sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Muito tempo se passou


Dois anos, essa é a idade desse blog, incrível, não é? Parece exagero, mas no dia 5 de Novembro de 2007, dei início à essa viagem que é só minha, eu acho engraçado, enquanto lia o "início" de tudo me lembrei de uma prática do meu tempo de professora.
A partir de 1988, fui professora do Colégio Galileu Galilei, uma escola já há muito falecida, mas ainda lembrada, tanto pelo repertório de ações que estavam disponíveis, quanto pela oportunidade de crescimento dos alunos e professores. Vale lembrar que eu era muito mais masoquista que sou agora, insegura sofria por tudo. Naquele ano fui convocada a ser professora da segunda série, teria que ceder minha classe da terceira (que eu achava que era o filet mignon) para uma colega, demorei para entender que quem estava na crista da onda era eu, aquilo me deixava abalava pois eu teria que trabalhar com uma equipe diferente, com uma orientadora diferente e até assessoria diferente, quem é professora sabe como é complicado ter que pensar em novas parcerias, mal sabia que aquilo era um presente e dos bons, a equipe da primeira e segunda séries era muito mais harmônica, havia mais espaço para lidar com as questões do desenvolvimento, o conteúdo mais prático dava espaço para um monte de atividades lúdicas, enquanto fui professora da segunda série pude aprimorar minhas ideias sobre aprendizagem significativa. Parece que foi mesmo, veja só!
Minha nova orientadora, apesar de trabalhar em parceria com a outra, era comprometida com o desenvolvimento, por isso, naquele ano pediu que cada uma de nós escrevesse uma carta de intenções, que pretendíamos alcançar, e não era o conteúdo, claro, isso ela sabia até onde teríamos que ir.
Ao ler meu primeiro post, tive a mesma sensação que tive ao ler aquela minha carta, que a orientadora guardou, cuidadosamente, durante aquele ano, o teor do texto não assusta, eu me reconheço nele, os desejos, são os meus, mesmo que não estivesse escrito meu nome, seria impossível negar a autoria. Dois anos depois, ainda posso assinar embaixo. Acho que a maior de todas as mudanças é o fato de não existirem mais crianças nessa casa, eles cresceram, muito, continuam companheiros, mas agora com um pouco mais de ideias próprias, mais independentes.
Será que não houve evolução? Continuo a mesma? Duvido, acho que para continuar os mesmos, temos que mudar, sempre. Se durante dois anos passei aqui escrevendo sobre as coisas que passam na minha cabeça, antecipei que algumas coisas não seriam tratadas, se chego aqui e digo que continuo a mesma, que nada de palpável mudou, então, para que serve esse blog afinal?
Essa é uma boa pergunta, que talvez não tenha apenas uma resposta, terá servido para mim? Escrevendo terei organizado meu pensamento? Ou será que escrever é comunicar coisas que não precisam ser divididas? Talvez um exercício um tanto narcista, uma egotrip qualquer?
É eu não sei mesmo a resposta, mas sei que escrevo pelo prazer que tenho em estabelecer esse diálogo comigo mesma, em aproveitar esse espaço para dividir um pouco do que sou, talvez só comigo mesma, e nem precisaria de mais para me deixar muito satisfeita.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

No trânsito

A cena é a mesma, avenidas entupidas, motoristas estressados.

Lá do alto de seu Urutu, ela percebeu uma brecha, conseguiria ultrapassar o molenga à sua frente antes que sinal da mão oposta abrisse, sem pensar em mais nada ela dá uma guinada no volante, não fosse aquele sujeito em seu automóvel mequetrefe ela já estaria longe, mas a colisão foi feia, além disso ela também foi albarroada por trás, alguém que tentou copiar a mesma manobra.

Depois que o som dos vidros estilhaçados passou, o coitado do único carro que estava certo desceu, do carro lá trás, quatro sujeitos bem alimentados, também, um deles vai falar com a senhora, verificando se tudo estava sob controle, outro aborda o assutado motorista, já quer saber dos documentos do veículo, telefone na mão disca para o 0800 da seguradora, polícia, em poucos minutos chegam outros dois carros, a mulher salta para um deles, no outro, três dos quatro sujeitos.
Resumo da ópera: Madame saiu dirigindo, atrás, no outro carro, os seguranças e o motorista, ela é barbeira demais, ao volante de seu megacarro automático, hidramático, não se preocupa com nada, nem ninguém à sua frente, só quer dirigir, será que o seguro cobre ?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma coisa e outra coisa



Dessa vez, ouvi um rápido comentário da Monica Waltfogel no "Saia Justa", sobre esse livro, claro que o livro veio correndo e grudou na minha mão e não houve outra escolha, o único jeito foi conferir.

O Ponto da Virada até pode sugerir que é um livro de auto-ajuda, mas não é, é um livro que observa comportamentos recorrentes na sociedade em determinados momentos, baseado em pesquisas, estudos, sugere enfim, que existem epidemias comportamentais, e as respectivas imunizacões, que há pessoas que tem a capacidade de iniciar uma moda, um novo modelo de agir, entre outros exemplos, vai fundo na expansão de determinadas marcas, e a falência de outras, razões que levam os jovens a experimentar o cigarro e se viciar.

É lançado um olhar mais demorado à propaganda boca-a-boca, e quais as principais características de uma pessoa para que seja seguida por muitas outras. É interessante a maneira como ele desmitificaas estratégias mirabolantes e mostra como no mundo moderno nos protegemos de tanta informação.

Eu gostei, viu?

Semana passada, na reunião mensal da empresa (onde foi apresentada a novidade do momento, os batons com luzinha acoplada), assisti uma palestra motivacional, devo confessar que devido minha vida pregressa, não lembro de ter assistido, antes uma palestra desse tipo, na minha área, as palestras são sérias,baseadas em estudos, essa não, simplesmente foi genial.

O palestrante, Professor Gretz, um homem de 70 anos, sacudido e enxuto, com o cabelo espetado e azul, começa dizendo que ele não vai contar nenhuma novidade, que está ali apenas para nos fazer lembrar de certas coisas que são importantes na vida de qualquer um, com sua fala simpática do interior do Sul, começa dizendo que todo mundo tem que cuidar da própria saúde, cuidar da alimentação, comer fibras, muito mais que aquelas contidas nos alimentos, fazer exercícios, etc e tal, ele começou a falar de uma fibra que ajuda a regular o intestino, afinal, um intestino que funciona bem é uma grande coisa na saúde de todo mundo, eu concordo, e contou que mistura a tal fibra com linhaça e come o caroço do mamão (... nunca consegui comer caroço de mamão, mas eu sei que ele ajuda, depois disso caroço de mamão todo dia, claro), e a tal fibra. Até que o inevitável aconteceu, eu, euzinha da silva levanto a mão, por favor qual é o nome da fibra, afinal? Você está com o problema? Essa é a minha diferença! Então vem cá! e eu fui, ele, prestativo de tudo preparou a mistura, três colheres de chá de PSILIO num copo de água e me deu, eu entornei o copo na frente de todo mundo, umas duzentas pessoas, mas gente, é sensacional, fenomenal, é uma fibra que funciona como uma esponja e cresce dentro do estômago, dando uma leve sensação de saciedade, depois no intestino ela vai passando por todas as dobras e limpa tudo.
Passei a semana procurando o tal do psilio, encontrei hoje numa loja especializada em produtos para apiário e produtos naturais.
Além das dicas intestinais, que foram da maior importância ele toca na questão dos objetivos pessoais, da postura que devemos ter em relação aos outros e aos que estão à nossa volta, sugere que busquemos em nós as respostas dentro de nós mesmos.
No final das contas juntando as palavras do Professor Gretz com as coisas que eu li, vejo que a vida gira em torno de pequenas coisas, um passo depois do outro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Se escuro estiver,,,,



Maquiagem com brilho próprio e com espelho! Ninguém contava com tanta astúcia!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sensações


Por ser curiosa até não poder mais, corri na locadora e aluguei "O leitor", tomei vergonha na cara e li "Sua resposta vale um bilhão".
Todo mundo está acostumado a dizer: "O livro é muito melhor que o filme!", ou então: "Não vou ler o livro, já assisti ao filme." Já ouvi diversas opiniões nesse setor, as versões cinematográficas dos livros que lemos, pois é, são tantas opiniões, todas tão cheia de verdade, todas estão certas, afinal, tudo é uma questão de gosto! Se o Osman Pamuk ganhou o Nobel de Literatura , tudo é possível, eis aqui tema para uma longa discussão, que não vem ao caso.
Gostei muito do filme, gostei do conjunto das imagens, gostei do ritmo, achei delicada a maneira como foi contada a história, nudez é tão natural que não agride, não choca. No livro o diálogo interno, as reflexões e as angústias ficam muito mais explícitas, no filme foram suprimidas alguns diálogos, alguns detalhes, mas foram substituídos por silêncios e olhares, achei que o filme foi fiel à história original e também fiel à linguagem do cinema, e aí que está o pulo-do-gato, para o filme emplacar e poder ser lembrado como uma obra independente, é fundamental que respeite a linguagem do cinema, que se preocupe em dar pistas não-verbais sobre os acontecimentos, toda vez que Hanna e Michel estão juntos e em sintonia, há algum elemento de cena vermelho ou rosado, caso contrário os verdes-azulados aparecem com força, fiquei satisfeita, é um bom filme, uma história de amor, afinal.
No caso do "Sua resposta vale um bilhão", o caso é mais interessante ainda, o autor escolheu um narrador muito perspicaz, num estilo "Sherazade Moderno", o livro é envolvente com um monte de histórias cheias de emoções divergentes, personagens diversificadas, seria impossível transferir para a película tantas histórias, acho que por isso foi feita uma adaptação, reduziram o número de personagens e inventaram uma história mais linear, mas de novo eu gostei das mudanças, são duas linguagens diferentes que merecem ser tratadas de maneira especializada.
Será que já foi possível comparar uma obra com outra? Qual é a melhor linguagem?
Fico com a minha resposta, são duas coisas diferentes, que ocupam lugares diferentes, nenhuma das duas anula a outra!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Enchendo a lata

Eu estava me segurando, não queria, de novo, ficar aqui falando da novela, não adianta, é mais forte que eu!
Eu tenho uma lista, para começar essa mania de batizar tudo quanto é heroína de Helena, já encheu, pelo menos dessa vez o autor desencanou da Regina Duarte, já pensou? A Regina Duarte fazendo a top model? O José Mayer é canastrão demais, pelamordedeus, egotrip por demais, me parece que alguém tem um caso com ele, não sei quem, mas já estava na hora de mudar a cara do galã, ai que saudade do Raj, tão inocente, tão sabido na arte do kamasutra...é melhor nem comentar.
A Helena da vez já foi mais convincente, como Alícia a filha do deputado ela era a melhor, não era? Agora. nem parece que ela está representando, parece que ele está lendo o manifesto comunista, alguém percebeu como ele é bem intencionada? E o olhar "estou de olho em você" que ela deu para o caseiro de Búzios?
O bom de novela, principalmente as do Manuel Carlos, é a possibilidade de assistir só de vez em quando, que você continua entendendo tudo!
Será que é antipatia minha, ou esse povo na novela bebe muito? Hein? Ontem a Lilia Cabral, que está de ex-modelo-que-abandonou-a-carreira-para-cuidar-do-marido(josé-mayer)-e-levou-um-pé-na-bunda-e-conseguiu-continuar-milionária, puxa o namorado da filha de lado e manda um uíque na cabeça, o advogado do "todo-poderoso-josé-mayer" bebeu muito, enquanto o chefe assinava um monte de procurações o scott corria solto, depois ele continuou bebendo em casa, no jantar.
E os gêmeos? É possível sim uma relação marcada pelo ciúme entre irmãos, não é isso que me choca, é o tratamento, um trabalha no escritório e é bem sucedido, o outro é médico e é vagabundo? De novo, pelamordedeus, né?
Tenho a sensação que deram essa novela para o Manuel Carlos só para cumprir tabela, ele já está ultrapassado, nem o amor-bandido ele consegue desenvolver, a menina engravida, volta para a barra da saia da mãe, que é super-protetora, retrogradada e a menina aceita, apenas com lágrimas escorrendo?
Ai que canseira que dá, né? Me parece que a trama da novela das seis é bem mais interessante! Pena que às seis não dá prá assistir novela.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O leitor


Não assisti ao filme, ainda, mas de novo fui escolhida para ler um livro.
É como se de repente o livro se materializasse na minha frente dizendo:"leia-me, leia-me", e eu leio.
Na verdade foi fuga, estou lendo um outro que de tão difícil, me impeliu a procurar outro, até que eu possa continuar a primeira leitura.
Estava desconfiada, não tinha certeza, mas a leitura me fisgou, diria que a história é surpreendente, uma montanha russa, nos primeiros momentos te leva às alturas, cheguei a achar que seria um romance água com açúcar, um amor proibido, que era mesmo, que supera os obstáculos e vivem felizes para sempre, que nada! Na segunda parte do livro começa a descida para baixo e além, uma surpresa atrás da outra,mais de uma vez me perguntei: como assim? não pode ser!
No meio do desenrolar da história, quando tudo parece estar resolvido, muitas questões surgem, o significado da culpa, da responsabilidade, o certo e o errado, junto com tudo isso a questão das feridas abertas pelo nazismo que confunde ainda mais o julgamento da situação.
Bem resumidinho? Eles se amavam.
Se você está sem um livro para ler, que tal esse?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As fichas continuam caindo

Maternidade, Pablo Picasso
Mais uma vez estou aqui esmiuçando, tentando colocar em perspectiva cada um das minhas sensações, olhando para dentro, para poder entender que se passa por fora, isso tudo só diz respeito à mim e a mais ninguém, eu sou assim, exagerada, tudo em mim está no aumentativo, tudo é no superlativo, tanto as dores quanto as delícias.
Isso é segredo, e talvez devesse continuar a ser, afinal, ao fazer essa revelação, estou assinando o meu atestado de incompetência, minhas limitações ficarão aparentes e todo mundo vai ver o quanto não fui capaz de cumprir uma promessa. Eu, na minha imensa ignorância pensei que poderia ser diferente de tudo que já existiu, perfeita, ou pelo menos muito próximo disso, qualidade total, ISO 9004 no quesito maternidade, aos quinze anos eu havia prometido para mim mesma coisas que eu sempre achei que seriam fáceis de se cumprir.
Havia decidido que eu não cometeria os mesmo erros que meus pais cometeram conosco, aliás eu havia decidido ser a melhor mãe do mundo, uma mãe amiga, presente, em quem os filhos pudessem confiar sempre, equilibrada, sensata, que nunca teria um ataque de nervos, nunca bancaria a louca no meio da rua. Alguém suficientemente atenta, para agir na hora certa, suficientemente sensível para dar tempo suficiente ao tempo, para que possa agir.
Eu havia decido que saberia ler todas as necessidades de meus filhos. Que estaria presente, sendo a o esteio, a rocha inabalável, onde eles poderiam encontrar toda a segurança que necessitariam para se desenvolverem fortes. Mesmo sabendo que frustrações fazem parte do processo sadio de qualquer ser, achava que com um olhar atento fosse possível monitorar isso também, afinal, tenho experiência suficiente para prever e evitar decepções.
Coisas tão fáceis de decidir, tão fáceis de se criticar nos outros. Critiquei tanto a minha mãe, eu achava que ela era insensível, que não olhava para nossos problemas, que não me entendia!
Que surpresa! Isso que eu havia imaginado é impossível, se eu fosse assim eu estaria sufocando meus filhos, estaria vivendo a vida deles por eles.
Tudo isso eu pensei por ter passado uns dias incomodada, alguma coisa estava entalada, não era capaz de descobrir o quê estava me incomodando, olho para um lado, olho para outro, ai tentei de brincar de " quando a filha-que-já-pode-votar tinha a idade que a Caçula tem hoje" e todas as variações possíveis do mesmo tema, quando a mais velha tinha a idade da mais nova hoje, sem dúvida nenhuma as coisas eram muito mais fáceis, acontece que já passou, a moleza daquele tempo e de todos os outros já passaram, hoje estou vivendo intensamente uma mudança, e mudanças para sempre.
Há um milhão e meio de metáforas para esse tipo de mudança, há quem diga que é como fechar a porta, ou seguir o caminho sem olhar para trás. Muitas vezes me pego tentando entender cada um dos meus passos, querendo lembrar como foi que tomei certas decisões, e mais uma surpresa, muitas vezes eu não decidi nada, a vida me levou para lá ou para cá.
Pode parecer que eu esteja me culpando de alguma coisa, muito pelo contrário, estou aqui me perdoando, me eximindo de toda e qualquer culpa que por um instante eu possa ter sentido, tudo que eu fiz e deixei de fazer, tudo que eu decidi e não decidi são páginas viradas que não têm mais volta, águas passadas e pronto!
A ficha caiu outro dia, fiquei surpresa, da mesma maneira que me assustei quando a filha-que-já-pode-votar acordou mais alta que eu, agora a Caçula fica querendo passar lápis no olho para ir para a escola, eles mudaram, eu também tenho que mudar.
Continuo sendo mãe, continuo sendo a mesma, mas agora tenho que fazer diferente, afinal agora todos estão crescidos, isso assusta sim, não por eles, mas por mim, como agir, como pensar, tudo faz parte desse novo momento e a questão é: como a mãe que sou, será a partir daqui?

As orquídeas estão por ai

É só olhar em volta, elas estão povoando os troncos das árvores pela cidade!
Acho essa tendência incrível, numa cidade tão cinzenta como a nossa essa é uma ideia que só vem a acrescentar beleza, colorido à paisagem tão mal tratada!
Estas estão no pátio da escola do Moleque.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia sem carro?

Sem metrô, sem ônibus?
Ahã! demagogia cansa, né?