sábado, 15 de novembro de 2008

Nas alturas



Meu casamento quase não sobreviveu à lua-de-mel.
Planejamos uma viagem para Porto Seguro de carro, sem pressa, minimamente programada, primeira parada Rio de Janeiro.
Para ter cara de viagem de núpicias a primeira noite tinha que ter glamour, saimos de São Paulo direto para o Hotel Nacional, no Rio, afinal era Dezembro, nada como um Gim Tônica na beira da piscina para acabar bem o ano e começar uma nova vida, vida de casados.
Ao acordar, logo percebi que os três dias no Rio não seriam como eu tinha imaginado. Nos colocaram no 18º andar, num prédio com paredes de vidro no lugar das janelas e eu com minhas aflições de altura, bem quietinha, resolvi que não chegaria nem perto da janela, a vista para o Jóquei Clube é linda, e nem precisa chegar perto da janela. Eu não podia imaginar, o martírio estava só começando.
Estávamos no Rio, além da queimadura regada a Gim Tônica, que adquiri na piscina do hotel, Ipanema, Coapabana e o Cristo Redentor.
No Rio faça como os turistas, vá ao Cristo, fomos de carro, subimos aquela estradinha na encosta do morro, o maridão dizia para eu olhar isso e aquilo, eu aflita, fingia que olhava, estava preocupada pois a estrada se confunde com o barranco. Lá em cima a coisa só piorou, quem disse que eu olho para baixo? E para cima? É muita altura! Maridão achou, naquele dia, que eu estava brincando, ele não tinha noção do que é a minha paura.
Quando deixamos o Rio, fiquei contente, não conseguia lembrar de nada muito alto no caminho até Porto Seguro.
Na Ponte Rio-Niterói usei de todo meu auto-controle e só olhei o horizonte, sublimei a parte da altura.
Saquarema, São Pedro da Aldeia, Búzios, foram dias deliciosos.
Chegamos em Guarapari, maridão, resolveu, num certo dia ir à Vila Velha, lá no Convento da Penha, e eu não sabia do que se tratava. Só para ter uma idéia eu subi a escada da Penha de joelhos, não era penitência, era medo mesmo, ele me puxava e dizia que estava com vergonha, eu nem ai, lá em cima, aquele cheiro de rosas, velas, maresia, me enjoava, a paisagem, linda, mas alta, para mim aquele convento despencaria a qualquer momento, não é possível, aquilo não podia ser seguro, um verdadeiro desafio aos fundamentos da engenharia.
Maridão ficou irritadíssimo, não era possível, medo de altura? Eu nem vou contar o medo dele, isso é sobre o meu medo.
Passando Vila Velha, o Brasil fica muito mais plano, e pude aproveitar a viagem.
Sempre soube do meu medo de altura, mas nunca tinha percebido com ele pode ser prejudicial.
No tempo de professora, tive muitas experiências parecidas.
Teve um ano em que uma das atividades era a visita ao prédio do Banespa no centro de São Paulo, o lugar é perfeito para a aula sobre a fundação de São Paulo. Com eu superei aquilo é uma boa pergunta, como subi pelo elevador e fiz a baldeação do 36º andar é uma surpresa.
Para completar ainda tinha uma escada em caracol para o terraço, cheguei lá e grudei as costas na parede, segurei firme a criançada, e expliquei tudo.
Teve também o dia em que fui com os alunos ao Pico do Jaraguá, onde os trezentos degraus não foram problema, mas o terraço lá em cima, sem para-peito decente? Nesse dia eu orientei a observação sentada no chão, as crianças, morrendo de rir da minha aflição.
A pior experiência, com certeza, foi o passeio ao Mont-Serrat, em Santos, a subida no bonde funicular foi difícil, mas a descida, foi muito pior, foi preciso que outra professora me desse a mão!
Cada um tem seu medo, isso é normal, eu já aprendi, eu não dou mole, não, eu não fico contando essas coisas por aí, tem gente que gosta de sadicar os medrosos, como eu não sou boba nem nada eu fico quieta!
Não tenho medo de avião, não tenho medo de barata, não tenho medo de papai-noel, tenho medo de altura, será que sou tão anormal assim?

5 comentários:

Ana Barros disse...

I dare you ! Tem um desafio para você lá no Contatos Imediatos. (e prove que você não era nada normal rs)
Bjos

Cristina Sampaio disse...

Cada um tem seus medos sim, Paola, e eles surgem sem que a gente consiga impedir; podemos até controlá-los, pra não nos causarem muitos prejuízos, mas não sei se é possível impedir que surjam, que nos assustem e incomodem. Alguns medos são bem compreensíveis, muitos sentem, outros são difíceis de entender, mais subjetivos, particulares, mas pra pessoa têm significado, têm força, um poder enorme, não é bobagem, uma sensação grande de medo deve ser respeitada, mesmo quando parece não ter sentido (o que não foi o seu caso), e aos poucos a pessoa talvez consiga lidar melhor com os medos, enfrentar as situações que teme, sem precisar colocar medo nos outros; nossas dificuldades não precisam ser transmitidas, você está certa. Mas ainda bem que o casamento resistiu às alturas da lua-de-mel. Abraço!

Armando Maynard disse...

Interessante! ter medo de altura mas não ter de avião,só não 'CAIA' na bobagem de olhar da janelinha.Um abraço,Armando -fetichedecinefilo.blogspot.com (posto também em www.lygiaprudente.blogspot.com)

Rita de Cássia disse...

Ô Amor, voce sabe que eu também tenho paura de altura?? Outro dia tava pensando no porque queeu não aprendi a nadar, medo de altura, porque na agua a gente sempre fica no alt9o hauauauNem em escada eu subia, recentemente perdi o medo de escadas de 4 degraus(hauau) e dentro de casa com alguém perto a´te subo se precisar fora isto, nada.... também tenho pavorde prédios altos... Beijosssssssss

Paola disse...

Vc assistiu Alta ansiedade do Mel Brooks?
Tem uma cena no alto da torre, é assim que acontece comigo!

Obrigada!
Agora eusei que não estou sozinha!
Bjs
Paola