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sábado, 21 de janeiro de 2012

Mobilização Nacional - Minhas Impressões

E a Luísa, coitada, que não sabia de nada, voltou do Canadá!
Essa semana o Brasil parou, todo mundo, menos a Luísa, que está no Canadá, para discutir as aventuras sexuais dos participantes do BBB, eu não estou discutindo o mérito do fato, eu não consigo decidir se acho que foi ou não foi. Aliás a moça disse à polícia que trocou carícias com o acusado.
A história da Luísa que está no Canadá tomou conta das mídias sociais, todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá, fez um cometário, uma brincadeira, foi bem espontâneo, engraçado mesmo, afinal todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá, inventou alguma brincadeira com isso!
Ao mesmo tempo estava rolando a maior polêmica sobre o comportamento dos participantes do BBB.
Eu estava achando que ninguém mais, além de mim, assistisse BBB, eu estava achando que assistir era coisa de gente pouco esclarecida que gosta de fazer fofoca sobre a vida dos outros, afinal todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá,  estava publicando opiniões bem negativas sobre o BBB.
Antigamente, muitas pessoas confundiam a fantasia das novelas com a realidade, até hoje, tem quem chame a  Beatriz Segall de Odette Roitman, quem não sabe quem matou a Odete Roitman? Hoje todo mundo, até a Luísa que estava no Canadá, sabe quem matou a Odete Roitman, mas em 89 muita gente ficou paralisada na frente da televisão à espera do último capítulo de Vale Tudo.
Isso era antigamente, hoje, ninguém mais cai na armadilha da novela, todo mundo já sabe, até a Luísa que voltou do Canadá, que é tudo inventado, mas como é que fica a Rede Globo  que fez fortuna com as novelas? Se o povo não acredita em novela que será dos patrocinadores que enriquecem vendendo sabão em pó para as donas-de-casa no horário nobre?
Eles descobriram um jeito muito mais prático, mais barato e muito mais irresponsável  de mobilizar o Brasil, com o BBB, uma novela sem roteiro,  nem conteúdo, sem astros nem estrelas, apenas desconhecidos a procura de fama e fortuna, disputando um prêmio em dinheiro, no início a própria Globo, em suas propagandas do programa perguntava - O que você faria para ficar com o prêmio de meio milhão de reais? (o pessoal se matava por meio milhão).
Já se viu de tudo no BBB, amor a primeira vista, ódio espontâneo, homofobia, misoginia, masturbação,  sexo sem segurança, sexo com penetração, traição, mentira, muita mulher de bunda  e peito de fora, muita gente se exibindo, aliás é um programa de gente exibida, quem é acanhado nem se inscreve, claro, todo tipo de safadeza, muita gente achou que o BBB ia acabar, mas muita gente é muito tonta mesmo, até parece que ninguém sabe que é só o BBB começar que todo mundo, menos a Luísa que estava no Canadá, corre para comprar o Pay-per-View para ficar 24 horas por dia assistindo ao programa!
Eu achava que ninguém assitia o BBB, pois eu não consigo mais assistir tudo, a única coisa que muda, de verdade é a decoração da cozinha... o resto é sempre a mesma coisa, esse ano o Bial até falou..." essa prova é igual a primeira prova do BBB1!"
Eu continuava a achar que ninguém mais assistia, até que domingo começou um ti-ti-ti, "estupro, estupro, estupro", bem à moda dos linchamentos populares, parecido com aquela História da Escola Base, alguém acusa, a massa pune, tanto fizeram que até polícia baixou na emissora, até que expulsaram o moço. Depois a moça falou que estava gostando, mas o moço já tinha ido embora, ai a coisa tomou uma proporção inesperada, afinal ninguém asiste o BBB e por isso mesmo pode dar opinião convicta, todo mundo , menos a Luísa que chegou do Canadá, sabe das coisas.
Foi tanto alvoroço sobre o tal estupro, que a Globo para desvirtuar a conversa, pagou a passagem para a Luísa voltar do Canadá, levou a menina até o Jornal, entrevistou, ela virou uma PopStar.
Enquanto a  Sonia Abrão  ainda falava do estupro, entrevistava especialistas no assunto,  especulava, dava todos os detalhes, no SBT, o Carlos Nascimento diz que todo mundo, menos a Luísa que estava no Canadá, é burro por dar tanta atenção ao suposto estupro, ao caso da Luísa. Muito convincente vindo de alguém que trabalha na emissora de um homem que vive de explorar criancinhas e patrocinar as piores pegadinhas da televisão. Na minha teoria conspiratória, a Globo, está agindo como o Partido no 1984, apagando todos os registros, manipulando a verdade. Assim como nos mandamentos escritos numa parede de celeiro em outro livro do George Orwell, "Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros." , tentando a todo custo se eximir da responsabilidade que lhe cabe como promotora do programa e da precipitaçnao da eliminaçnao do participante, parece que quiseram dar uma grana para ele não se pronunciar, mas ele quer mais, quer limpar seu nome, sua honra.
Estamos todos, até a Luísa que estava no Canadá, vulneráveis as mensagens  de massa, à lavagem cerebral, há quem diga que não, mas a História está repleta de exemplos de vereditos populares precipitados, no filme "A Onda" de 1981, o exemplo é perfeito,  os alunos de uma escola, são todos levados a uma mobilização fanática e cega respondendo aos apelos de um líder carismático.
Não somos mesmo influenciáveis? 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Incredulamente chocada

Quando li  a notícia no Destak, jornal distribuído gratuitamente em São Paulo, pensei não ter entendido direito a história, às vezes não entendo mesmo, fui pesquisar, para minha surpresa era verdade.
Fiquei tentando entender a situação, lembrei do tempo em que eu ainda era professora na Escola Infantil, tive várias salas dessa faixa etária, vivi um monte de situações complicadas, tensas, constrangedoras,  na sala de aula nem tudo é lindo e harmônico, crianças choram e brigam, principalmente quando contrariadas, podem até socar os vidros da sala, às vezes é preciso conter o impulso da criança, segurá-la pelas mãos, olhá-las nos olhos e impor alguns limites.
O caso todo demonstra de forma irrefutável que a qualidade do profissional da educação desmoronou, a professora precisa ser afastada, isso é fato, mas junto com ela a diretora que não tomou as atitudes adequadas, inclusive fazendo a professora se recompor. 
A diretora também deve ter o diploma cassado,  como ela quer acusar a avó da criança? Tem gente bebendo água diretamente do esgoto!
Fico imaginando a cena, de que loucura essa gente é vítima? Na sala de aula, por algum motivo (posso dar uns palpites, mas não vem ao caso) o moleque teve um "faniquito", por que criança de três anos quando descompensa tem faniquito, ficou bravinho, a professora foi segurar o moleque que para se soltar deu uma bica na canela da "tia", muito brava, ela pega o menino pelo braço, furiosa, vai batendo o pé até a sala da diretora, entra sem bater e vomita a história toda na cara da diretora, ainda ameaça, "ou a criança ou eu!".
A diretora num momento de descuido liga para a polícia, que atende o chamado!
Concordo com o delegado, não era caso de polícia, conter os exageros das crianças é função da escola sim.

sábado, 2 de julho de 2011

Mudando o foco

Aconteceu no Metro de São Paulo.
Agora que estou muito mais perto do Metro está muito mais fácil usar o serviço. A última estação da mais nova linha é praticamente na esquina da minha casa, pois é, quem mora longe tem um jeito diferente de considerar distâncias... por exemplo, a gente que mora muito além de qualquer ponte, nem conta a distância da ponte até a casa!  O Metro fica a oito quilômetros da minha casa, um pulo! Com o novo horário de funcionamento, no início só funcionava até às três horas, agora só fecha às nove da noite,  está muito mais fácil ir até qualquer lugar e voltar!
Eu já estava na linha verde.  Entrei no vagão,  me ajeitei no corredor, atrás de mim havia um rapaz falando ao celular, fico encantada com os celulares que funcionam no Metro, o meu não dá sinal de vida, um atraso! 
Tudo bem que muita gente vai dizer que eu não tinha nada que ficar prestando atenção, lembrem-se, um dia eu fui professora e ao longo dos anos a gente desenvolve uma habilidade incrível, a gente faz várias coisas ao mesmo tempo, o cara estava falando alto, só não escutaria se eu cobrisse meus ouvidos, mas como estava em pé, precisava de pelo menos uma das mãos para me segurar! Na tentativa de disfarçar até tentei ligar para casa, nada.
A conversa do fulano estava me dando urticaria... ele falava, provavelmente com a mulher, talvez namorada, ele dizia que ela havia estragado o dia dele, que ela só pensava em si, que só faz o que quer e que já que ela já tinha estragado tudo ele estava dando um presentão para ela, a oportunidade de viajar antes do combinado... para falar a verdade, ele estava querendo que ela se sentisse culpada, que reconhecesse que ele é o maior sofredor da paróquia, o exemplo perfeito do tradicional papo-furado dos homens possessivos, egoístas e manipulador, meu deus! O cara não parava! 
Eu estava lá tentando não me meter na conversa, foi ai que, na tentativa de me distrair vejo essa família... os três dormindo o sono dos justos!
Nesse caso o homem, aqui o pai, também é o foco, mas de uma outra maneira, ele protege, ele cuida ele está escorando a mulher.
A imagem com função de "remédio", a voz do outro se tornou ruído sem sentido.
Quando eles acordaram eu contei que havia tirado uma foto deles... mostrei o resultado, deveria ter pedido o email deles para mandar a foto... Só sei que o bebê é uma menina, tem três meses e se chama Calissa, a mãe me disse que é o nome de uma flor.
Eles desceram na mesma estação que eu,  foi ali que nosso encontro terminou, eles continuariam mas na outra direção.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

#Blogagem Coletiva

Recapitulando, só para eu ter certeza, vivemos em 2011, século XXI?
#Blogagem Coletiva, começou assim,  a Lola  está sendo ameaçada de processo, ai a Patrícia Daltro propôs transformar o machismo em piada, ideia que eu acho sensacional! Olha só esse texto aqui. A mulherada ficou muito emputecida com as barbaridades que esses energúmenos proferiram.
A evolução não é homegenea, nem todo mundo evolui da mesma maneira na mesma intensidade, essa é a verdade mais cruel.
 Pois é, uma vez me chamaram de "pseudo-intelectual", na época eu fiquei ofendida, mas de repente eu sou mesmo um tanto bronca e não entendo certas coisas, já que "eu sei que eu sou bonita e gostosa", vai ver, "eu tenho uma louca dentro de mim, muito louca, cuidado, garoto, eu sou perigosa!"... As Frenéticas já cantaram isso em 1979!



Ops... sabe como é, sou mulher... pois é, ai eu lembrei da palestra que eu fui assistir outro dia, imaginem só... "Sexualidade e Prática Sexual na Adolescência, Prevenção de DST/aids e Gravidez Não-Planejada" (copia no Google e você pode ler o material).  Entre outras coisas a palestrante, a Regina Figueiredo sugeriu a leitura da  Breve Introdução Histórica da Rose Marie Muraro do livro o Martelo das Feiticeiras, documento da Inquisição para facilitar a caça às bruxas.
Eu não tinha lembrado de procurar esse texto, veio a calhar! No início o homem sentia inveja do útero, "Nas sociedades de caça aos grandes animais, que sucedem a essas mais primitivas, em que a força física é essencial, é que se inicia a supremacia masculina. Mas nem nas sociedades de coleta nem nas de caça se conhecia função masculina na procriação. Também nas sociedades de caça a mulher era considerada um ser sagrado, que possuía o privilégio dado pelos deuses de reproduzir a espécie. Os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva inveja do útero" dos homens é a antepassada da moderna "inveja do pênis" que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes." (ui) E não é só isso, o texto está repleto de ui!
Quer dizer, minha gente, os CQC se recentem da saída do Jardim das Delícias, quando eram amamnetados no peito de suas mães, não é que eles não tenham sido amamentados, eles foram, mas não lidaram bem com a entrada na idade adulta, quando o prazer é substituído pela obrigação. São órfãos de peito e agora, com inveja do útero eles ficam fazendo piada de mau-gosto sobre o ato. Tão antiquado, não é?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Descoberta sensacional

Descobri que existe uma versão "rascunho" no editor do Blogger, pelo que estou vendo, com novos recursos e visual mais moderno.... será mesmo que mudou alguma coisa? Fiquei na dúvida, vou experimentar.  O corretor continua limitado que só vendo.
Minha descoberta sensacional é outra. 
Sexta-feira foi o dia do casamento do príncipe, no domingo escrevi um post sobre o acontecido.
Hoje, verificando o número de visitantes da semana, percebi que no domingo o número de visitas foi enorme, coisa estranha, não é? Nem tanto, essa é a descoberta.
O tema do post em questão era o casamento e um monte de gente procurou fatos e fotos da grande cerimonia, e eu nem comentei a má vontade da dama-de-honra, acho que ela não gostou da brincadeira, não tem uma só foto dessa criatura com uma carinha alegre! 
Então a conclusão é, se você quer um blog cheio de visitantes é só escrever sobre um tema de grande interesse, política, economia ou fofocas, qualquer coisa que estaja nos noticiários do dia.
Quer dizer que se eu comentar que o sertanejo Marrone, da dupla Bruno e Marrone, já deixou o hospital hoje pela manhã, haverá uma onda de visitas por aqui? Ele saiu andando, viu? Quem teve o pé amputado foi o piloto, dizem que há suspeita de que quem pilotava o aparelho na hora da queda era o cantor, se quiser saber a notícia na íntegra, clique aqui!
E se eu, muito da metida, fizesse um cometário sobre a  morte do Osama? Não achei direito, quando prenderam o Sadam Houssein, antes de ser executado ele foi julgado, condenado, tudo foi transmitido. Agora o Osama foi preso, ninguém viu, não há provas, as notícias são desencontradas, não sei por quê, mas tenho a sensação que essa é uma história mal contada. Dizem que  ele foi morto e o corpo jogado no mar, nada democrático, achei esquisito! Nem achei que os argumentos apresentados fossem válidos, disseram que o corpo recebeu os cuidados que os mulçumanos devem receber, mas isso é o bastante?
O último pitaco que vou dar é sobre a lei que tramita pelos labirintos do Senado e da Câmara, que ainda vai levar uns dois anos para ser colocada em prática, essa lei aumenta a carga horária nas escolas de Ensino Fundamental de 4h para 5h20 por dia, trocando em miúdos os alunos vão ficar na escola das 7h até 12h20. Espero, do fundo do coração que essa lei seja aprovada o mais rápido possível!

domingo, 1 de maio de 2011

Faltou uma gola

- Matildeeeeeeee, vem tomar um café! Matiiiiiildeeeeee!
- Que deu em você? Sabe que horas são?
- O menino já chegou na igreja, daqui a pouco vem a noiva!
- Que noiva, Adelaide?
- Ai, ai, ai, Matilde, de que galáxia você vem? O casamento da Lady Kate!
- Lady Kate? Tem Lady Kate de manhã? (*)
- Matilde, você não está fazendo as palavras cruzadas que eu te dei! A Lady Kate! Futura rainha da Inglaterra!
- Ah! Ela vai se casar? Com quem?
- Ai, Matilde, pega um café e senta! O noivo é o filho da Lady Di... dessa você lembra, né?
- Olha... esse é o Charles! Essa que está com ele quem é? A Diana morreu faz tempo, né?
- Matilde, como você consegue, Matilde?
- Eu não gosto dessas coisas, eu não acompanho esses eventos, não leio Caras, nem Bundas! Olha, tem gente chegando de van! Deus me livre! Que coisa horrorosa... Quem disse para essa moça que isso é coisa de colocar na cabeça!
- Não precisa gostar de nada, minha filha, precisa só prestar atenção, olha bem, para depois quando a gente for falar, você se lembrar!
- Ai, Adelaide, é muito cedo... não sei se vou lembrar depois!
- Olha essa moça que você está criticando é princesa, prima do noivo!
- Ah! Coitada, vai ficar para titia! Bom gosto é assim, tem gente que não tem!
- Olha, Matilde, a Rainha Elizabeth está chegando! Ela veio de amarelo. Amarelo como o sol... ela gosta de chamar atenção! Olha que broche lindo!
- A rainha está parecida com a mãe dela! Eu gostava mais da rainha-mãe! Adelaide, a rainha veio de bolsa! Prá que essa bolsa? Que será que ela leva dentro de uma bolsa desse tamanho?
- É mesmo, Matilde, podia escolher uma coisinha mais miúda!
- Vai saber quantos comprimidos ela precisa tomar para manter a serenidade!
- Agora só falta a noiva!
- Olha... ela já entrou no carro! Ihhhh, acho que vão acabar de arrumar a noiva na porta da igreja... parece tão pobrinha, coitada!
- É mesmo, não é? Simples demais...
- Afinal essa noiva não entendeu nada! A prima do noivo chamou mais atenção que ela! Coitada!
- Se ela tivesse encomendado o vestido aqui na São Caetano (*1) tinha ficado muito mais caprichado!
- Estão dizendo que é inspirado no vestido da Grace Kelly! Bondade dos comentaristas! Nem por um minuto é parecido! Falta uma gola, um volume, um véu, sei lá, está anêmico esse figurino.
- Isso mesmo, figurino... hoje tudo é feito para ser televisionado, tudo milimetrado, cronometrado, os convidados chegam um de cada vez, um depois do outro, as câmeras todas posicionadas para pegar todos os detalhes.... Ninguém atrasa, ninguém tropeça, nem choras essa gente chora... que merda de casamento!
- Que é você tem, Matilde... ficou crica?
- Não Adelaidezinha... mas está me parecendo tudo muito armado... quase uma festa do Oscar, só que com a nobreza europeia... os plebeus só podem ficar fuçando de longe, pelo telão... se fosse no Brasil a gente podia dizer que era Macacobrás total!
- Macacobrás? Que que é isso, Matilde?
- Precisa mesmo explicar? É sinônimo de gente que aceita a manipulação da imprensa e ficar gastando dinheiro em bugigangas comemorativas e objetos copiados! Sem crítica...
- E eu achando que você era bobinha!


(*) Personagem do programa humorístico "Zorra Total" da Rede Globo, exibido aos sábados a noite.
(*1) Rua São Caetano, endereço especializado em vestidos de noiva na cidade de São Paulo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

História Única

Recebi de uma amiga querida um vídeo muito interessante, assisti e adorei.
Achei interessante, talvez ela tenha lembrado de uma situação curiosa que eu comentei com ela.
Não sou completamente responsável pela escolha dos livros que eu leio, alguns eu vou à estante da biblioteca, da livraria ou da casa de um amigo ou parente e escolho, quero ler esse livro, às vezes por recomendação, às vezes por curiosidade ou qualquer outra coisa. Muitos livros me escolhem.
Sim senhor, sou escolhida por certos livros, foi em 2008 que uma tendência de livros se iniciou, peguei na biblioteca um livro do Mia Couto, o "Terra Sonâmbula", fiquei chocada com a escrita com a história com o jeito que ele mistura a fábula com a realidade do personagem, procurei esse livro pois em algum lugar o Saramago escreveu maravilhas sobre o livro, de fato, maravilhoso.
Um dia no supermercado, vi na prateleira um livro, "Feras de lugar nenhum", comprei e li.
Depois encontrei na biblioteca o "Desonra" do Coetzee, que já tinha sido laureado, também me deram para ler "Canção na Relva", afinal a Doris Lessing havia acabado de ganhar o Nobel.
Li muitos livros da Doris Lessing e do Coetzze, apareceu o Le Clésio em minha vida e eu li, "Peixe Dourado", "O Africano" e "A Quarentena".
Outro que me caiu nas mãos foi o "Infiel".
No final das contas eu li um número considerável de livros sobre a África escrito por homens e mulhers, nascidos ou não, negros e brancos, ao assistir esse vídeo, pensei muito em nós mesmos.
Nós brasileiros somos um povo estigmatizado, o "mundo desenvolvido" nos julga tão evoluído quanto o homem de neandertal, muitos duvidam de nossa capacidade intelectual, há um milhão de histórias sobre cobras, índios e mulheres peladas que circulam em nossa capital, Buenos Aires.
Nós brasileiros do topo da pirâmide "financeira", também estigmatizamos os brasileiros da base. Todos conhecemos opiniões escandalosas sobre a pouca força de vontade das pessoas pobres do nosso país.
Sem me aprofundar muito nessa conversa, estamos nos dois lados da mesma moeda, nem sempre somos capazes de mudar a atitude, esse vídeo serve para isso, abrir os olhos e o coração.
Espero que seja possível mudar essa situação!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vítimas de nós mesmos

Mais de 500 mortos na região serrana do Rio. São Paulo, Bragança Paulista, Mauá, Atibaia, Jundiaí, Sumaré e São José dos Campos decretaram alerta por chuvas, Franco da Rocha continua sob um mar de lama. Em Minas, mais de setenta cidades também sofrem com as chuvas torrenciais, deslizamentos, desmoronamentos e todo tipo de caos que as chuvas podem trazer .
A catástrofe natural é inevitável, mas a tragédia humana pode ser minimizada, somos reféns de anos e anos de governos inoperantes, burocracia perversa, e discursos paralisantes.
Durante o Regime Militar fomos condicionados a acreditar que o Brasil era o melhor lugar do mundo, quiseram que acreditássemos que não havendo terremotos, vulcões, tornados e outros cataclismas éramos abençoados por Deus. Isso não quer dizer que poderíamos desrespeitar nossa casa, nossa terra.
Essa é uma ideia mais antiga que o Regime Militar, em nosso Hino Nacional podemos criar a imagem de paraíso apenas com uns poucos versos:"... em teu formoso céu, risonho e límpido,...", como se o céu fosse sempre tão amistoso, mas além disso, no Hino, há um verso que eu acho criminoso, é o famoso: "Deitado eternamente em berço esplêndido",... como se a providência divina já tivesse colocado tudo em ordem, aos brasileiro apenas viver o "dolce far niente", afinal "Dos filhos deste solo és mãe gentil...", parece que ninguém vai precisar se esforçar, muita simpatia, muita generosidade e nenhum planejamento. Ficou essa ideia de povo abençoado, onde " em se plantando tudo dá," como se apenas a promessa fosse suficiente.
Somos um povo que não se mobiliza, que aceita desvios de verba, que não cobra autoridades por planejamento e recursos para o desenvolvimento real.
As autoridades brasileiras gostam de palanque em inauguração de ponte, em festa de distribuição de condecoração, mas planejamento, infraestrutura, isso não é com a gente, não!
O Brasil é assolado, ano após ano pelos estragos causados pela chuva, invadimos as encostas, desafiamos a gravidade, não respeitamos o caminho das águas e ingenuamente ainda nos surpreendemos com a força da Natureza.
"Moro num país tropical, abençoado por Deus"- de fato - "E bonito por natureza, mas que beleza", como diz a música de Jorge Ben (antes de ser também Jor).
Já é hora de todos os brasileiros se responsabilizarem, cobrar atitudes condizentes das autoridades competentes, se mobilizarem, cada cidadão tomando para si a responsabilidade de apontar e encaminhar soluções para cada uma das coisas que estão erradas, não é possível aceitar analfabetos, não é possível acreditar que um país rico, que tem milhões de reais para custear as desgraças, não possa ter geólogos trabalhando para monitorar encostas, não possa ter uma linha de crédito para habitação popular de verdade.
Meu desejo é que possamos evoluir e nos transformar em um país realmente grande.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A vida pela televisão

Apesar de todas as promessas de campanha, o Jardim Pantanal está inundado, de novo.
Autoridades "incompetêntes" prometeram drenar o terreno em, pasmem, Abril! Que beleza!
A região serrana do Rio, foi democraticamente assolada pelos deslizamentos (nesse link, a explicação por especialistas) causados pelas trombas d'água, não sobrou nada, tudo foi levado pela lama. Muitos mortos e feridos, alguns resgates milagrosos (o bebê resgatado de um soterramento sem nenhum arranhão, foi salvo pelos braços protetores do pai, a mãe que ao ouvir o deslizamento, acordou os filhos e se protegeu no fundo da casa, nenhum vizinho sobreviveu, a mulher que estava no teto da casa que foi levada pela enchente, resgatada por uma corda jogada de cima de um prédio), muita dor, nenhuma explicação, notícias que se repetem, a Natureza está em seu limite. Desastres como esses vem se repetindo há anos e mais anos.
As emissoras comprometidas com a tragédia, na busca desenfreada por audiência saturam a programação com imagens exclusivas, sem nenhuma edição, são colocados no ar, ao vivo todas as imagens, todas as declarações.
Em meio a tanta calamidade, os repórteres na ânsia de "comunicar" fazem observações inadequadas, perguntas desnecessárias, comentários secundários, hoje, no programa da Ana Maria Braga, uma repórter entrevistava a mulher que salvou a vida dos filhos e perdeu tudo que tinha, a repórter quer uma última declaração: "Apesar de toda essa tragédia você se considera sortuda?". Na Record, enquanto pessoas corriam assustadas, carregando alguma bagagem, a repórter interpela um sobrevivente: "Você só conseguiu salvar isso?","Não", responde o homem, "isso é o que eu consegui receber da Defesa Civil."
Eu entendo que os repórteres também estão assustados e em pânico, mas é preciso ter mais cuidado e respeito com as vítimas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Afogados

Aqui no Brasil o verão é tempo de chuva, muita chuva, sempre foi assim. Já escrevi sobre chuvas e tragédias...
Verão em São Paulo, certeza de inundações, alagamentos e muitos prejuízos.
Se isso fosse uma novidade alguém poderia se assustar, mas não é, não.
São Paulo foi fundada nesse lugar por uma razão muito simples, quando os jesuítas chegaram no planalto de Piratininga o rio Tamanduateí estava cheio, não dava para atravessar, os padres que não tinham onde dormir, armaram um acampamento, foram ficando, fizeram um barrracão, começaram a catequizar os índios, acabaram fundando, no barracão, uma igreja, uma escola...
São Paulo foi fundada por causa da inundação....depois com o desenvolvimento desenfreado a impermeabilização do solo a coisa só piorou, muito.
Os prefeitos até fizeram algum investimento, mas são obras que não dão voto, ficam enterradas no chão, eles gostam mesmo de ponte, túnel... essas coisas mais chamativas.
Estava assistindo o noticiário e vi a cidade que virou mar, a noite de segunda-feira foi uma noite de horrores, mas não foi a primeira, ano passado, em Dezembro os moradores do Jardim Pantanal amargaram semanas até que as águas baixassem.
Em 2004, Martha Suplicy foi fazer uma visita às vítimas de um alagamento, a dona da casa quase saiu no tapa com a prefeita,
O pessoal das redondezas do rio Pirajuçara, ainda se apavorava com qualquer respingo.
Na maior cidade do Hemisfério Sul, muitas pessoas desmarcam seus compromissos quando existe a possibilidade de chuva.
Nesse momento estou pensando seriamente se vou mesmo até o centro da cidade hoje, o céu cinzento e as rajadas de vento, tudo leva a crer que vai cair um toró daqueles!
Esse é o preço do desenvolvimento?
Como transformar isso tudo?
Agora, não tem mais jeito, todos temos que nos responsabilizar, não dá mais para uns ficarem jogando a culpa nos outros.
Ontem, no meio daquele caos, a cidade tomado de água, o Prefeito, talvez num momento de distração, culpa as chuvas e também os "maus-cidadãos", diz que os bueiros foram limpos e os piscinões estão dando conta do recado...
Quanto às chuvas, foram fortes mesmo.
Quanto aos bueiros, eu não sei, mas ano passado, a caos foi igual.
Quanto aos "maus-cidadãos", é muita cara-de-pau, hein? Jogar a responsabilidade, assim, descaradamente, nos moradores, a cidade estaria mais limpa e organizada, caso não existissem os "maus-cidadãos" do Prefeito?
Apesar de todo desenvolvimento a cidade ainda não é totalmente atendida pela coleta de lixo, a rede de esgoto ainda não serve toda a cidade.
Estamos numa sinuca de bico, e agora?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sol com muitas nuvens. Pancadas de chuva à tarde.


Nessa época do ano, quando os jornais e conglomerados de notícias dão férias coletivas aos jornalistas, as notícias são sempre as mesmas.
Falam sobre as contas de Janeiro e as dívidas do Natal, os conselhos dos economistas para negociar os atrasados, os programas para as férias na cidade, divulgam conhecimentos secretos sobre como arrumar malas, dicas de alimentação saudável!
Para não parecer que no Brasil só os jornalistas de São Paulo e Rio existem, abrem espaço para o pessoal de Belo Horizonte falar sobre a lista de material escolar, para a turma de Porto Alegre explicar os cuidados com o azeite na salada! Não muda! Acho que as emissoras fazem um arquivo especial para essa época, e não mudam, nada.
Nem a previsão do tempo está dando motivos para emoções, chuvas esparsas? Sol entre nuvens? O sol vai aparecer? Aqui em São Paulo, o tempo está chuvoso e o texto é quase sempre o mesmo, muita chuva no final do período, estamos mofando!
Agora, para preencher todos os espaços vazios, vem o BBB11(!) e a próxima novela das nove ... dessa nem precisa dizer nada, os atores são mais ou menos os mesmos, o nome dos personagens, é mais ou menos os mesmos, até o nome da novela parece igual, tudo igual, de novo!
Tudo muito velho, tudo meio usado, tudo muito previsível.
Nem estou reclamando, viu, só contando o que eu percebi!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Da janela lateral

Da janela da sala onde o grupo Galera Livre se encontra, temos essa vista, olhando bem, na cumieira da casa há uma figura, um guardião, um sentinela, qual a razão para um cão num lugar desses? Eu tentei descobrir, mas ninguém soube responder.
Curiosidade é meu nome do meio, qual o motivo de colocar um adorno desses na parte de trás da casa?
Há quase um mês estou participando desse projeto, é uma experiência intensa, interessante.
São pessoas que estão em risco social, estão empregados, tem onde morar, mas não estão seguros, ainda não estão completamente salvos, a cada encontro são desvendados mistérios, nos apresentam novos dados, às vezes cruéis, às vezes inusitados.
Para quem não está acostumado, o baque é grande!
Há que morasse na rua, há quem esteja se recuperando de passagens pelo mundo das drogas e dos crimes.
Quem são, de onde vieram, não sabemos, apenas estamos oferecendo a oportunidade de participar de uma atividade sócio-lúdica-pedagógica com objetivo de fortalecer a auto-estima dos participantes.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

No Museu

Semana passada fui dar uma volta no museu.
Não era o MASP, o MAM, ou o MIS, mas é um museu público, o Paço das Artes, em plena Cidade Universitária, rodeado de verde e conhecimento de todos os lados, um espaço amplo e bem planejado.
Foi a primeira vez que eu fui até lá, que decepção, mas que decepção.
Eu não sou crítica de arte, nem acompanho os movimentos artísticos de perto, apenas gosto da experiência apreciativa, fique bem claro, apenas observo, sinto e às vezes penso.
É preciso lembrar da minha vivência em sala de aula, fui professora durante duas décadas, dando aulas para crianças das primeiras séries do Ensino Fundamental e Educação Infantil. Houve um tempo que além das aulas de Português, Matemática, Ciências e Estudos Sociais, eu também atacava no Ateliêr, naquele tempo, quem dava aula de Artes era a professora, portanto, tenho uma intimidade com materiais e técnicas usadas para introduzir o fazer artístico com crianças, adquiridas na prática, com a ajuda valiosa de gente do ramo. Não sei se por economia ou filosofia, naquela escola, polivalência foi levada muito à sério.
A única ajuda efetiva era a presença da Jô e da Elza na sala de artes, as auxiliares da sala, quantas vezes não pedi socorro a elas.
Além das propostas oficiais, eu também me metia em tudo que era opcional, como a pintura de um Outdoor, praticamente uma odisséia, descobrimos, no meio do caminho que a aventura era muito maior que nossa imensa ingenuidade poderia supor!
O caso é que eu sai de lá do museu bem decepcionada, há coisas bem bacanas, mas essas acabaram ficando em segundo plano, mesmo sabendo que a intenção da exposição era mostrar o processo e não exatamente o resultado, foi frustrante.
A arte anda mesmo muito moderna, os artistas lançam mão da tecnologia disponível para alcançar o resultado esperado, e isso é bom, usam o PhotoShop, corte a laser, não vejo problema, a questão é que o visitante tem o direito de ser informado sobre as técnicas usadas.
Estão expostas telas, desenhos, instalações, montagens, colagens, desenho feito com carvão.
Há obras expostas que não é possível identificar como foi feita, não há nenhuma referência, se é óleo sobre tela, se é colagem, por isso a avaliação fica prejudicada.
Nem estou preocupada com a estética, se é bonito ou feio, mas muitas das coisas ali que não me disseram nada, absolutamente nada.
Há uma série de quadros da Ana Elisa Egreja bem interessantes, ricos em detalhes, cheios de padrões e texturas, interessante, no entanto, fui saber, somente quando vim pesquisar na internet, que não são pinturas exatamente, ela lança mão de muita tecnologia... frustrante é não ser avisada disso durante a visitação.
Foram outros trabalhos que me chamaram a tenção, fiquei bastante incomodada, afinal nos meus vinte anos de magistério fui a rainha da sucata, propus um milhão e meio de trabalhos com reutilização de materiais, dos mais minimalistas aos grandes projetos, adquiri, na prática habilidade suficiente para juntar e dar acabamento a qualquer tipo de material, meus alunos fizeram maquetes, instalações e miniaturas, mais de uma vez, megalomaníaca que sou, construimos maquetes gigantescas.
Não foi a primeira vez, já vi em outras mostras obras semelhantes, no entanto dessa vez a coisa extrapolou!
Alguém, que deve ter se casado recentemente, juntou tudo que foi caixa de geladeira, fogão, televisão e montou uma coisa meio cabana, meio amontoado mesmo, juro não entendi! E não é só isso, não! Outro resolveu montar uma figura meio futurista, quase humana e tascou-lhe uma cabeça de HelloKit, e pronto!
Eu não gosto desse tipo de exposição, tenho a sensação que estão querendo questionar minha inteligência, ainda mais num espaço público!
Se a intenção é divulgar a arte comtemporânea que se faça com critério!
Uma construção de papelão, assim, com um monte de fita crepe aparecendo, não é arte, não é!
Aliás devo confessar, já vi exposições em escolas de criança, bem mais legais!
Pronto, falei!

sábado, 3 de julho de 2010

Quanto vale a Infância

A Laura, uma nutricionista interessada em educação alimentar, que foi minha aluna quando tinha uns oito anos, me indicou a leitura desse texto, que apenas comprova o que já foi dito no Super Size, os lanches do Mac Donald's não estragam!
Depois, ela me mandou um link de um filme, "Criança, a alma do negócio", sobre a influência da propaganda no desenvolvimento das crianças.
É só clicar aqui e assistir!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Muito barulho para nada



A Chata-de-Galocha me disse que ia tentar não se estrassar, ela se esforça, mas sabe como é, não é? Não tem moleza, ela só leva canelada e pisão no calo.
Sexta-feira já por natureza é um dia complicado, por alguma razão inexplicável o transito fica complicado, as pessoas na rua mais agitadas.
Sexta-feira com jogo do Brasil, às onze horas da manhã... loucura, loucura, loucura!
Ninguém mandou ela sair de casa, mas ela saiu... não tinha jeito... a entrada do estacionamento do super mercado congestionava o trânsito de toda região, apesar de poucos carros na rua aquela agitação nervosa, todos queriam chegar a algum lugar.
Ela precisou ir a uma magazine adquirir um equipamento necessário para o bom funcionamento dos computadores da casa... até que foi muito fácil encontrar tal artigo, com um desconto bom.
O vendedor praticamente despachou a cliente para o caixa, nunca antes na história desse país uma operadora de caixa datal rede foi tão rápida e eficiente... nada como um objetivo para agilizar as coisas.
Ela chegou em casa de posse do tal equipamento, mas era hora do jogo, o Brasil parou, a Chata-de-Galochas também.
Nossa amiga sente muita dificuldade em entender essa loucura por futebol, afinal o grosso da população não liga muito, tem muita gente que diz que não gosta de futebol, gosta de Copa do Mundo, é tem até uma explicação, é tanta propaganda que as pessoas acabam até acreditando que os jogos são motivos relevantes.
São rojões e foguetório para festejar a entrada dos jogadores em campo, apenas algumas frases musicais dão a entender o hino nacional, de repente o silêncio toma conta da cidade, não se ouve corneta, buzina nem aquele rumor constante dos motores dos carros.
A Chata-de-Galochas é versada em vários assuntos, de cocô de bebê até bomba-atômica, ela tem opinião, sobre futebol, então... podia ser contratada como técnica, no time dela esse tal de Michel Bastos, não jogava .
Que porcaria de jogo, hein? Nem adianta dizer que os jogadores estão cansados de tanta concentração, eles não podem nem pensar uma besteira dessas, eles não sabem, mas aqui no país do futebol o povo trabalha muito mais, e não tem folga, nem férias, nem patrocinador!
Que seja, o caso é que por causa de tanta propaganda o país pára, as pessoas enlouquecem comprando bebidas, bugigangas, camisetas, tudo para torcer pela seleção, na fase de grupos, com o Brasil já classificado? Exagero, não? Muito Carnaval...
Ela me prometeu se controlar, já está se preparando, fazendo uma meditação zen, segunda-feira tem mais!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São João


Meu avô nasceu no dia de São João, além disso o tio dele chamava-se João, foi batizado de João!... Naquele tempo essas coisas eram levadas à sério, ninguém marcava dia para o filho nascer, eles esperavam a hora... uma coincidência dessas era praticamente uma ordem!
Já escrevi sobre meu avô um par de vezes, é só clicar aqui, por exemplo, ou aqui.
Os motivos esquecidos dessa comemoração é a tradição pagã que comemorava a entrada do verão no hemisfério noste, a entrada do inverno é comemorada com o Natal.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Regime, Dieta, Reeducação Alimentar

Essa coisa de emagrecer, perder peso faz parte da minha vida, eu já contei aqui, eu fui uma criança saudável, nunca precisei de remédio para abrir o apetite, aliás, isso, sempre tive de sobra, fui uma criança admirada pelas bochechas coradas... eu não era gorda, e as pessoas de maneira geral não davam muita bola para isso, mas minha mãe dava, e se preocupava, afinal minha irmã era um palitinho, coitada, tão magrela, na comparação a coisa ficava esquisita mesmo! Minha mãe que sempre foi magra não poupava recomendações, além é claro das determinações nada democráticas. Hoje, minha irmã e eu lutamos na mesma direção!
Eu fui criança no tempo de antigamente, as mulheres estavam começando a entender certas coisas, foi no tempo em que apareceu a Twiggy naquela magreza toda, a Brigitte estava cada dia mais linda e a Leila Diniz andava por ai desfilando naquele seu biquini devassado, deixando o corpo à vista.
As muleres quiseram também por a barriguinha de fora, mas nem todas podiam.
Naquele tempo a questão do pesso era simplesmente uma questão estética, a mulherada queria ficar bonita, hoje já aprendemos algumas liçãos, mas naquele tempo... tudo era diferente.
Naquele tempo se fumava até dentro do elevador, na sala de espera de maternidade, em qualquer lugar. Naquele tempo as pessoas usavam bronzeador e pele descascada era sinal de status. Naquele tempo as pessoas bebiam. Naquele tempo não existia cinto de segurança e as pessoas bebiam e dirigiam. Saúde não era uma prioridade.
As mulheres quiseram emagrecer, ninguém tinha ideia de como fazer isso, a receita imediata era para de comer, diminuir a quantidade da comida e pronto. Parece simples, principalmente para os inapetentes, os enjoados, mas se a pessoa está gorda, sinal que o problema dela é exatamente o apetite.
Para resolver esse problema a solução era uma só, antefaminas, os famosos remédios para emagrecer, muitos médicos prescreviam fórmulas que eram manipuladas, a mulherada tomava, falavam engrolado, mas emagreciam.
Havia outra solução, internação, para as endinheiradas havia a Clínica do Dr. Medeiros, uma mansão que ficava ali na Rua Alagoas, foi transformada, mas guardava alguns traços do seu glamour inicial. Os lustres eram de cristal, os corrimões e maçanetas de broze.
A paciente se internava e ficava de cama, acho que administravam drogas pesadas, a mulher dormia e no final das contas acabava emagrecendo. Uma vez, fui com a minha avó visitar alguém que estava lá, achei bem estranho, o quarto que conhecemos, segundo minha avó que conhecia a casa muito bem, morou na casa em frente por muitos anos e era amiga da dona da casa, era a antiga sala de jantar, razão pela qual havia uma parede forrada por um espelho gigantesco. Fiquei imaginando, que coisa chata ficar se olhando no espelho o dia todo, tenho quase certeza que eu perguntei alguma coisa relacionada a isso à paciente que visitávamos.
Esporte, exercícios físicos não faziam parte do negócio, tanto que as pessoas ficavam deitadas!
Depois inventaram que isso não adiantava, que era preciso reaprender a comer, que era preciso fazer exercícios, e finalmente ficou decidido, não existe fórmula mágica, existe o milagre da alimentação balanceada, dos exercícios regulares.
Lembrei disso pois estou pensando seriamente em lançar mão do meu último recusso, cimentar a boca e finalmente emagrecer!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Que seja sempre lembrado


*16 de Novembro de 1922 - Azinhaga, Portugal
+18 de Junho de 2010 - Lazaronte, Ilhas Canárias, Espanha

Morre Saramago...




Um minuto de silêncio em sua homenagem.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Barulho desnecessário

E a "Copa do Mundo é Nossa" começou...
Ela que estava adormecidinha, acordou! A Chata-de-Galochas foi despertada sem nenhum respeito via satélite pelas irritantes cornetas dos estádios de futebol...chamadas, lá na África do Sul de vuvuzelas.
Não é uma coisa incrível? A Chata-de-Galocha está se achando, ela diz que essas malditas cornetas já existem há "milleanni", não há novidade nenhuma, o sorveteiro que passava lá na rua do Itaim já tirava um som desses de um aparelho muito mais criativo! (Uma embalagem de "Veja" conectada a uma corneta), o palmeirense que mora aqui nas redondezas tem uma corneta atrás da cortina, quando é gol do Palestra ele assopra sem dó!
Ela estava toda animada, achava que ia ver uma torcida criativa, cheia de danças e cantos! Achava que iam reinventar a Ola espanhola com o gingado africano, que nada! Está tudo resumido aos irritantes barulhos dessa corneta sem graça!
A sensação é que os africanos foram recém apresentados ao futebol, não existe uma intimidade com o jogo, com as arquibancadas... Ok, é verdade que o público que vai assistir aos jogos do Mundial, não é o mesmo que vai ao estádio no domingão acompanhar as partidas do campeonato local, não é mesmo, mas quando o povo é acostumado, logo o público se acomoda.
O pessoal da televisão está dizendo que o Mundial da África está uma completa desorganização, eles estão sonhando com a organização em 2014? Qual será a fantasia, né?
O caso é que a Chata-de-Galochas está irritadíssima, disse que não dá para assistir os jogos, o barulho via satélite, incomoda.
Engraçado essa coisa de modismo, todo mundo vai na onda sem pestanejar, que coisa mais sem sentido, alguém inventa uma besteira e um monte de gente vai atrás, vira moda! Por aqui o "kit torcedor" é bem mais fornito de traquitanas, quem nunca passou na frente do estádio em dia de jogo... quanta tranqueira que os camelôs são capazes de comercializar! Lá todos ganham, quem inventou essas "vudunzelas" que atrapalham tanto que fazem mais mal que qualquer urucubaca possível, e quem tem tapa-ouvidos em estoque, também ganha... prronto, todos felizes!
Sei lá, né? Eu não vou discordar da Chata-de- Galochas, não! A única vez que eu assisti a um jogo de futebol no estádio foi a final do Santos e Corinthians, em 1984... e a torcida, naquele jogo, foi um espetáculo à parte, todos "unido na mesma emoção", a torcida cantava, se agitava em movimentos sincronizados... uma loucura, a força da multidão é sentida, é visível...
Em 2014, na Copa o Brasil, cada torcida nacional deveria adotar um país participante, para dar aquele calor brasileiro às partidas de futebol! Olha que estou achando bem divertido, hein, os Palmeirenses cuidando da esquadra azzurra, os corinthianos dos espanhóis, Portuguesa, Portuguesa Santista e Vasco da Gama, de Portugal, e assim por diante... nos dias de jogos do Brasil todos ficam liberados e o estádio se pinta de verde-amarelo!
Afinal jogo de futebol tem que ter aquele clima de tensão e expectativa que só o torcedor fanático é capaz de gerar... o primeiro jogo do Brasil é hoje... quero só ver... vou dar um Lexotan pra ela e curtir a partida!
Devo concordar com ela, esse barulho todo é desnessessário... torcida é outra coisa!

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados


Sábado gelado em São Paulo, Junho, data propícia para festa junina em todas as escolas da cidade, nenhuma novidade, e lá fomos nós.
O de sempre, bandeirolas, barracas com brincadeiras bobas, churrasco quase queimado, quentão frio, vinho-quente demais, aqueles doces coloridos e sem gosto, invenções para encher linguiça, sonorização péssima, narrador pior ainda, sorteio meio estranho, com distribuição de camisetas de um certo time de futebol, por ser época de copa, toda decoração é em verde-amarelo, todo mundo já viu esse filme antes.
Até aí, "morreu o Neves", se você não sabe o que é isso, pergunta para alguém mais velho, em determinado momento sentei num canto, com as pernas já cansadas, tendo que esperar pela famigerada quadrilha.
Já ouvi, mais de uma vez, que eu sou indiscreta, que eu fico prestando atenção na conversa dos outros, isso é quase verdade, afinal os outros ficam conversando na minha frente, falando sem nehuma discrição, veja só que curioso.
Estava um frio daqueles, o vento batia e gelava a alma. Em determinados lugares era mais frio que outros, encontrei um cantinho que estava protegido do frio cortante e sentei.
Num instante, sentou-se ao meu lado uma mulher, ficou em pé na sua frente um homem, que eu achei que fosse o marido, eu não ia levantar, claro, afinal eu já sou uma senhora de uma certa idade, né?
Ai, o dito casal começa a travar uma conversa, de teor duvidoso... Ok, ok, não é da minha conta, peguei meu celular e comecei a escrever uma mensagem, enorme aliás!
Vamos combinar, certas conversas devem acontecer "entre quatro paredes de portas fechadas", já dizia Sartre, o inferno são os outros!
Estávamos lá, todos dividindo o mesmo espaço, a mesma barulheira ensurdecedora e o jovem casal começa a ter uma "DR", ali mesmo, ai-meu-deus, juro que eu não quero saber de nada, mas não vou levantar daqui. Ele começou a se desculpar(?) se de alguma forma magoou a moça, ai comecei a entender, ela questionava alguma coisa relacionada a dinheiro, ele depositou dinheiro para outra mulher... vixe a coisa vai ficar quente!
E eu lá, sofrendo de frio, escrevendo minha mensagem para um destinatario fictício!
Então, os dois já não eram mais casados, ele trocou a mulher por outra, agora está miguelando a pensão e ainda por cima se desculpa se por acaso tenha magoado a moça, não era essa a intenção dele! Puxa, essa me emocionou, que magnânimo ele é, não é?
O interessante é que os dois estavam lá, e juntos!
Dali a pouco a moça se levantou e sumiu... ele ficou por ali, olhando o nada, com cara de peixe fora da água, cego em tiroteio.
Eu, por minha vez fiquei pensando, por qual razão, motivo ou circuntância que o casal, recém separado, cheio de questões para resolver, combina de ir à festa na escola, junto, para quê? Talvez para fingir alguma coisa para o filho? É muita culpa, minha gente, fraqueza mesmo.
Se tivessem pedido minha opinião eu sugeriria que eles, antes de enfrentar situações sociais juntos, resolvessem as pendências em particular, num campo neutro, sem plateia, ou se quisessem muito se expor, deveriam mandar uma carta para a Márcia Goldsmith, ai é barraco via satélite em rede nacional, mais divertido, no mínimo.
Fiquei pensando nessa criança, que eu não sei ser menino ou menina, recebendo todo tipo de informação distorcida, a mãe falando os maiores impropérios velados sobre o pai, o pai se perdoando exageradamente, escondendo a nova "namorada", afinal ele tem pressa em ser feliz, e a felicidade está em outro lugar, esse ai, como tantos outros não aprenderam, ainda que a felicidade é algo a ser construído, o filho, esse tem tempo para ser feliz, mais tarde, agora é só manter as aparências!
Ai, fiquei enjoada com tanta mentira!