente, e como lá em casa não tinha telefone, quando alguém ligava ela vinha nos chamar, às vezes por cima do muro, às vezes não.
Esses dias lembrei da Dona Isaura. Talvez por ter passado ali no que sobrou da rua em que morávamos.
Ela contava que quando era pequena, ia com seus irmãos tomar banho no Tejo, ela morava longe e para chegar lá era preciso andar bastante, como se fosse dali onde estávamos, no Itaim até o Morumbi.
Dali onde estávamos, era possível enxergar parte o do tal do Morumbi.
Parecia tão distante, tão intocável, aquela montanha verde no horizonte, uma ou duas casas bem grandes na encosta.
Hoje, do lugar onde eram essas casas já não se pode avistar nem um pouquinho do Morumbi, mas eu sei que do muro onde ficávamos sentadas, víamos uma parte da Avenida Oscar Americano, onde fica o Hospital São Luis, e nem é assim tão longe...
O que fica mesmo é a lembrança daquela avó postiça tão atenciosa que morava ao lado.