sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A hora do desespero

Eu não desapareci no universo cibernético, não fui engolida por um link faminto, nem tampouco fui abduzida por uma vaca alienígena que mora numa fazenda virtual, apenas estou vivendo um período diverso do usual.
A semana começou emocionante, para cumprir o combinado eu precisei viajar, um dia apenas, fomos num turbo-hélice que devia ter sido recolhido ao pátio há anos, sou mesmo otimista de marca, quando recebi a passagem e vi o nome da companhia aérea, nem me preocupei em saber que raio de companhia era aquela, estava super segura, imaginei algo assim moderno. No embarque, o ônibus, que nos levaria ao aparelho voador, foi pela pista passando por várias aeronaves grandes e reluzentes, de repente achei que estava há muito tempo naquele percurso, aeronaves estacionadas iam diminuindo, diminuindo, até que parou, foi ai que eu avistei o dito cujo do meio de transporte, em que eu estava prestes a entrar... uns rebites enferrujados na asa, uma escada acanhadinha demais... veio aquele pânico, cogitei, sinceramente, em desistir, voltar a pé, insisti mais por orgulho que qualquer outra coisa, ao por o nariz para dentro tive aquele calafrio claustrofóbico, só não recuei pois a fila vinha atrás de mim e não havia maneira de retroceder.
Sentei na poltrona e respirei, fechei os olhos, mas achei melhor mantê-los bem abertos, e o cinto bem preso, fui me ajeitando, havia decidido ser forte, não pensar em nada, depois que os passageiros conseguiram se acomodar as comissárias, como em qualquer voo começam os procedimentos de orientação, foi ai que sofri o maior baque, a comissária se debruça para falar com o passageiro à frente : "Bom dia, como o senhor está sentado na poltrona da hélice, é preciso, durante a viagem observar se está tudo em ordem, caso a hélice pare, apareça fumaça ou sinais de fogo na turbina, é preciso que o senhor comunique esse fato à tripulação!" . Quase tive um treco! Fui forte e resisti, claro que aquela hora e pouco que estive nesse avião pareceu durar uma eternidade, parecia que íamos por uma estrada de terra bem esburacada, como sacoleja aquela joça!
Sobrevivi, e voltei depois da mesma maneira! O voo da volta, noturno, me pareceu um tanto mais assustador, principalmente durante a turbulência!
Para finalizar o dia entrei num táxi cujo motorista estava muito bravo, um motoqueiro deu uma fechada e o bicho ficou louco, só sossegou pois descobriu que minha casa é no caminho da casa dele, ai achei melhor puxar uma conversa mais amena, ele me contou onde ele mora e tudo.
No outro dia fui fazer a mesma coisa, dessa vez aqui bem perto da minha casa, e de táxi para ir e voltar. Chegamos num instante, na hora de voltar, claro, ninguém tinha o número do ponto, então, munidas do equipamento fomos andando, uns vinte minutos, antes de chagar ao tal ponto, até na frente do prédio do taxista estressado eu passei!
Semana que vem tem mais!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Bestialidade Global

Eu estava certa, nunca mais iria comentar a novela, mas as coisas não são assim.
Depois de assistir, com minhas filhas, Crepúsculo, filme fraquinho, sem sentido, mudamos de canal, e não é que demos de cara com uma cena bastante bizarra, e a Chata-de-Galochas acordou.
Pelo que eu entendi, o resumo da tragédia Leblônica é mais ou menos assim:
Magnata, beirando a senilidade, separa-se da mulher, ex-modelo recolhida, é pai de uma modelo em início de carreira, sem muito talento, se engraça e casa com a arquiinimiga da filha, uma modelo já consagrada. Para fazer as pazes com a filha mimada de seu marido a modelo consagrada, leva a agora enteada à uma turnê de desfiles na Jordânia(?), lá a mocinha mimada, joga na cara da modelo consagrada algumas verdades sobre o passado não tão glorioso da agora madrasta, que dá um sopapo na cara da menina sem papas na língua. No último dia de viagem, a modelo consagrada manda a menina mimada viajar de ônibus, o ônibus sofre um acidente e a única que se fere é a menina mimada, fica tetraplégica. A modelo consagrada, sentindo-se culpada, perde a pose, chora o tempo todo, o nariz sujo de meleca é invariavelmente limpo na manga de malha do conjuntinho básico que ela usa durante vários capítulos.
A mãe da menina mimada, ao saber da história toda, vai tirar satisfações da modelo consagrada, sabendo de tudo, aproveita para lavar a roupa suja e ainda dar uma espezinhada na, agora sua arquiinimiga.
Quem não assite a novela consegue perceber o teor mexicano da trama, até ai não tem nenhuma novidade, a questão esquisita é o tal fato obscuro do passado da modelo consagrada, e é aí que a porca torceu o rabo.
A tal modelo consagrada ficou grávida no início da carreira, na mesma época em que conseguia o contrato miraculoso, com ele passaria a ser conhecida, por isso ela faz um aborto.
Então a Chata-de-Galochas começa a desfiar a o rosário de perguntas indignadas:
Há a pretensão de se fazer uma campanha anti-aborto? Se sim, alguém está tomando água de privada, sem dar a descarga: e aquele monte de cenas de sexo, a maioria com o José Mayer, cada vez com uma mulher diferente, no barco, na cama, na praia? Inclusive as cenas de sexo, quase explícito da agora tetraplégica com o namorado no vestiário do clube? É para mostrar come se engravida, sem erro? Ninguém deu aula de como se usar camisinha, pílula ou qualquer outro contraseptivo, mas fazem um discurso todo cheio de preceitos sobre o certo e o errado.
Aborto? Ah! esse é um assunto bem complexo, envolto em uma grossa camada de todo tipo de tabus, desde os mais antigos e religiosos, aos moralistas travestidos de moderninhos.
Que falsidade, não é? Discutir a sexualidade do jovem ninguém quer. Se responsabilizar por um programa de educação sexual que atinja o jovem de verdade, ninguém quer.
Demagogia esse é o nome que eu dou para esse tipo de mensagem, qual é a proposta, afinal? Assumir toda gravidez que aparecer? Custe o que custar? Ninguém orienta, ninguém faz um contra-ponto entre o prazer sexual e a responsabilidade, há muito discurso retrogrado, há muitos estímulos sexuais, infelizmente, os desavisados ficam com os estímulos sexuais.
Demagogia é o nome dessa farsa, não adianta doar dinheiro para o Criança Esperança e continuar estimulando o sexo irresponsável. Isso pode se chamar, também de manutenção do estado de coisas. Ignorância que gera miséria! E o caso é que não é a primeira vez, o mesmo autor já tocou no assunto, todo mundo lembra, a adolescente que engravida na Holanda e morre num acidente, os gêmeos nascem... a menina tem síndrome de Donw? Lembrou? A Lília Cabral enchendo a cara da filha de porrada? Rejeitando a neta?
Como se faz para fazer com que a justiça comece a questionar a novela?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Comunicação para iniciantes


Fico resistindo, fico muitos dias domando a Chata-de-Galochas que mora emim, mas sempre chega o dia que ela esperneia e roda a baiana!
Graças à lei que proibiu o pessoal do telemarkenting de "estar oferecendo oportunidades irresistíveis" aos assinantes de telefone, estamos livres dos despaltérios proferidos por eles, ufa, pensei que esse dia não chegaria. O dia parece maior, tenho mais tempo para tomar meu iogurte em paz! Doce ilusão, pensei que nunca mais ficaria nervosa ao telefone, imaginei estar livre dessa aporrinhação.
Aqui na minha casa conto com a preciosa parceria de minha auxiliar de serviços gerais.
Outro dia, estava na rua, precisei falar com a dita cuja, liguei para casa.
Queria apenas um sim ou um não, a resposta era sim, mas a Dona Doida começa com "Não!" Puta que pariu, como ela quer que eu entenda? Eu estava fando ao celular, queria objetividade, era uma pergunta simples, com apenas duas alternativas: sim e não.
A questão é que essa se tornou uma mania nacional, um vício, ou pior ainda, a única maneira, somos um povo alegre, caloroso e muito pouco articulado na arte da expressão oral.
Mais um apagão deixou o Brasil literalmente no escuro, pela manhã o resumo da ópera era curto e grosso: ninguém sabia o quê aconteceu.
Notícia daqui, notícia de lá, reportagens, informações, muita encheção de linguiça (agora sem trema!) e nenhuma informação relevante, é anunciado, finalmente que o comitê não-sei-das-quantas- da- energia ia se reunir com o nosso presidente, doutor honoris-causas em verborragia, ele não participou de tal encontro, mas no final da tarde apareceu para o pronunciamento oficial, depois de muitas palavras ao vento, finalmente ele deu a explicação que estava faltando, ele não sabe de nada!
Me encanta a quantidade de palavras que ele usa para não dizer nada!
Fica claro que ele é o mestre-mor do "embromationbrás", essa língua muito em uso nessa economia emergente, que ainda está em dúvida quanto ao significado e a diferença entre o sim e o não!
O caso é um só, todo mundo tem que saber se expressar por meio das palavras, é o mínimo, é importante usar a idioma de maneira objetiva, e deixar de lado essa mania de inventar moda.
O uso exagerado de modismos na fala, denota apenas que o falante é detentor de vocabulário pobre, conhecimento restrito da língua e falta de articulação do pensamento.
Pronto falei, coisa chata, né? É que eu enjoei de ouvir tanto desparate! Fica aqui minha dica para iniciantes: se você não sabe usar, não sabe para que serve, não use, se você achar muito bonito, observe e descubra a maneira certa, fica mais elegante e não arranha o ouvido dos outros, afinal ouvido e penico são coisas diferentes!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Muito tempo se passou


Dois anos, essa é a idade desse blog, incrível, não é? Parece exagero, mas no dia 5 de Novembro de 2007, dei início à essa viagem que é só minha, eu acho engraçado, enquanto lia o "início" de tudo me lembrei de uma prática do meu tempo de professora.
A partir de 1988, fui professora do Colégio Galileu Galilei, uma escola já há muito falecida, mas ainda lembrada, tanto pelo repertório de ações que estavam disponíveis, quanto pela oportunidade de crescimento dos alunos e professores. Vale lembrar que eu era muito mais masoquista que sou agora, insegura sofria por tudo. Naquele ano fui convocada a ser professora da segunda série, teria que ceder minha classe da terceira (que eu achava que era o filet mignon) para uma colega, demorei para entender que quem estava na crista da onda era eu, aquilo me deixava abalava pois eu teria que trabalhar com uma equipe diferente, com uma orientadora diferente e até assessoria diferente, quem é professora sabe como é complicado ter que pensar em novas parcerias, mal sabia que aquilo era um presente e dos bons, a equipe da primeira e segunda séries era muito mais harmônica, havia mais espaço para lidar com as questões do desenvolvimento, o conteúdo mais prático dava espaço para um monte de atividades lúdicas, enquanto fui professora da segunda série pude aprimorar minhas ideias sobre aprendizagem significativa. Parece que foi mesmo, veja só!
Minha nova orientadora, apesar de trabalhar em parceria com a outra, era comprometida com o desenvolvimento, por isso, naquele ano pediu que cada uma de nós escrevesse uma carta de intenções, que pretendíamos alcançar, e não era o conteúdo, claro, isso ela sabia até onde teríamos que ir.
Ao ler meu primeiro post, tive a mesma sensação que tive ao ler aquela minha carta, que a orientadora guardou, cuidadosamente, durante aquele ano, o teor do texto não assusta, eu me reconheço nele, os desejos, são os meus, mesmo que não estivesse escrito meu nome, seria impossível negar a autoria. Dois anos depois, ainda posso assinar embaixo. Acho que a maior de todas as mudanças é o fato de não existirem mais crianças nessa casa, eles cresceram, muito, continuam companheiros, mas agora com um pouco mais de ideias próprias, mais independentes.
Será que não houve evolução? Continuo a mesma? Duvido, acho que para continuar os mesmos, temos que mudar, sempre. Se durante dois anos passei aqui escrevendo sobre as coisas que passam na minha cabeça, antecipei que algumas coisas não seriam tratadas, se chego aqui e digo que continuo a mesma, que nada de palpável mudou, então, para que serve esse blog afinal?
Essa é uma boa pergunta, que talvez não tenha apenas uma resposta, terá servido para mim? Escrevendo terei organizado meu pensamento? Ou será que escrever é comunicar coisas que não precisam ser divididas? Talvez um exercício um tanto narcista, uma egotrip qualquer?
É eu não sei mesmo a resposta, mas sei que escrevo pelo prazer que tenho em estabelecer esse diálogo comigo mesma, em aproveitar esse espaço para dividir um pouco do que sou, talvez só comigo mesma, e nem precisaria de mais para me deixar muito satisfeita.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

No trânsito

A cena é a mesma, avenidas entupidas, motoristas estressados.

Lá do alto de seu Urutu, ela percebeu uma brecha, conseguiria ultrapassar o molenga à sua frente antes que sinal da mão oposta abrisse, sem pensar em mais nada ela dá uma guinada no volante, não fosse aquele sujeito em seu automóvel mequetrefe ela já estaria longe, mas a colisão foi feia, além disso ela também foi albarroada por trás, alguém que tentou copiar a mesma manobra.

Depois que o som dos vidros estilhaçados passou, o coitado do único carro que estava certo desceu, do carro lá trás, quatro sujeitos bem alimentados, também, um deles vai falar com a senhora, verificando se tudo estava sob controle, outro aborda o assutado motorista, já quer saber dos documentos do veículo, telefone na mão disca para o 0800 da seguradora, polícia, em poucos minutos chegam outros dois carros, a mulher salta para um deles, no outro, três dos quatro sujeitos.
Resumo da ópera: Madame saiu dirigindo, atrás, no outro carro, os seguranças e o motorista, ela é barbeira demais, ao volante de seu megacarro automático, hidramático, não se preocupa com nada, nem ninguém à sua frente, só quer dirigir, será que o seguro cobre ?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma coisa e outra coisa



Dessa vez, ouvi um rápido comentário da Monica Waltfogel no "Saia Justa", sobre esse livro, claro que o livro veio correndo e grudou na minha mão e não houve outra escolha, o único jeito foi conferir.

O Ponto da Virada até pode sugerir que é um livro de auto-ajuda, mas não é, é um livro que observa comportamentos recorrentes na sociedade em determinados momentos, baseado em pesquisas, estudos, sugere enfim, que existem epidemias comportamentais, e as respectivas imunizacões, que há pessoas que tem a capacidade de iniciar uma moda, um novo modelo de agir, entre outros exemplos, vai fundo na expansão de determinadas marcas, e a falência de outras, razões que levam os jovens a experimentar o cigarro e se viciar.

É lançado um olhar mais demorado à propaganda boca-a-boca, e quais as principais características de uma pessoa para que seja seguida por muitas outras. É interessante a maneira como ele desmitificaas estratégias mirabolantes e mostra como no mundo moderno nos protegemos de tanta informação.

Eu gostei, viu?

Semana passada, na reunião mensal da empresa (onde foi apresentada a novidade do momento, os batons com luzinha acoplada), assisti uma palestra motivacional, devo confessar que devido minha vida pregressa, não lembro de ter assistido, antes uma palestra desse tipo, na minha área, as palestras são sérias,baseadas em estudos, essa não, simplesmente foi genial.

O palestrante, Professor Gretz, um homem de 70 anos, sacudido e enxuto, com o cabelo espetado e azul, começa dizendo que ele não vai contar nenhuma novidade, que está ali apenas para nos fazer lembrar de certas coisas que são importantes na vida de qualquer um, com sua fala simpática do interior do Sul, começa dizendo que todo mundo tem que cuidar da própria saúde, cuidar da alimentação, comer fibras, muito mais que aquelas contidas nos alimentos, fazer exercícios, etc e tal, ele começou a falar de uma fibra que ajuda a regular o intestino, afinal, um intestino que funciona bem é uma grande coisa na saúde de todo mundo, eu concordo, e contou que mistura a tal fibra com linhaça e come o caroço do mamão (... nunca consegui comer caroço de mamão, mas eu sei que ele ajuda, depois disso caroço de mamão todo dia, claro), e a tal fibra. Até que o inevitável aconteceu, eu, euzinha da silva levanto a mão, por favor qual é o nome da fibra, afinal? Você está com o problema? Essa é a minha diferença! Então vem cá! e eu fui, ele, prestativo de tudo preparou a mistura, três colheres de chá de PSILIO num copo de água e me deu, eu entornei o copo na frente de todo mundo, umas duzentas pessoas, mas gente, é sensacional, fenomenal, é uma fibra que funciona como uma esponja e cresce dentro do estômago, dando uma leve sensação de saciedade, depois no intestino ela vai passando por todas as dobras e limpa tudo.
Passei a semana procurando o tal do psilio, encontrei hoje numa loja especializada em produtos para apiário e produtos naturais.
Além das dicas intestinais, que foram da maior importância ele toca na questão dos objetivos pessoais, da postura que devemos ter em relação aos outros e aos que estão à nossa volta, sugere que busquemos em nós as respostas dentro de nós mesmos.
No final das contas juntando as palavras do Professor Gretz com as coisas que eu li, vejo que a vida gira em torno de pequenas coisas, um passo depois do outro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Se escuro estiver,,,,



Maquiagem com brilho próprio e com espelho! Ninguém contava com tanta astúcia!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sensações


Por ser curiosa até não poder mais, corri na locadora e aluguei "O leitor", tomei vergonha na cara e li "Sua resposta vale um bilhão".
Todo mundo está acostumado a dizer: "O livro é muito melhor que o filme!", ou então: "Não vou ler o livro, já assisti ao filme." Já ouvi diversas opiniões nesse setor, as versões cinematográficas dos livros que lemos, pois é, são tantas opiniões, todas tão cheia de verdade, todas estão certas, afinal, tudo é uma questão de gosto! Se o Osman Pamuk ganhou o Nobel de Literatura , tudo é possível, eis aqui tema para uma longa discussão, que não vem ao caso.
Gostei muito do filme, gostei do conjunto das imagens, gostei do ritmo, achei delicada a maneira como foi contada a história, nudez é tão natural que não agride, não choca. No livro o diálogo interno, as reflexões e as angústias ficam muito mais explícitas, no filme foram suprimidas alguns diálogos, alguns detalhes, mas foram substituídos por silêncios e olhares, achei que o filme foi fiel à história original e também fiel à linguagem do cinema, e aí que está o pulo-do-gato, para o filme emplacar e poder ser lembrado como uma obra independente, é fundamental que respeite a linguagem do cinema, que se preocupe em dar pistas não-verbais sobre os acontecimentos, toda vez que Hanna e Michel estão juntos e em sintonia, há algum elemento de cena vermelho ou rosado, caso contrário os verdes-azulados aparecem com força, fiquei satisfeita, é um bom filme, uma história de amor, afinal.
No caso do "Sua resposta vale um bilhão", o caso é mais interessante ainda, o autor escolheu um narrador muito perspicaz, num estilo "Sherazade Moderno", o livro é envolvente com um monte de histórias cheias de emoções divergentes, personagens diversificadas, seria impossível transferir para a película tantas histórias, acho que por isso foi feita uma adaptação, reduziram o número de personagens e inventaram uma história mais linear, mas de novo eu gostei das mudanças, são duas linguagens diferentes que merecem ser tratadas de maneira especializada.
Será que já foi possível comparar uma obra com outra? Qual é a melhor linguagem?
Fico com a minha resposta, são duas coisas diferentes, que ocupam lugares diferentes, nenhuma das duas anula a outra!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Enchendo a lata

Eu estava me segurando, não queria, de novo, ficar aqui falando da novela, não adianta, é mais forte que eu!
Eu tenho uma lista, para começar essa mania de batizar tudo quanto é heroína de Helena, já encheu, pelo menos dessa vez o autor desencanou da Regina Duarte, já pensou? A Regina Duarte fazendo a top model? O José Mayer é canastrão demais, pelamordedeus, egotrip por demais, me parece que alguém tem um caso com ele, não sei quem, mas já estava na hora de mudar a cara do galã, ai que saudade do Raj, tão inocente, tão sabido na arte do kamasutra...é melhor nem comentar.
A Helena da vez já foi mais convincente, como Alícia a filha do deputado ela era a melhor, não era? Agora. nem parece que ela está representando, parece que ele está lendo o manifesto comunista, alguém percebeu como ele é bem intencionada? E o olhar "estou de olho em você" que ela deu para o caseiro de Búzios?
O bom de novela, principalmente as do Manuel Carlos, é a possibilidade de assistir só de vez em quando, que você continua entendendo tudo!
Será que é antipatia minha, ou esse povo na novela bebe muito? Hein? Ontem a Lilia Cabral, que está de ex-modelo-que-abandonou-a-carreira-para-cuidar-do-marido(josé-mayer)-e-levou-um-pé-na-bunda-e-conseguiu-continuar-milionária, puxa o namorado da filha de lado e manda um uíque na cabeça, o advogado do "todo-poderoso-josé-mayer" bebeu muito, enquanto o chefe assinava um monte de procurações o scott corria solto, depois ele continuou bebendo em casa, no jantar.
E os gêmeos? É possível sim uma relação marcada pelo ciúme entre irmãos, não é isso que me choca, é o tratamento, um trabalha no escritório e é bem sucedido, o outro é médico e é vagabundo? De novo, pelamordedeus, né?
Tenho a sensação que deram essa novela para o Manuel Carlos só para cumprir tabela, ele já está ultrapassado, nem o amor-bandido ele consegue desenvolver, a menina engravida, volta para a barra da saia da mãe, que é super-protetora, retrogradada e a menina aceita, apenas com lágrimas escorrendo?
Ai que canseira que dá, né? Me parece que a trama da novela das seis é bem mais interessante! Pena que às seis não dá prá assistir novela.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O leitor


Não assisti ao filme, ainda, mas de novo fui escolhida para ler um livro.
É como se de repente o livro se materializasse na minha frente dizendo:"leia-me, leia-me", e eu leio.
Na verdade foi fuga, estou lendo um outro que de tão difícil, me impeliu a procurar outro, até que eu possa continuar a primeira leitura.
Estava desconfiada, não tinha certeza, mas a leitura me fisgou, diria que a história é surpreendente, uma montanha russa, nos primeiros momentos te leva às alturas, cheguei a achar que seria um romance água com açúcar, um amor proibido, que era mesmo, que supera os obstáculos e vivem felizes para sempre, que nada! Na segunda parte do livro começa a descida para baixo e além, uma surpresa atrás da outra,mais de uma vez me perguntei: como assim? não pode ser!
No meio do desenrolar da história, quando tudo parece estar resolvido, muitas questões surgem, o significado da culpa, da responsabilidade, o certo e o errado, junto com tudo isso a questão das feridas abertas pelo nazismo que confunde ainda mais o julgamento da situação.
Bem resumidinho? Eles se amavam.
Se você está sem um livro para ler, que tal esse?