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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

É hora de mudar?

Já não sou aquela quarentona, a filha-que-já-pode-votar terminou a faculdade, tem um emprego e querendo a bater as asas, resolveu começar outro curso e arranjou outro emprego e até mudou de casa, o moleque já é um universitário com estágio e a caçula, mocinha de tudo.
A mudança de faixa etária não foi tão assustadora quanto eu imaginei que seria, mil vezes mais tranquila que entrar nos 40.  
A realidade é essa, sou uma mulher madura, com mais de 50 anos, cheia de opiniões, de objetivos, de delírios, me sinto muito mais segura e confiante, finalmente eu sei quem sou, do que gosto, o que quero, as coisas ficaram muito mais claras, parece que uma tênue bruma embaçando minha visão finalmente se dissipou, tenho a sensação de estar mais racional.
O susto de ter uma filha que deixou de ser criança já passou, já não estou preocupada com o avanço (minha) da idade,  continuo me sentindo vigorosa, ativa, querendo sempre dar um passo a mais.
Durante algum tempo pensei em deletar esse blog, depois achei que eu poderia mudar o nome dele, mas acho que a melhor coisa é mantê-lo assim como está, afinal isso é um pouco de mim, conta uma parte da minha história, é hora de um novo capítulo, só que eu ainda não sei qual, quando ou como!
Tenho a sensação de ter sido invadida por um grande silêncio, não um silêncio opressor, apenas um silêncio, uma vontade de aquietar!
Nesse ano e pouco de ausência fiz muito exercício, pratiquei yôga, consegui me livrar uns quilinhos que estavam muito apegados, achei que minha opinião não tem a relevância necessária para que seja publicada, aliás, nesse mundo wi-fi, o que não falta é opinião!
Em tempo de campanha eleitoral ando meio preguiçosa com a opinião alheia, com preguiça de pessoas que só gostam das próprias opiniões, aliás sobre isso, ontem no Jornal da Gazeta, o Bob Fernandes falou sobre isso.
Sinto que esse é um momento em que o velho vai dando lugar ao novo,por isso sinto necessidade de estar atenta às mudanças, buscando alternativas aos antigos hábitos, aos velhos costumes.
Em 2011, quando decidi parar de tomar refrigerantes, vivi uma situação interessante, nunca havia pensado nisso, mas fazia algum tempo que eu tomava uma lata de Coca Light ou Zero todos os dias, podia não parecer mas era um vício, então decidi fazer um teste, quanto tempo eu seria capaz de ficar sem nenhum tipo de refrigerante? Eu não sabia, mas a resposta é: indefinitivamente, desde lá não tomei mais nenhum refrigerante! Às vezes me perguntam a razão, agora não tem mais razão, eu só não quero mais!
Com isso percebi que somos escravos de nós mesmos, nos obrigamos a coisas sem o menor sentido, sem a menor importância, são bobeiras, cada um tem as suas, tenho tentado lidar com isso, desapegar de costumes que não trazem nenhum benefício e assim vou seguindo o meu caminho!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Felicidade nem um pouco Clandestina

Ao deitar meus olhos pela primeira vez em um livro do Saramago  me apaixonei perdidamente, depois do primeiro estranhamento, tudo fez sentido,  li tudo, os romances, os contos, as crônicas, os diários, os infantis, as peças de teatro, até a exposição no Tomie Otake eu fui visitar, com sua morte um vazio se abateu sobre mim, uma tristeza verdadeira.
Durante um tempo não tive vontade de ler nada, nada parecia razoável.
Sabia, por ter lido os Cadernos de Lazarote que o primeiro romance que ele escreveu ficou esquecido na gaveta do editor que não teve interesse em publicá-lo, quando veio o Nobel o tal editor procurou o Saramago interessado em publicar o tal livro. Saramago não quis, disse que quando morresse seus herdeiros que decidissem.
Eis que o livro surge em minhas mãos! Que deleite! Uma história bem tecida, sem pontas soltas, sem descrições desnecessárias com diálogos na medida certa, e para aqueles que dizem que não entendem seus textos por falta de pontuação, sim ele sabe usar a pontuação, com travessão e tudo!
Mais importante que a forma, é um Saramago que já conhece o ser humano profundamente, ainda acredita na humanidade mesmo sabendo de tudo que ela é capaz.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

 Manhã de sabado de Carnaval, a cidade ainda não esvasiou, o trânsito mantém sua característica principal, presente, sempre.
São Paulo é essa loucura, o tempo todo, ontem, enquanto as escolas de Samba iniciavam o desfile, o Ibirapuera estava lotado de gente assitindo o Aberto de São Paulo e uma outra multidão no estádio assistindo uma partida de futebol.
Hoje cedo sai e dei de cara com essa cena, o guincho levando quatro bicicletinhas, arrumadas com tanto cuidado que fiquei bem humorada.
Desde quinta-feira meu olho está vermelho, uma coisa muito incômoda e que me deixa chateada.
Como é Carnaval, nada de ficar falando de dores, vou escolher ficar com essa imagem e imaginar a alegria das crianças quando o caminhão chegar na porta da casa delas trazendo esse carregamento de alegria, diversão e aventura.
Como sei disso? Não sei mas é a única coisa que posso imaginar!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Heranças




Hoje em dia fazer a barra de uma calça é coisa muito simples, além das lojas disponibilizarem o serviço, em qualquer esquina, existe um estabelecimento especializado em barras, aqui no meu bairro tem um monte, mas nem sempre foi assim, houve um tempo que era preciso saber fazer barra.
Minha mãe fazia barras, não muitas, mas fazia, na verdade eu nem sei muito bem como essa parte era resolvida na minha casa, usei muita fita crepe e outros truques para resolver a questão, as barras passaram a fazer parte da minha vida em 1984.
Certa vez, quando eu ainda namorava o maridão, um dia ele me aparece pedindo que eu fizesse a barra de uma calça, achei o pedido a coisa mais esquisita do mundo, mas achei que apesar de nunca ter feito tal coisa, não devia ter mistério, não podia ser a coisa mais difícil do mundo.
Ele vestiu a calça, eu marquei a altura da barra, pus a mão na massa... e descobri que fazer uma barra tinha lá sua ciência... mas na época eu não me apertei, fiz do jeito que deu!
O maridão não gostou do resultado e contou para a mãe dele que eu não sabia costurar! Eu só sabia pregar botão, apenas costura de sobrevivência. Eu não sabia, minha sogra era professora de costura! Na hora que ela viu o serviço, pegou a caixa de costura, mandou o maridão tirar as calças, sentou-se ao meu lado, desmanchou tudo que eu tinha feito e começou a explicar que para costurar a barra é preciso fazer o "ponto  folha", que a linha não deve ser muito comprida e o nó em apenas uma ponta, dali a pouco ela já tinha feito um lado da barra, como uma boa professora me passou a agulha, era minha vez de experimentar! No começo foi um pouco complicado, mas logo entendi o mecanismo da coisa!
Assim aprendi mais um de meus dotes, hoje só faço barras em caráter de emergência, ontem precisei desenterrar meus apetrechos, por isso lembrei-me da minha sogra e fiquei pensando que muitas vezes não percebemos que recebemos heranças não materiais de pessoas diversas. 
Aprendi a fazer barra com a minha sogra, manobrar o carro com meu avô, no final das contas somos o resultado de nossas experiências, dos contatos que vamos estabelecendo ao longo da vida e só depende de nós mesmos celebrar cada uma dessas heranças e manter a tradição, transmitir o conhecimento para outras pessoas.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O lugar das memória

Outro dia, conversando com um amigo descobri que o acervo  de fotos da minha família é considerado histórico, consistente, temos uma coleção com significado (ainda podemos "legendar" as fotos) respeitável.
Durante muito tempo esses álbuns ficaram esquecidos, quase que escondidos em prateleiras inacessíveis dentro de armários escuros, de repente, por motivos diversos esse material voltou à luz.
Esse amigo é artista plástico e antropólogo que acabou de defender sua tese de mestrado baseado numa coleção de fotos de uma pessoa que nasceu em São Paulo por volta de 1920.
Nessa conversa encontrei a resposta de uma velha pergunta que me faço há muito tempo, fotos de uma coleção pessoal são significativas para seu dono, seus filhos até quem sabe seus netos, depois disso viram velharia, apesar de muita gente gostar de fotos antigas quando ela perdem o significado a tendência é que sejam descartadas, esse amigo me contou que há museus que aceitam esse tipo de doação, principalmente quando o material está "legendado".
O material é memória, mas aquilo que ficou com as pessoas, o etéreo é a lembrança.
No sábado os Artistas Viajantes em mais uma expedição, visitou a Cidade dos Velhinhos, lugar interessante. Foi construído na década de 1960, é formado por vários "pavilhões" onde cada um têm seu próprio quarto, com banheiro, numa construção com jardim interno e área comum. Nesse lugar, também foi acolhido um grupo de refugiados russos que chegou ao Brasil por volta de 1965.
Vi muitas pessoas nesse lugar, uns mais ativos, outros já bem debilitados, de qualquer maneira  a sensação foi de de tempo passado, memórias perdidas.
Ao entrar em um pavilhão desativado encontramos ruínas e muito mato, em um dos quartos muitas cadeiras de rodas, doação recebida de um grupo de empresários que adora fazer caridade, mas nem sempre entende que as necessidades das entidades vai além de sopa em lata e cadeiras de rodas, aluns caixotes bem deteriorados com papéis em decomposição.
Com a entrada naquele prédio ganhei uma pulga atrás da minha orelha que fez com que eu ficasse um tanto desconfiada das verdadeiras intensões da chefona do lugar.
Ao conversar com a responsável  fiquei pasma, queríamos saber a História do lugar, seu envolvimento com o bairro, mas nada disso estava na pauta que ela havia definido, não existe integração, não existe interesse de estabelecer qualquer vínculo, estão todos asilados, o objetivo dela, a chefona, era estritamente financeiro, ela queria que nós pintássemos o muro externo do imóvel com motivos determinados por ela.
Fiquei decepcionada, ela só viu em nós a possibilidade de tirar proveito de nossa boa-fé, sem nenhuma contra-partida, definitivamente esse nunca foi nossa meta!
Ao sair de lá a questão da diferença entre memórias e lembranças s e acentuou ainda mais....
Naqueles álbuns gastos que ainda guardamos com tantas reverencias, existem histórias que jamis serão recuperadas, as fotos de pessoas que meus pais não conheceram ficam no departamento do esquecimento, na certeza que antigamente as pessoas presenteavam amigos com fotos tiradas em fotógrafos profissionais, talvez seja a explicação para tantas cópias iguais guadadas nos fundos dos álbuns.
Estou convencida cada vez que pegamos os álbuns para olhar as fotos e mostrar para as crianças a cara dos nossos antepassados, estamos perpetuando um pouquinho mais a existência deles, mas ainda fica o desafio, transformar as lembranças em memórias!
(esse post começou a ser escrito em outubro, estava esquecido.... foi resgatado durante a "limpeza anua" que estou fazendo)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Proposta de Ano-Novo

Sou mesmo cheia de esquisitices, às vezes tão verborrágica, parece que nunca sei a hora de parar, às vezes lacônica, quase muda, mantenho meu blog um tanto silencioso, a vontade de escrever não deixou de existir, mas parece que se esgotou a ânsia de me fazer comunicar, não deixei de gostar dessa atividade, só estou com vontade de fazer diferente.
Nunca fui igual, isso eu sei, tenho minhas ideias, meus ideais, levanto bandeiras solitárias contra atitudes, costumes e usos que acho desparatados, sou um tanto desconfiada, nem sempre acredito no que escuto, no que dizem por ai.
Estou achando que é melhor eu guardar certas opiniões para mim, tanto que a dei uma folga para a Chata-de-Galochas, chegar de ficar reclamando, ninguém liga, outro dia me peguei, quase comprando a briga de outra,mas ops! Se ela não está ligando, eu vou ligar? Ando assim, sem muita vontade de lidar com essas coisas.
Estou gostando de escrever as maluquices da Matilde, a Adelaide é muito cheia de razão, não estou com vontade, estou com vontade de "investigar a memória", a minha, a dos outros, contar casos... ler o blogue dos outros, assim ficar na minha.
Hoje, passeando pelos blogues que acompanho, reparei em uma tag do blogue da Luma, comecei a ler, gente, é isso que eu quero! Claro que ainda preciso evoluir, a gente sempre tem que evoluir!
Já estou nessa sem saber faz tempo, mas agora é de caso pensado, curtindo cada instante...
Se você ficou com vontade de conhecer...o manifesto  está aqui! Chama-se SlowBlog e eu estou dentro!
Se você preferir pode ler o original aqui!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quem quer ser um milionário?



- Matilde, pode ir se preparando, arrume as malas, as suas e do Lorival, pois, dessa vez a Mega-Sena já tem dona! Eu!
- Ué? Quando foi esse sorteio?
- Ai, Matilde, o sorteio é no dia 31, é que dessa vez eu estou sentindo, eu vou ganhar!
- E onde é que eu entro nesse seu sonho, Adelaide?
- Nele todo! Assim que o resultado sair a gente fecha as casas e vai para um hotel, pode ser o Mofarej, o Hilton, um desses, a gente aluga a suíte presidencial para esperar a  hora do banco abrir!
- E a gente vai morar no hotel?
- Claro que não, Matilde!
- Depois de transferir  o dinheiro para a conta,a gente volta para o hotel, almoça e eu chamo o despachante e o agente de viagens, mando fazer nossos passaportes e compramos as passagens para Paris, fazemos umas compras e visitamos o Louvre, mas uma visita master, uma semana indo todo dia, depois a gente vai  fazer o tour do vinho...
- Ih, Matilde, me inclua fora dessa! Você sabe que eu sou fraca para bebida!
- Não se preocupe, Matilde, eu já pensei nisso! Você não vai beber, Quem vai beber sou eu e o Lorival, você vai cuidar da gente!
- Ai, Adelaide... você só me arranja serviço!
- Não reclama, não, que você vai adorar meu plano!
- Quer dizer que eu e o Lorival já temos lugar cativo na sua fortuna?
- Claro, eu não dou conta de gastar R$ 200.000.000,00 sozinha!
- E o trabalho do Lorival? Ele vai ter que pedir a conta? A gente vai viver de vento?
- Ai, Matildinha, como você é tolinha! Vocês são minha família, vou dividir o dinheiro com vocês!
-Ah.... obrigada!
-Pois é, como eu sei que o Lorival gosta de ficar em casa eu já imaginei um plano perfeito para levá-lo com a gente! Nós vamos acompanhar o circo da Fórmula Um?
- Desde quando, Adelaide você gosta de Formula Um?
- Desde que eu fiquei milionária, nós vamos fazer turismo enquanto o Lorival vai assistir a todas as corridas, começamos pela Austrália, chegamos lá duas semanas antes da corrida, visitamos os corais e as cidades, tudo, assistimos a corrida e seguimos para a Malásia... e assim até chegarmos no Brasil em novembro.
- E ai a gente volta para casa, que depois de um ano sem uma faxina virou o maravilhoso mundo dos ácaros?
- Deixa de ser bobinha, Matilde! A gente volta para o hotel e vamos decidir onde morar.... escolhemos duas casas num bairro bem chique, uma vizinha da outra, mandamos reformar decorar e depois mudamos! Até ai gastamos mais ou menos uns dois ou três milhões....
- Olha, Adelaide, o sorteio vai começar, pega o volante!
- Já está aqui, na mão!
- Quer uma caneta?
- Ai, Matilde, estou nervosa!
- 03, 04! Você acertou esses números?
- Ai que chato, Matilde, não acertei nem esses nem o 36, nem o 45, nem o 55, só o 29, Matilde!
- Só o 29, Adelaide!
- Pois é, Martilde, não foi dessa vez, quem sabe no próximo sorteio! Os planos já estão feitos!
-Então vou fazer a farofa que a ceia vai ser na minha casa!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

De onde venho? Registros e legendas...






Vi na banca de jornal, a capa da Superinteressante fiquei pensando...
Meu pensamento não é linear, cartesiano, racional, sou associativa, emotiva, a cada estímulo meu pensamento viaja um montão, são sensações, sentimentos, cheiros e cores.
Acho que minha memória espetacular para acontecimentos remotos, não sou tão boa assim com lista de tarefas, por exemplo, mas isso não vem ao caso, estou pensando nessa memória retroativa de fatos antigos ou pelo menos distantes.
Sou tão Pollyana, sempre vendo o "lado rosa da força", essa é minha interpretação livre, transformadora, do meu jeito de ver as coisas, (até hoje, mesmo tendo assistido a saga toda, em ordem cronológica, da história e do lançamento nos cinemas, mais de uma vez, tenho dificuldade em entender quem é pai de quem - se você não sabe do que estou falando é só clicar aqui!) tudo isso para dizer que lembrei de uma palestra que assisti em 2005, mais um prova de que tudo na vida tem uma razão, naquele ano estava trabalhando numa escola que não respondia, em nada, às minhas necessidades, nem expectativas, eu era o peixe fora d'água, mas apesar da tortura que vivi, tive o prazer de assistir a esse professor de psicologia, de quem não sei o nome, que falava sobre a fenomenologia (que é uma parte da filosofia).
Naquele dia ele usou o livro " A morte de Ivan Ilitch" de Liev Tolstoi para descrever o que a  fenomenologia ou ele chamava de "queda", fiquei com aquilo na cabeça, sai procurando o livro, demorou, até que achei, li, me encantei, entendi que o professor queria dizer sobre a queda.... em pouquíssimas palavras é o jeito negativo de encarar a vida, achando que nada tem solução,  às vezes fico me olhando para ver se não estou numa situação dessas, entregue! Esse não é um traço em mim!
Me perco em tantas constatações e surpresas, às vezes  por lembrar, às vezes por esquecer....
Interessante é que a sensação fica ativa, há muitos anos, uma amiga da minha avó, daquelas do tempo do primário, pediu que ela a ajudasse a encontrar um lugar para internar a irmã, minha avó, que adorava passear aceitou e ainda levou minha irmã e eu para a tal aventura. Visitamos umas cinco casas de repouso, cada uma com um defeito, a primeira, nunca esqueço do que pensei, era no Pacaembu, bem na frente do cemitério do Araçá...  para ficar mais fácil na hora de enterrar? - eu acho que eu não falei, mas pensei sim! Elas acharam o lugar muito barulhento. Depois fomos até Santa Isabel, Atibaia e um lugar que eu não sabia onde era, até que passei a transitar pela Granja Viana com certa frequência, um dia aparece na minha frente um prédio majestoso, num terreno enorme! Era esse o lugar que fomos com a Dona Irma (ela era xará da minha avó).
Muitas vezes fico intrigada, serão memórias, lembranças ou invenções? Tenho certeza que algumas coisas se apagaram para sempre, sempre há os momentos que fazemos questão de esquecer, outros não, ficam circulando, esperando o momento de voltar.
Quando li a capa da revista, identifiquei uma proposta de vida, talvez o artigo esteja embasado em dados científicos, pesquisas, eu processei a informação e entendi que cada um constrói suas lembranças da maneira que achar melhor... meio esquisito, parece meio doentio, mas acho que podemos suavizar a vida, lembrar das coisas como momentos que nos impulsionam a nos transformar, sair do comodismo ou das atitudes paralisantes e se transformar.
De uns tempos para cá tenho percebido em mim uma atitude diferente frente aos percalços da vida, tenho tentado entender a situação de uma maneira menos emocional, será que estou sendo, ou será que sempre fui "fenomenológica?". Isso na verdade pouco importa!
Sinto que cada vez que procuro em mim as explicações sobre que sou eu, mais eu me reconheço, entendo que minha vida é resultado das minhas escolhas, minhas atitudes,  isso pode parecer assustador, mas acho reconfortante, sei que não fui levada a nada, não sou vítima de ninguém, sou  resultado de mim mesma!
Numa consulta ao portal "Somos todos um", a numerologia me disse que 2012 é o ano "dos pés no chão e das mãos na massa" e o horóscopo me presenteou com essas palavras "comece a colocar no papel seus planos para 2012, que certamente ocorrerão de maneira súbita, causa
ndo verdadeiras revoluções em sua vida! Concentre-se em seus objetivos e não desperdice o seu tempo chorando sobre o leite derramado!"
Acho que só volto aqui no ano que vem! Que 2012 seja um ano maravilhoso para todos!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Verdade?????

Às vezes a ficha demora a cair, nessas horas eu experimento o melhor da minha cara de espanto.
Hoje, no final da tarde, depois do super mercado, fui pegar a caçula na escola, aproveitamos para dar um pulo no armarinho, aqui na minha terra, pro lado de cá da ponte, só tem um!
O danado fica numa parte do bairro bastante acidentada, chovia muito, o carro começou a derrapar, não subia a rua escorregadia de jeito nenhum, dei uma rezinha e deixei o povo passar.
Um carro parou do meu lado, a janela se abriu e uma moça muito bonita e simpática ofereceu ajuda! Eu aceitei, claro!
O carro estacionou um pouco mais a frente, a filha que já pode votar comentou, "gente bonita nesse carro!" Ela viu o rapaz chegando, saiu do carro, eu pulei para o banco do passageiro, o moço tomou o volante!
Moço lindo! Que cara mais conhecida - pensei comigo! Dali a pouco a ficha caiu! Era o Bruno Gagliasso dirigindo meu carro, me ensinando como sair daquela situação!
Depois de tudo ainda me deu beijinho na hora de sair do carro!
E eu fiquei com uma cara de tonta, completamente estranha! Quando a filha que já pode votar voltou perguntou se era verdade! A Caçula no banco de trás continuava de queixo caído!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Aprendendo a lembrar

Essa é uma foto sem nenhuma qualidade, eu tirei com o celular, sem nenhum rigor. Essa é minha bisavó paterna.
Eu tenho um amigo que  está estudando os hábitos e costumes da classe média paulista do início do século XX, tudo começou com uma coleção de fotos que ele comprou num brechó. Adoro conversar com ele sobre isso, sobre suas descobertas e suspeitas, como sou metida, também dou um monte de palpites.
Ele sempre insiste na importância de manter as coleções de fotos com legendas, com o máximo de informações possíveis. Imagine só, eu que venho escarafuchando  minha memória, azucrinando a família  atrás de lembranças, enlouqueço com as dicas que ele me dá.
É preciso valorizar o acervo, saber que mesmo um conjunto com poucas fotos, algumas cartas, bilhetinhos ou um caderninho de anotações podem ser interessantes, sempre há informações que ampliam o conhecimento sobre um tempo, pessoas, costumes.
Quando eu era professora, eu costumava propor um trabalho de resgate da História da família dos alunos, eu punha a criançada para inquirir a velha-guarda sobre outros tempos, chegamos a fazer lindos "Chás das avós", quando chamávamos as avós ( a minha também foi em um) para contar para as crianças como era a infância quando elas eram crianças.
Pensando nisso, decidi que vou cuidar do acervo de fotos da minha família, em primeiro lugar legendar o que ainda é possível legendar.
A coleção de fotos do meu amigo pertenceram à uma mulher que cuidou de deixar tudo minuciosamente registrado, datas, lugares e nomes, meu amigo está cada vez  mais envolvido com as fotos, como uma coisa puxa a outra, está pesquisando alguns desdobramentos, conversávamos sobre as últimas descobertas quando uma conhecida se aproximou, ficou interessada na nossa conversa,  quis saber de quem falávamos e a resposta do meu amigo foi muito engraçada - da minha mulher!
Segundo esse amigo, tudo é material de observação, por exemplo, o nome e o endereço do fotógrafo, o cartão, tudo!
Me sinto confortável em poder responder aquela velha pergunta filosófica - de onde venho?
Quanto as outras duas tenho me empenhado bastante!

sábado, 12 de novembro de 2011

É assim que funciona






Este foi o segundo dia do evento Africanofagias Paulistanas na Pinacoteca do Estado, um mega evento, diga-se de passagem, logo cedo, pois 10 horas da manhã de sábado, é logo cedo, acontece a mesa redonda, hoje, "Negro paulistano me tornei, na metrópole que adotei", sobre  Luiz Gama, Carolina Maria de Jesus, Emanoel Araújo, maiores informações clique aqui!


Em seguida, visitas temáticas nos três museus e oficinas, essas pessoas, sentadas no chão, estavam participando da oficina da Pinacoteca.
 Por fim espetáculo do Zinho Trindade e o Legado de Solano.
Os espetáculos no Octógono, com a instalação do Olafur ficam muito mais interessantes, todos são duplamente espectadores, afinal muitos querem ouvir e ver, ao mesmo tempo, por isso aparecem, no chão essas estrelas espontâneas, no caso dessa foto, esses são alunos de um curso de arte da cidade do Embu das Artes, eles vieram com o professor e como conheciam o pessoal do grupo, ficaram para a apresentação.

A estrela não se formou assim instantaneamente, foi aumentando, aumentando, a certo momento, outras pessoas foram se posicionando, uma delícia total!

O som reverbera por todo prédio, e os visitantes vão aparecendo nas janelas, que apesar de serem "apenas" elementos arquitetônicos, compõem o ambiente, são quase "obras", ou "instalações" incidentais, e eu, curiosa como sou fico só de olho!

Esse evento é, de fato, um exemplo de iniciativa e criatividade da minha amiga querida Renata Felinto, que mostra, com suas propostas multi disciplinares que geração de cultura não é hermética nem carrancuda.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os livros viajantes

Quando resolvi aderir ao BookCrossing foi uma iniciativa natural, afinal eu sou uma devoradora de livros, compro, empresto, distribuo, conheço bibliotecas que costumam aceitar doações, vivo falando de livros, sugerindo títulos.
Dessa vez, tão gostoso quanto "esquecer" o livro foi saber que muita gente comprou a ideia, aderiu ao "movimento" e também escreveu... a Renata, dona do Reparei, contou essa história deliciosa.
Esse é o tipo de epidemia que a dá gosto de contrair!
Obrigada a todos que participaram!

domingo, 9 de outubro de 2011

Umas observações

 Quem olha para essa foto pode pensar muitas coisas, pode até achar que a foto está de cabeça para baixo! A verdade é que essa exposição é maravilhosamente aflitiva! Sim a arte também pode causar vertigem, essa causou! (clique na foto) Eu sofro de vertigem, isso não é novidade, eu já contei que eu quase subi a escada da Penha em Vila Velha de joelhos? Que por isso quase voltei desquitada da minha lua-de-mel? Pois é, eu sofro disso mas não deixo de enfrentar meus medos, o espelho, além de tudo fica  girando sobre nossas cabeças, a funcionária da Pinacoteca que me acompanhava me disse que não fica embaixo desse espelho, tem vertigem, ainda bem que não sou a única, mas eu me desafio, experimento meu limite! Observando bem a foto é possível ver que eu estive lá, sou eu quem está tirando a foto, dá para ver o flash?
 Diga-se de passagem que a Pinacoteca é vertiginosa por si só, aqueles vãos enormes, as passarelas no ar, aqueles janelões, mas com os espelhos... uhu! Ficou de mexer com qualquer um que sofra do labirinto!
 Eu estava na Pinacoteca a trabalho, para uma reunião de preparação de um evento que vai acontecer em Novembro, uma parceria entre os três museus da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua e Museu de Arte Sacra, "Africanofagias Paulistanas", trata-se de um evento que contará com mesas redondas, visitas temáticas envolvendo as instituições parceiras e apresentações de shows em pequenos formatos que abordarão a temática africana e afro-brasileira e como as mesmas permanecem, se transformam e se atualizam no Estado e, principalmente, na Cidade de São Paulo. O evento  foi concebido pela artista multi-mídia  Renata Felinto.
Estávamos numa sala interna, no escritório, um lugar bonito, amplo e bem iluminado, imerso em arte, de onde eu estava sentada uma coisa me chamou atenção, não me contive, pedi autorização para fotografar, fui fisgada por esse armário de ventiladores, singelo, simples, promessa de pura frescura!
Acho que é isso que mais me cativa, o inesperado!
Fiquei abismada com a quantidade de gente acampada na calçada do Morumbi, tem pai e mãe tomando muita água de privada em jejum, nada justifica uma bobagem dessas, se fosse uma das filhas aqui de casa, levavam umas palmadas na bunda e pronto!
Está passando no Fantástico mais uma reportagem sobre o Steve Jobs, só existe Steve Jobs no mundo? Será que é preciso repetir esse discurso um milhão e meio de vezes? O discurso do Steve Jobs vai ser o que foi o  "filtro solar" da década de 2000? A morte do Steve Jobs ganhou o mesmo espaço que a queda das Torres. Acho isso um exagero, consumismo puro, as ações da Apple vão subir? Mais gente vai comprar iPhone, iPad, iTouch? Ai que chata! É melhor eu ir dormir! Tchau, fui!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Observações sobre a Cidade

 Antigamente, antes dos amplificadores de som e dos shoppings, as pessoas passeavam em praças, para garantir a animação a música ao vivo era fundamental, por isso nas praças, haviam coretos, lembra da música? "Todo domingo havia banda, No coreto do jardim, E já de longe a gente ouvia, A tuba do Serafim...". Esse coreto ai deve ter sido sucesso, nesse tempo, em volta dos coretos a onda era o "footing",  quando moças andavam para um lado e os moços para o outro e  eles ficavam se paquerando, sem muita conversa, eu creio.  Minhas avós falavam muito do tal do "footing", chegaram a dizer que nós fazíamos footing no shopping... acho que elas tinham razão, era "footing" aqueles passeios nos shoppings.
Esse coreto me chamou atenção, em pleno centro de São Pauloapesar da aparente calma esse fica na Praça da República. Isso é apenas um recorte, enquanto batia a foto o trânsito na Avenida Ipiranga, daquela outra música, "Alguma coisa acontece no meu coração, Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João, É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi", continuava pesado, sem trégua, para chegar ao Metro é preciso passar por ele, mas ao entrar na estação  a imagem se transforma e um mar de gente, com pressa, gente que nem olha para o lado simplesmente tenta chegar ao seu destino, seja ele o Tucuruvi, Vila Prudente, Santana ou Butantã.
O centro da cidade está muito mal-tratado, além das centenas de imóveis desocupados, depredados, mendigos jogados pelas ruas, o cheiro acre é uma constante, tudo parece abandonado. Muitas lojas vendem artigos populares, lanchonetes, há sebos, alguns cinemas, alguns hotéis, e o mais interessante, ainda existem prédios residenciais, alguns muito bem cuidados com letreiros lustrosos sobre a entrada.
Essa cidade é um mundo cheio de contrastes, impressionante, ao entrar no Metro a atmosfera claustrofóbica nos envolve, desejo a luz do sol, o azul, mesmo que acinzentado do céu. Ao chegar na plataforma a espera é mínima, três estações mais tarde, uma boa caminhada por um labirinto de corredores uniformes, alguns lances de escadas rolantes e catracas, finalmente a Av Paulista surge majestosa.
Imaginava que apesar do cenário semelhante o cheiro fosse menos ácido, mas é o mesmo, impiedoso.
No outro dia chegando para minha aula de Yoga presenciei uma cena improvável, um sabiá preso entre uma grade e uma janela, o coitadinho não conseguia sair, um amigo dele estava tentando dar ideias que de nada adiantava, e o sabiá pulava para um lado e para o outro e nada, até que finalmente deu um salto no vão em direção ao chão, a queda se transformou em voo e dali ele voltou para o verde das árvores.

domingo, 4 de setembro de 2011

(Des) Mobilização

Talvez devesse usar a Chata-de-Galochas, ou quem sabe contar como se fosse um caso da Adelaide, mas não pensei nisso antes...
Os moradores do Morumbi se cansaram de tanta violência, de assaltos ao cair da tarde, de arrastões no congestionamento, de todo tipo de violência, além é claro de serem alvo de chacotas e ideias preconceituosas por parte do restante da população da cidade, do país. Como se só aqui houvessem pessoas com condição financeira favorável, como se só aqui as pessoas andassem em carros bonitos, gostassem de celulares bacanas.... A casa de vidro projetada pela Lina Bo Bardi fica aqui, e a casa do Estevão Conceição, o Gaudí brasileiro, também, lá no meio da Paraisópolis, além da casa feita de garrafas pet de Antenor Feitosa.
Imagina-se que o Morumbi seja um bairro nobre da cidade, em parte verdade, mas a nobreza do bairro esbarra na terceira maior favaela da cidade, a Paraisópolois. Além de outras cinco ou seis espalhadas pelo bairro Jardim Panorama, Real Parque, Vila Praia, Viela da Paz, Jardim Colombo e Nova República.
Os noticiários deveriam se referir ao Morumbi como bairro de muitos contrastes, bairro de crescimento desorganizado esquecido das autoridades, que mesmo sendo um bairro com expansão vertiginosa, não há investimentos para avenidas, viadutos, nem em transporte público, quem mora aqui sabe, vai ficar parado no trânsito, a qualquer hora do dia ou da noite. 
No início era uma fazenda que depois foi loteada, imaginava-se que seria uma área de veraneio, casas de final de semana, a ideia não vingou, muitos terrenos ficaram abandonados. 
Mais tarde, as construtoras descobriram a região, ai veio a especulação imobiliária e que especulação, aqui lançaram condomínios de toda espécie, com apartamentos de 40 metros quadrados, com 50, 60, 70 até 400, quem sabe mais.
O bairro cresceu, e hoje já é possível viver aqui sem precisar cruzar seus limites, há super mercados, (todos) bancos (todos), shoppings, consultórios médicos, hospitais, postos de saúde, escolas, faculdades, clubes desportivos, cabeleireiro, cartório, posto de gasolina, padaria, farmácia, quando digo tudo, é tudo mesmo, oficina mecânica, borracheiro, concessionária e até posto do Controlar.
O tamanho do problema é diretamente proporcional ao número de moradores da região, além dos moradores, somos cerca de 221.500 habitantes, pessoas que passam por aqui para ir e vir afinal quem mora no Campo Limpo em Itapecerica da Serra, Tabõao da Serra, passa por aqui para chegar no centro, além das  pessoas que vem trabalhar no bairro.
Como as pessoas estão assustadas organizou-se um grupo que logo conseguiu mobilizar mais de 2500 pessoas que foram para a praça, uma manifestação pacífica, que gerou uma mudança, a polícia está se fazendo mais presente.
O grupo continua se comunicando via rede social, eis que depois de uma semana a s coisas degringolaram, há conflito de interesses, são mais de 4000 participantes, cada um querendo puxar brasa  para a sua sardinha e os desencontros acontecem.
Eu fiz um comentário sobre um acidente de trânsito, até coloquei uma foto, só para ilustrar,  ai alguém  resolveu dizer que o grupo está perdendo o foco. Outras discussões mais bizarras aconteceram.
Resolvi então me abster de dar  minhas opiniões, são muito polêmicas, alguém disse que no bairro as pessoas são mal-educadas! Ô caminho fácil! As pessoas são mal-educadas de forma geral, no clube há pessoas muito mal-educadas, no ônibus, no banco, na fila do super mercado, em qualquer lugar, isso é característica do nosso tempo. 
Fiquei com vontade de fazer uma pergunta, mas tive medo, queria saber se todo mundo respeita todas as regras do trânsito, se todo mundo fala bom-dia para o vizinho, claro que não!
Eu que moro nesse bairro há 35 anos fico assustada com tantas ideias equivocadas, juro que vou me controlar e não vou responder a todas as postagens com toda sinceridade e para completar, acho que acabo sendo enxotada do grupo, concordo com um dos participantes que disse que ali não é lugar de discutir casos particulares como multas recebidas por desrespeito às leis de trânsito.
O caso é que ainda temos muito que aprender no sentido da luta pelos interesses da maioria, nos falta   experiência  democrática, nosso pensamento ainda passa muito pelo individual, antes do coletivo...

sábado, 30 de julho de 2011

Coisas que ficam



Outro dia escrevi sobre meus avós, sobre a importância que tiveram na minha vida, as marcas profundas que deixaram, lembranças um pouco soltas, talvez, mas sempre com a certeza de amor, dedicação, cuidado.
Fiquei pensando muito nisso, tentei imaginar qual seria a herança impalpável que  meus filhos receberam dos avós. Num exercício de adivinhação fiquei lembrando de várias situações que eu não estava presente, das quais sempre se referem quando conversamos sobre suas lembranças. Há muitas, pela diferença de idade há uma variedade enorme de lembranças, situações que nem todos viveram ou se viveram não lembram, como eles comunicam essas experiências, como os outros traduzem tais lembranças, mas nem precisava tanto esforço.
Meus sobrinhos estavam com minha mãe, levei a caçula até lá, para meu deleite a resposta da minha pergunta estava lá no gramado, uma avó com seus netos, numa brincadeira de pintura com o material de pintura da avó.
Cada um experimentando aquele momento a sua maneira, cada um lidando com os pincéis e as misturas de cores, deixando transparecer toda sua personalidade, uma mais impulsivo, jogando as cores no papel, experimentando os movimentos do pincel, outra mais detalhista, preocupada com pequenos traços, a outra mais experiente, gosta dos efeitos das pinceladas no papel...  a avó que por sua vez acredita profundamente na conquista individual não determina nada, observa e apoia, incentiva, na hora me veio uma ideia na cabeça, esse é o tipo de evento que eu chamo de Teatro Bianchinni.
O interessante é que essa avó não tem nada daquele estereótipo de avó que estraga os netos, ela é uma avó linha dura, criança tem que brincar, tem hora para comer, para dormir e não gosta de manha,  as crianças adoram ficar com ela, aliás ficam muito bem, e adoram.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dia dos Avós

Ontem foi dia dos Avós, eu não conhecia essa data, mesmo assim resolvi fazer a minha homenagem os três, minhas duas avós e meu avô, com quem passei boa parte da minha infância e adolescência, voluntariamente.
Todo mundo sabe da minha paixão por eles, já contei um monte de histórias deles, a linda senhora ladeada dos dois cavalheiros é a Eterna Mocinha, aquela que saltava da plataforma de dez metros, a outra, aquela que deixou uma lista, quase as provas de uma gincana para a família, o senhor de roupa prateada, é a figura carimbada.
Essa linda foto, tirada no meu casamento, a organização do grupo foi determinada pela avó viúva, que fazia questão de ficar entre os dois "moços".
Quando vejo a relação dos meus filhos e sobrinhos  com meus pais me sinto muito feliz, eles terão, assim como eu,  lembranças felizes, lindas com seus avós.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Redes Sociais

Apesar de ter nascido muitos anos antes da era dos computadores pessoais (porquê quando eu nasci eles já existiam) em algum momento fui "picada"pelo bichinho virtual. 
Em 1992, quando comecei a usar s recursos tecnológicos em sala de aula eu não imaginava que o desenvolvimento seria tamanho em tão pouco  tempo.
Nessa época assisti uma palestra do Prof Lito, que nos apresentava um quadro que na realidade foi ultrapassado em poucos anos, ele dizia que em pouco tempo os alunos usariam disquetes, as aulas estariam todas nele! Disquete? Hoje os alunos usam Internet, os professores mandam tarefas pelo e-mail, os alunos publicam os trabalhos num blog da classe, muito mais moderno.
Pois é, mas Internet também tem seu lado social, os sites de relacionamento vieram para mudar alguns paradigmas das relações humanas.
Desde que o tal do Orkut começou, me dediquei a procurar amigos da escola, alunos, colegas de trabalho, parentes distantes e próximos, por conta dessa ferramenta já estive em diversas festas e encontros que foram combinados por um desses sites.
Às vezes, quando quero falar com alguém e não tem muita urgência mando recados pelo Facebook, se for alguma coisa mais formal, pelo e-mail.
O Facebook é um site que adora aproximar pessoas, ele é espertinho, ele vai encontrando pessoas com amigos em comum e ai ele manda uma mensagem" pessoas que você talvez conheça", isso é uma coisa muito interessante, há pessoas com milhares de amigos em comum que eu, absolutamente não conheço, há amigos que tem amigos em comum de um mesmo meio, todos os amigos em comum são ex-alunos de uma determinada escola, funcionários de determinada empresa, mas há uma categoria diversa, há pessoas que nem são assim tão próximas que tem um círculo de amigos muito semelhante ao meu, é amigo de pessoas de todos os círculos.
Eu já sabia, mas sempre esqueço, quem é simpático na vida real é simpático na virtualidade, quem é arrogante, arrogante é, aqui ou ali, não importa.
Antes da Internet a gente perdia o contato com as pessoas, a vida afasta mesmo, mas vira e mexe a gente encontrava alguém  importante em algum momento da vida, na escola, no trabalho, enfim gente que importou na sua vida.
Uma vez, eu fiquei muito constrangida, estávamos na casa do meu primo lá na montanha, uma casinha linda, com porta de estrebaria e telhado de sapé, uma atração, maior capricho, era inauguração, a família toda fazendo a maior festa enquanto preparávamos o jantar de inauguração, de repente toca o sino ( a campainha era um sino) eu fui atender... a pessoa que bateu a porta veio para conhecer a casa,  sabe aquela coisa de lugar pequeno? A vizinha vai se apresentar, conhecer os novos vizinho, no caso ela  só queria ver a casa por dentro, a fulana foi a minha melhor amiga no primário todo, quando eu abri a porta na hora eu reconheci e , claro, fiz a maior festa, a sonsa teve o desplante de dizer que não lembrava de mim, fiquei com aquela cara de tacho, fiquei sem ação, minha mãe tentou fazê-la lembrar, mas sabe como é, tem gente que é assim, minha tia, do time das minhas maiores protetora, quando viu que a paspalha queria entrar disse para ela que não dava para atendê-la pois estávamos muuuuuuito ocupadas.
Quando a figura foi embora, as três, minha mãe, minha tia e minha irmã me deram aquela bronca, disseram que eu sou muito efusiva(sou), que eu não deveria fazer aquilo nunca mais! (nunca mais?) Tá bom, fazer o que, né?
Meses depois, estava com minha irmã, minha mãe e as crianças no shoping, sempre na maior festa,  a gente é festeira mesmo, de repente a gente viu uma moça, e reconhecemos, claro, a melhor amiga da minha irmã na escola toda! Adivinhem! A fulana disse que não reconheceu e nem lembrava da minha irmã! Absurdo, as duas estudaram na mesma classe por mais de dez anos! Todas as artes elas fizeram juntas.
Naquele dia, minha irmã com cara de tacho percebeu como é chato esse tipo de fora, desde então a gente ficou controlada, só damos gritinhos de alegria se o outro gritar antes!
Nos sites de relacionamento a coisa é identica,  só que ninguém vê a nossa cara de espanto, aconteceu comigo, uma fulana com quem eu estudei a vida toda, que tem muitos amigos em comum me mandou uma mensagem dizendo não ter certeza de me conhecer! Pois é não me conhece, nesses casos não faço questão nem de resposta, coisa chata, viu! 
O bom é que no mundo há muito mais gente simpática e delicada que gente arrogante!

Pronto passou!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um minuto de silêncio

Pensei que fosse mais fácil, mas não é. Achei que era só escrever do jeitinho que estava pensando, acontece que as palavras escritas são mais pesadas que as palavras pensadas.
Veio a notícia, o tempo de tal pessoa na Terra acabou, ela se foi, estava doente? Internada? Alguma doença cronica? Não, nada de diferente, mas a hora dela chegou. 
O cinema americano enche nossa imaginação de imagens e sugestões, quando soube imaginei uma estação de trem, uma construção antiga, tijolos vermelhos, alicerces de ferro, nessa estação os trens chegam e partem com hora marcada sem atraso, quem está com a passagem reservada vai embarcando, há os que chegam com folga, outros atrasados, correm para alcançar o trem que já vai dando sinais dos primeiros movimentos. Esse é o caso de embarque rápido, sem aviso, sem tempo para despedidas.
Faz muito tempo que não vejo essa pessoa, acho que foi no enterro do marido dela que a vi pela última vez, depois mudou-se para bem longe.
Me perguntaram, e você vai ao enterro? Já fazia tempo que vocês não se viam, uma já tinha morrido para a outra!
Isso é verdade, mas eu vou a esse tipo de compromisso muito mais pelas pessoas que ficam, que pelas pessoas que se vão. Quem precisa de apoio são os familiares que estão sofrendo a ausência de um ente querido.
Não sei se outras pessoas tem esse tipo de reação, mas eu, ao saber da morte de alguém costumo ter "flashes-backs", lembro de momentos que estive junto com essa pessoa, o jeito dela falar, andar e tudo que me faça recuperar a pessoa dentro de mim, depois ofereço à lembrança dela um tempo de silêncio.
Longe de mim ofender as crenças dos outros, cada um oferece o que tem, eu posso oferecer um profundo silêncio, um momento de memória, assim ao chegar lá estou pronta para confortar os que ficaram com as lembranças que tenho do homenageado, sempre fiz isso, mas na última missa de sétimo dia que eu fui, o padre em seu sermão lembrou que o melhor conforto é a lembrança daquele que se foi.
Agora que já pude pensar um pouco no assunto, tenho que ir.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Novas Possibilidades

 Assisti, no domingo, parte do documentário "Nação  Digital", sobre a maneira como se está lidando com os avanços tecnológicos da internet, na Coreia, nas escolas do Japão, dos Estados Unidos, sobre  como foi possível mudar a relação dos jovens com a escola, usando computadores,  essa foi a parte que eu mais gostei. Mostram a experiência de uma escola que se transformou quando entregou para cada aluno um computador, ah! você vai dizer, os alunos acalmaram mesmo, ficam o dia todo no Facebook, pois é, aí que está a surpresa,  a escola tem uma proposta de trabalho, baseada em projetos, baseada em registros individuais  em blogs e os comentários dos colegas fazem parte dessa estrutura, a idéia é compartilhar, claro que os alunos conseguem burlar regras, mas isso não é exclusividade da tecnologia, quando eu estava no segundo grau só não tinha celulas, computador, ou msn, mas as conversas paralelas eram via bilhetinho voador, papelzinho viajante, tanto faz a gente se comunicava... até piscando a gente passava cola!
Na década de 90, dávamos os primeiros esse sentido, buscávamos uma maneira de juntar crianças e computadores, na verdade, faltava-nos intimidade com a tecnologia, quantas e quantas vezes as crianças apresentavam questões inimagináveis para nós, por isso fui fazer um monte de cursos... as crianças, sempre mais abertas e mais espertas logo ficaram entediadas com aquelas aulas sem lógica, passaram a dominar os computadores à sua maneira, caoticamente, seguindo seus desejos, ora brincando, ora fuçando, sem medo de estragar, sem medo de travar, simplesmente experimentando cada uma das possibilidades, logo percebeu-se que o caminho era outro, muito mais simples,  contato, simples assim...