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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Tempo de Arrumação
- Matilde! ô Matilde....
- Estou aqui, Adelaide, aqui no quarto!
- Que que é isso, minha filha?
- Meu ascendente em Virgem!
- A Virgem que mora em você não vai deixar pedra sobre pedra no guarda-roupa do Lorival?
- Estou dando uma geral, nunca vi alguém para fazer bagunça e depois reclamar não encontra nada!
- Matilde, olha lá que você está fazendo! Não vai inventar de se livrar de coisas que não são suas, hein!
- Se o Lorival deixasse, eu bem que me livrava! Só estou arrumando! Apesar de achar que ele nunca mais vai usar esse blazer tamanho 42!
- Deixa ai, menina! Depois ele lembra do tal blazer e vai brigar com você...
- Não vou jogar nada fora, não!
- Não sabia que você gostava tanto de fazer arrumação!
- Quem disse que eu gosto! É ela, a virgem... ela é cismada, uma vez por ano ela baixa aqui em casa, ai meu deus! não tem jeito é uma semana de tira e põe!
- Se você quiser, pode ir lá em casa, tem um monte de armários pedindo uma arrumação!
-Pois é, para mim isso é pessoal e intransferivel, não dá para pedir para outra pessoa fazer no seu lugar!
Ainda por cima tem data marcada para acontecer, no começo do ano, ou seja é agora! Pena que o sol está tão acanhado... eu queria colocar tudo no varal lá no quintal! Para dar uma arejada!
A Matilde tem sorte, ela só precisa arrumar as coisas dela e do Lorival, eu que tenho a casa um pouco mais habitada, preciso, além de arrumar as minhas coisas preciso ficar no pé de pá de gente para que cada um faça a sua própria arrumação!
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Quem quer ser um milionário?
- Matilde, pode ir se preparando, arrume as malas, as suas e do Lorival, pois, dessa vez a Mega-Sena já tem dona! Eu!- Ué? Quando foi esse sorteio?
- Ai, Matilde, o sorteio é no dia 31, é que dessa vez eu estou sentindo, eu vou ganhar!
- E onde é que eu entro nesse seu sonho, Adelaide?
- Nele todo! Assim que o resultado sair a gente fecha as casas e vai para um hotel, pode ser o Mofarej, o Hilton, um desses, a gente aluga a suíte presidencial para esperar a hora do banco abrir!
- E a gente vai morar no hotel?
- Claro que não, Matilde!
- Depois de transferir o dinheiro para a conta,a gente volta para o hotel, almoça e eu chamo o despachante e o agente de viagens, mando fazer nossos passaportes e compramos as passagens para Paris, fazemos umas compras e visitamos o Louvre, mas uma visita master, uma semana indo todo dia, depois a gente vai fazer o tour do vinho...
- Ih, Matilde, me inclua fora dessa! Você sabe que eu sou fraca para bebida!
- Não se preocupe, Matilde, eu já pensei nisso! Você não vai beber, Quem vai beber sou eu e o Lorival, você vai cuidar da gente!- Ai, Adelaide... você só me arranja serviço!
- Não reclama, não, que você vai adorar meu plano!
- Quer dizer que eu e o Lorival já temos lugar cativo na sua fortuna?
- Claro, eu não dou conta de gastar R$ 200.000.000,00 sozinha!
- E o trabalho do Lorival? Ele vai ter que pedir a conta? A gente vai viver de vento?
- Ai, Matildinha, como você é tolinha! Vocês são minha família, vou dividir o dinheiro com vocês!
-Ah.... obrigada!
-Pois é, como eu sei que o Lorival gosta de ficar em casa eu já imaginei um plano perfeito para levá-lo com a gente! Nós vamos acompanhar o circo da Fórmula Um?- Desde quando, Adelaide você gosta de Formula Um?
- Desde que eu fiquei milionária, nós vamos fazer turismo enquanto o Lorival vai assistir a todas as corridas, começamos pela Austrália, chegamos lá duas semanas antes da corrida, visitamos os corais e as cidades, tudo, assistimos a corrida e seguimos para a Malásia... e assim até chegarmos no Brasil em novembro.
- E ai a gente volta para casa, que depois de um ano sem uma faxina virou o maravilhoso mundo dos ácaros?
- Deixa de ser bobinha, Matilde! A gente volta para o hotel e vamos decidir onde morar.... escolhemos duas casas num bairro bem chique, uma vizinha da outra, mandamos reformar decorar e depois mudamos! Até ai gastamos mais ou menos uns dois ou três milhões....
- Olha, Adelaide, o sorteio vai começar, pega o volante!
- Já está aqui, na mão!
- Quer uma caneta?- Ai, Matilde, estou nervosa!
- 03, 04! Você acertou esses números?
- Ai que chato, Matilde, não acertei nem esses nem o 36, nem o 45, nem o 55, só o 29, Matilde!
- Só o 29, Adelaide!
- Pois é, Martilde, não foi dessa vez, quem sabe no próximo sorteio! Os planos já estão feitos!
-Então vou fazer a farofa que a ceia vai ser na minha casa!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Corações Apaixonados
- Doente? Não, doente ela não está não... ela está triste, confusa!
- Que aconteceu com ela?
- Ihhhhh... brigou com o namorado!
- Verdade? Mas eles se davam tão bem... estavam sempre juntos, sempre numa boa, o que aconteceu?
- Pois é, não entendi direito, parece que ela queria dar uma chacoalhada nele e o tiro saiu pela culatra! Chacoalhou demais, chacoalhou tanto que azedou!
- Mas será que eles não voltam? Não fazem as pazes?
- Se voltam eu não sei, só sei que não gosto de ver ela nesse estado. Assim tão amuadinha.
- Mas não foi ela que terminou?
- Foi, mas eu acho que não era isso que ela queria!
- Ai como é difícil entender essa juventude!
- Ela fica chorando pelos cantos, sofrendo, quando a gente vai falar alguma coisa ela fica brava, diz que tem o direito de estar sentindo... direito ela tem, mas não precisa ficar mal-educada!
- Matilde, deixa a menina curtir a dor de cotovelo!
- Deixar a gente deixa, mas parece que ela gosta de um drama... acho que ela assistiu muita novela mexicana quando era pequena, mas eu fico preocupada, ela nunca foi disso!
- Primeiro namorado?
- Não, mas o mais sério, antes ela namorava, desmanchava e a gente nem ficava sabendo, tirava de letra, mas agora, eu acho, que a coisa não ficou como ela queria... hora diz que nunca mais vai falar com ele, depois manda mensagem, conversa pelo computador, ele diz que a ama, mas está confuso, ai ela fica mais confusa ainda.
- Difícil não dar palpite, não é?
- Difícil, ninguém quer ficar dando lição de moral, dizendo o certo o errado... mas também não quer que ela fique sofrendo... ela é uma menina equilibrada... e o sofrimento faz parte da história dela e do namorado...
- Matilde, você não quer ficar de "tia velha", você não é fácil!
- Também, Adelaide, também, eu queria que ela soubesse que isso passa, não é para sempre! Precisa curtir esse momento um pouquinho até para saber o que quer fazer daqui para frente!
- Chama ela aqui para a gente dar um trato no cabelo dela, fazemos uma massagem.. você vai ver como ela vai ficar mais alegrinha!
- Distraída, pelo menos!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Acidentes acontecem
- Matilde! Como isso foi acontecer, minha filha?
- Adelaide, foi um acidente! Não fica olhando que eu tenho aflição!
- Quem está olhando sou eu, deixa eu ficar com a minha própria aflição! Não foi o Lorival que fez isso, foi?
- Imagine, Adelaide, foi um acidente, esse é o tipo de coisa que faço sozinha, não preciso de ajuda!
- Isso está muito feio! Você passou alguma coisa?
- Na hora coloquei gelo, depois uma pomada própria!
- Aquela amarela?
- Não, aquela era a que minha avó usava para esse tipo de acidente!
- Não acredito que sua avó se acidentasse como você!
- Era pior! Ela inventava tratamentos. Ela era hipocondríaca, tinha conta na farmácia... vira e mexe ia bater um papo com o farmacêutico para conhecer as novidades!
- Quer dizer que é hereditário?
- Deve ser!
- O que aconteceu, afinal?
- Estava um frio daqueles, o Lorival e eu estávamos assistido um DVD, resolvi fazer um chá, escolhi uma xícara maior que o normal, voltei com a xícara, com o cobertor, só faltava me ajeitar no sofá.
- Matilde, você deveria ser interditada!
- Tudo estava tão bem, ai não sei como o chá caiu na minha perna! A pele soltou na mesma hora, agora só arde um pouco.
- Você é fogo, hein, Matilde!
- Uma astróloga me disse que o meu elemento é o fogo e eu tenho que tomar cuidado com ele!
- O Lorival tem razão, você não toma cuidado, por isso se machuca!
- Agora chega de conversa e me ajuda com essa pomada... cuidado que dói!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
As reflexões da Matilde

Matilde está se estranhando, ela sempre foi sonhadora e engajada, meteu-se em tudo quanto foi causa, abraçou árvore condenada, acorrentou-se em portões de velhos casarões exigindo o tombamento, não a implosão do imóvel. Dizem por aí que ela é ingênua, não percebe a malícia das pessoas.
Lorival fica impressionado, às vezes chama a pobre da Matilde de Polyanna.
Pollyanna, não Matilde está encafifada.
A Adelaide está determinada, precisa e quer emagrecer, já faz uns meses que decidiu perder uns dez quilos, para isso reduziu as porções, fracionou as refeições, não passa fome, deixou de consumir líquidos nas refeições, está tomando uns quatro litros de água por dia, nem se empanturra durante as refeições, está tão decidida, a Adelaide que passou a acordar mais cedo para fazer ginástica, ela está emagrecendo sim... a balança nem sempre é tão generosa quanto as calças penduradas no armário a espera de serem vestidas.
Para animar a amiga, Matilde pegou umas fotos do último Natal e comparou com as fotos que elas tiraram outro dia, a diferença é impressionante.
Ontem, Matilde encontrou uma conhecida na rua, fazia uns três meses que não se viam, a tal conhecida sempre foi gorda, o único exercício que fazia era ir até geladeira. Matilde sabia que ela estava fazendo regime, afinal, quem não está!
Matilde ficou boba, a mulher está magra, ela está uma verdadeira ex-bbb, não sobrou nem sombra do que um dia foram as bochechas, bunda, barriga..., muito magra.
Apesar de ser meio maluca, Matilde achou que a tal conhecida tivesse feito a cirurgia bariátrica, mas se controlou, aprendeu ccom o Lorival dar corda para que o outro se enforque, não entregar o prato-feito.
"Como você está linda! Eu quero a receita, hein!" - a outra responde que agora não janta, que se jogou nas frutas e está correndo. "Mas que beleza...você está tomando remédio?" - não, disse a outra, está se controlando, substituiu o pão branco por pão integral e come uma colher de sopa de aveia para baixar o colesterol.
Matilde ficou lá, com aquela cara de "Ah é?", de me engana que eu gosto. depois de se despedir, Matilde ainda deu uma olhada, não é possível, ela se jogou nas frutas? Quando fica desesperada de fome come cinco bananas? Coitada da Adelaide, tão esforçada e não conseguiu perder esses trinta quilos em três meses!
Voltou para casa com a cara de paisagem que ganhou durante a conversa com a conhecida, ficou remoendo, tentando entender... mas Matilde é ingênua, não percebe que tem gente que mente na maior cara de pau, e nem se constrange!
Ela está com vontade de contar o caso para a Adelaide, mas achou melhor esperar, a Adelaide precisa ver com os próprios olhos!
Lorival fica impressionado, às vezes chama a pobre da Matilde de Polyanna.
Pollyanna, não Matilde está encafifada.
A Adelaide está determinada, precisa e quer emagrecer, já faz uns meses que decidiu perder uns dez quilos, para isso reduziu as porções, fracionou as refeições, não passa fome, deixou de consumir líquidos nas refeições, está tomando uns quatro litros de água por dia, nem se empanturra durante as refeições, está tão decidida, a Adelaide que passou a acordar mais cedo para fazer ginástica, ela está emagrecendo sim... a balança nem sempre é tão generosa quanto as calças penduradas no armário a espera de serem vestidas.
Para animar a amiga, Matilde pegou umas fotos do último Natal e comparou com as fotos que elas tiraram outro dia, a diferença é impressionante.
Ontem, Matilde encontrou uma conhecida na rua, fazia uns três meses que não se viam, a tal conhecida sempre foi gorda, o único exercício que fazia era ir até geladeira. Matilde sabia que ela estava fazendo regime, afinal, quem não está!
Matilde ficou boba, a mulher está magra, ela está uma verdadeira ex-bbb, não sobrou nem sombra do que um dia foram as bochechas, bunda, barriga..., muito magra.
Apesar de ser meio maluca, Matilde achou que a tal conhecida tivesse feito a cirurgia bariátrica, mas se controlou, aprendeu ccom o Lorival dar corda para que o outro se enforque, não entregar o prato-feito.
"Como você está linda! Eu quero a receita, hein!" - a outra responde que agora não janta, que se jogou nas frutas e está correndo. "Mas que beleza...você está tomando remédio?" - não, disse a outra, está se controlando, substituiu o pão branco por pão integral e come uma colher de sopa de aveia para baixar o colesterol.
Matilde ficou lá, com aquela cara de "Ah é?", de me engana que eu gosto. depois de se despedir, Matilde ainda deu uma olhada, não é possível, ela se jogou nas frutas? Quando fica desesperada de fome come cinco bananas? Coitada da Adelaide, tão esforçada e não conseguiu perder esses trinta quilos em três meses!
Voltou para casa com a cara de paisagem que ganhou durante a conversa com a conhecida, ficou remoendo, tentando entender... mas Matilde é ingênua, não percebe que tem gente que mente na maior cara de pau, e nem se constrange!
Ela está com vontade de contar o caso para a Adelaide, mas achou melhor esperar, a Adelaide precisa ver com os próprios olhos!
quinta-feira, 10 de março de 2011
Adelaide's Beauty

- Ai Adelaide, tá doendo!
- Deixa de exagero, Matilde! Você quer ficar bonita e sacudida ou confortável e barangoza? É só escolher!
- Eu não tenho escolha, você está me segurando!
- Matilde, não reclama, você sabe quanto eu cobro das minhas clientes! Isso é tratamento de primeira linha!
- Você faz primeiro em mim para aprender como esssa geringonça funciona! Quero ver, amanhã a polícia vem aqui para saber porquê de tanto grito!
- Fica quietinha, que agora eu vou dar uma carga maior aqui!
- Ai! Você escolheu essa profissão para poder judiar das clientes e ainda receber por isso!
- Fecha o olho, um pouquinho, segura aqui, ó!
- Além de sentir dor eu ainda tenho que ajudar?
- Vai ficar lindo, mal posso esperar pelo resultado!
- Nem eu!
- O Lorival vai adorar, você está ficando muito gata!
- Para que serve isso?
- É só para dar uma levantada! Você vai ficar boba!
- Boba eu já sou, né, Adelaide, de deixar você fazer isso comigo!
- Para de falar que já está endurecendo, quando secar vou deixar por 40 minutos antes de tirar!
- Ai, Adelaide, ese eu não conseguir respirar?
- Você está respirando, agora do outro lado...
- Ai....Chega, já tá bom,já estou gata o suficiente!
- Matilde, para de reclamação, já está quase acabando. Se amanhã a pele ficar muito vermelha tem que fazer uma máscara calmante, e nada de sol!
- Hum?
- Olha que delícia, você não está gostando?
- Hã? Hum hum hummmm!
- Pronto, já secou.... vamos ver, vou colocar o despertador para 50 minutos... vou colocar uma musiquinha bem calminha, com som de cachoeira e já volto para tirar isso tudo de você!
-Hum, humm hum hummmmm...
(*) Continua! (Clique no *)
sábado, 5 de março de 2011
Outra crise de Matilde
Adelaide, não gosto de sirigaita oferecida. Se estiver se oferecendo para o lado do Lorival, está perdida, nem sei do que sou capaz, viu?

Imagine só, Adelaide, fomos tomar um chopp, comer uns pastéis, num boteco lá na cidade, dizem que o samba de lá é bom, logo notei que o lugar estava cheio de avulsas, eu não ligo, cada um na sua, de repente, aparece uma fulana exibida que só, veio pedir um cigarro para o Lorival, ele deu, ela pediu fogo, ele ofereceu o isqueiro, você sabe, né, Adelaide, ele acende o cigarro de todo mundo, ele não deixa o isqueiro de estimação dele na mão de ninguém, a periguete segurou a mão dele, toda cheia de dengo, ai que raiva, Adelaide, eu olhei feio, ela deu um risinho malicioso e ainda soltou um "depois a gente se vê, bonitão", depois a gente se vê? ai, Adelaide, o sangue subiu, todo chopp que estava no meu copo foi parar na cara da metida, ela ficou toda molhada e fedida, o Lorival ficou pasmo!
Não, Adelaide eu não sou ciumenta, não, nem paranóica, imagine Adelaide, eu sou tão equilibrada!
Ciúme é doença? Eu não sou doente, não! Aliás, eu li, uma vez que o remédio para o ciúme é a positividade, você diz que homem não gosta de mulher que se faz de vítima, não é Adelaide? Você acha que jogar o chopp na cara da fulana foi sinal de posivitidade? Como não, Adelaide?
Adelaide, eu não sou ciu
menta, sou cuidadosa, imagine, deixar o Lorival ter perfil no Facebook?
Vou deixar meu marido dando sopa? Tem muita mulher oferecida nessas redes sociais, vou deixar ele se expôr na rede? Tá louca?
Como exagerada, Adelaide? Só por eu ter conferido a conta do celular e ligado para aquele número que eu não conhecia? Claro que era esquisito, foram feitas várias ligações para aquele número em poucos dias, só queria conferir! Eu sei, eu sei, Adelaide, eu não deveria ter ligado e xingado a dona do telefone! O pior foi ela ter reconhecido minha voz! Eu sei, Adelaide era o número da minha médica, eu que tinha ligado para ela, naquela época eu não tinha celular!
Adelaide, você sabe, Adelaide, eu me controlo! Eu não gosto de me fazer de louca! Vou me controlar, Adelaide!
Você acha que eu tenho que parar de abrir a correspondência dele, Adelaide?
Claro que confio, de olhos fechados, eu não confio é na mulherada, um homem bonitão como o Lorival, tenho que marcar presença!
Você acha mesmo, Adelaide? Delirando? Doença? Você acha, Adelaide, que homem nenhum gosta de marcação cerrada? O Lorival também não? Você acha, Adelaide? Você acha que eu devo conversar com ele? Pergunatr se ele gosta?
Obrigada, Adelaide! Eu gosto de ouvir seus conselhos! Tá bom! Depois eu te ligo, beijo.
Não, Adelaide eu não sou ciumenta, não, nem paranóica, imagine Adelaide, eu sou tão equilibrada!
Ciúme é doença? Eu não sou doente, não! Aliás, eu li, uma vez que o remédio para o ciúme é a positividade, você diz que homem não gosta de mulher que se faz de vítima, não é Adelaide? Você acha que jogar o chopp na cara da fulana foi sinal de posivitidade? Como não, Adelaide?
Adelaide, eu não sou ciu
menta, sou cuidadosa, imagine, deixar o Lorival ter perfil no Facebook?Vou deixar meu marido dando sopa? Tem muita mulher oferecida nessas redes sociais, vou deixar ele se expôr na rede? Tá louca?
Como exagerada, Adelaide? Só por eu ter conferido a conta do celular e ligado para aquele número que eu não conhecia? Claro que era esquisito, foram feitas várias ligações para aquele número em poucos dias, só queria conferir! Eu sei, eu sei, Adelaide, eu não deveria ter ligado e xingado a dona do telefone! O pior foi ela ter reconhecido minha voz! Eu sei, Adelaide era o número da minha médica, eu que tinha ligado para ela, naquela época eu não tinha celular!

Adelaide, você sabe, Adelaide, eu me controlo! Eu não gosto de me fazer de louca! Vou me controlar, Adelaide!
Você acha que eu tenho que parar de abrir a correspondência dele, Adelaide?
Claro que confio, de olhos fechados, eu não confio é na mulherada, um homem bonitão como o Lorival, tenho que marcar presença!
Você acha mesmo, Adelaide? Delirando? Doença? Você acha, Adelaide, que homem nenhum gosta de marcação cerrada? O Lorival também não? Você acha, Adelaide? Você acha que eu devo conversar com ele? Pergunatr se ele gosta?
Obrigada, Adelaide! Eu gosto de ouvir seus conselhos! Tá bom! Depois eu te ligo, beijo.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Matilde, Drogas e Carnaval
A única experiência com drogas de Matilde até aquela data, havia sido com lança-perfumes num baile de carnaval, a amiga, muito animada fez Matilde experimentar sem que ela soubesse do que se tratava, em um instante Matilde começou a se sentir estranha, os pés já não tocavam o chão, precisou se segurar para não voar.Depois dessa ocasião, Matilde nunca mais havia tido nenhum tipo de contato com qualquer substância ilícita, química ou natural, nada, nem o vocabulário usual ela entendia, talvez os amigos percebessem que ela não precisava dessas coisas, ela estava sempre "numa boa".
Já namorava o Lorival há um certo tempo e com amigos combinaram de passar um feriado num sítio no meio do mato, longe de qualquer lembrança de civilização, muitos moços e moças, alguns namoravam outros não.
Por motivo de divertimento tudo se organiza com muita rapidez, foram ao hipermercado, fizeram uma grande compra de víveres para os cinco dias da viagem. Enquanto estivessem lá, ninguém precisaria sair para providênciar qualquer coisa. As moças até fizeram um cardápio com sugestões de pratos gostosos e fáceis, sobremesas e lanches. Tudo acertado, pé na estrada.
Matilde percebia que um dos amigos do Lorival era um pouco estranho, sempre com aqueles olhos vermelhos, falando arrastado, rindo a toa, coitado vai ver é meio bobo mesmo.
Um dia depois do almoço, a namorada desse fulano, uma loira comprida, veio falar com a Matilde, estava muito brava. Imagine, Matilde, o fulano me prometeu que iria parar de fumar maconha, e olha só o
que ele trouxe? O que é isso? Maconha, Matilde, você nunca viu? Não!
A loira estava furiosa, e resolveu pegar um tanto da erva e convidou a Matilde para dar uma fumadinha com ela.
A loira estava descompensada, tinha que ir bem longe, para ninguém sentir o cheiro.
Matilde, que ainda nem sonhava em dizer não a ninguém, resolveu acompanhar a amiga, a loira andando decidida, queria ir até o curral, era longe até para ir no lombo de burro, as duas andaram e andaram.
Ao chegar lá as duas se sentaram na mureta, ficaram olhando a paisagem, aquele pasto enorme, o caminho que vinha da montanha, as vaquinhas que sossegadas andavam pelo capim, a loira toda entendida tira do bolso uma coisa sem formato definido e começa a soltar tudo até que ficou em pedacinhos, puxou um papelzinho fino, colocou os pedacinhos no meio e enrolou, apertou e acendeu.
Matilde estava curiosa, a loira dá umas tragadinhas um pouco recatadas e oferece o ci
garrinho para Matilde dizendo não querer mais.
Matilde que nunca foi do meio termo, achou que aquilo se fumava como um cigarro qualquer, fumou, enquanto a loira reclamava do namorado isso, que o namorado aquilo.
Matilde percebeu, de repente, um arco-íris no meio do pasto, coisa mais linda, Matilde viu as vacas correndo para o arco-íris, Matilde achou aquilo meio esquisito mas muito engraçado, aquelas eram vacas loucas (ainda não se falava da doença que acometeu os rebanhos do mundo nos anos 2000).
Começou a chover, uma chuva quente de verão, a loira resolveu voltar para casa, Matilde acompanhou.
O caminho era longo e a chuva era forte, a loira comprida tinha uma perna que andava mais que as pernas curtas da Matilde, Matilde começou a correr para acompanhar a loira.
Foi ai que Matilde per
cebeu não ter mais pés, percebeu que flutuava, não sentia nada, apenas observava uma situação inusitada, parecia que estava sonhando, a loira andava muito rápido, Matilde segurou a loira pelo braço e pediu, vai mais devagar, a loira parecia assutada, não imaginou que alguém pudesse ficar daquele jeito só de fumar um pouquinho.
A loira não sabe, mas Matilde não é todo mundo.
Quando as duas chegaram na casa, o fulano e a loira começaram a brigar. Matilde não estava interessada em brigas, começou a rir.
Lorival percebeu que Matilde tinha passado da conta, segurou a mão dela, sugeriu que ela comesse um pedaço de bolo que alguém tinha acabado de assar.
Uma delícia, Matilde comeu um, comeu dois pedaços, comeu o bolo todo sem deixar vestígios.
Matilde dizia que se corpo não estava ali, ela não estava sentindo seus membros, enquanto comia, Matilde falava, falava e falava, Matilde estava assustada, imaginou
que se falasse não sumiria, afinal, onde estaria seu corpo?
Lorival sugeriu que ela se deitasse um pouco, Tá louco, né? Lorival, deitar?
Matilde achou melhor obedecer, deitou e pegou o livro da loira, loira inteligente, estava lendo Simone de Beauvoir, Quando o Espiritual Domina, Matilde achou o livro o máximo, leu um monte antes da loira confiscar o livro.
Matilde tentou dormir, mas a cama estava sacolejando, depois que a loucura passou, Matilde prometeu para si mesmo que nunca mais experimentaria qualquer outro tipo de droga, ela sabe, é fraca mesmo, prefere não arriscar, vai que o corpo suma mesmo, ninguém aguenta a Matilde tentando se salvar através da palavra!
Matilde ainda se pergunta, a loira estava brava com o namorado, então porque raios, pegou o fumo do namorado? Se encontrar com a loira, prometeu a si mesma que vai perguntar!

Já namorava o Lorival há um certo tempo e com amigos combinaram de passar um feriado num sítio no meio do mato, longe de qualquer lembrança de civilização, muitos moços e moças, alguns namoravam outros não.
Por motivo de divertimento tudo se organiza com muita rapidez, foram ao hipermercado, fizeram uma grande compra de víveres para os cinco dias da viagem. Enquanto estivessem lá, ninguém precisaria sair para providênciar qualquer coisa. As moças até fizeram um cardápio com sugestões de pratos gostosos e fáceis, sobremesas e lanches. Tudo acertado, pé na estrada.
Matilde percebia que um dos amigos do Lorival era um pouco estranho, sempre com aqueles olhos vermelhos, falando arrastado, rindo a toa, coitado vai ver é meio bobo mesmo.
Um dia depois do almoço, a namorada desse fulano, uma loira comprida, veio falar com a Matilde, estava muito brava. Imagine, Matilde, o fulano me prometeu que iria parar de fumar maconha, e olha só o
que ele trouxe? O que é isso? Maconha, Matilde, você nunca viu? Não!A loira estava furiosa, e resolveu pegar um tanto da erva e convidou a Matilde para dar uma fumadinha com ela.
A loira estava descompensada, tinha que ir bem longe, para ninguém sentir o cheiro.
Matilde, que ainda nem sonhava em dizer não a ninguém, resolveu acompanhar a amiga, a loira andando decidida, queria ir até o curral, era longe até para ir no lombo de burro, as duas andaram e andaram.
Ao chegar lá as duas se sentaram na mureta, ficaram olhando a paisagem, aquele pasto enorme, o caminho que vinha da montanha, as vaquinhas que sossegadas andavam pelo capim, a loira toda entendida tira do bolso uma coisa sem formato definido e começa a soltar tudo até que ficou em pedacinhos, puxou um papelzinho fino, colocou os pedacinhos no meio e enrolou, apertou e acendeu.
Matilde estava curiosa, a loira dá umas tragadinhas um pouco recatadas e oferece o ci
garrinho para Matilde dizendo não querer mais.Matilde que nunca foi do meio termo, achou que aquilo se fumava como um cigarro qualquer, fumou, enquanto a loira reclamava do namorado isso, que o namorado aquilo.
Matilde percebeu, de repente, um arco-íris no meio do pasto, coisa mais linda, Matilde viu as vacas correndo para o arco-íris, Matilde achou aquilo meio esquisito mas muito engraçado, aquelas eram vacas loucas (ainda não se falava da doença que acometeu os rebanhos do mundo nos anos 2000).
Começou a chover, uma chuva quente de verão, a loira resolveu voltar para casa, Matilde acompanhou.
O caminho era longo e a chuva era forte, a loira comprida tinha uma perna que andava mais que as pernas curtas da Matilde, Matilde começou a correr para acompanhar a loira.
Foi ai que Matilde per
cebeu não ter mais pés, percebeu que flutuava, não sentia nada, apenas observava uma situação inusitada, parecia que estava sonhando, a loira andava muito rápido, Matilde segurou a loira pelo braço e pediu, vai mais devagar, a loira parecia assutada, não imaginou que alguém pudesse ficar daquele jeito só de fumar um pouquinho.A loira não sabe, mas Matilde não é todo mundo.
Quando as duas chegaram na casa, o fulano e a loira começaram a brigar. Matilde não estava interessada em brigas, começou a rir.
Lorival percebeu que Matilde tinha passado da conta, segurou a mão dela, sugeriu que ela comesse um pedaço de bolo que alguém tinha acabado de assar.
Uma delícia, Matilde comeu um, comeu dois pedaços, comeu o bolo todo sem deixar vestígios.
Matilde dizia que se corpo não estava ali, ela não estava sentindo seus membros, enquanto comia, Matilde falava, falava e falava, Matilde estava assustada, imaginou
que se falasse não sumiria, afinal, onde estaria seu corpo?Lorival sugeriu que ela se deitasse um pouco, Tá louco, né? Lorival, deitar?
Matilde achou melhor obedecer, deitou e pegou o livro da loira, loira inteligente, estava lendo Simone de Beauvoir, Quando o Espiritual Domina, Matilde achou o livro o máximo, leu um monte antes da loira confiscar o livro.
Matilde tentou dormir, mas a cama estava sacolejando, depois que a loucura passou, Matilde prometeu para si mesmo que nunca mais experimentaria qualquer outro tipo de droga, ela sabe, é fraca mesmo, prefere não arriscar, vai que o corpo suma mesmo, ninguém aguenta a Matilde tentando se salvar através da palavra!
Matilde ainda se pergunta, a loira estava brava com o namorado, então porque raios, pegou o fumo do namorado? Se encontrar com a loira, prometeu a si mesma que vai perguntar!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
A grande faxina
Matilde resolveu que a casa dela estava atolada de tranqueiras, fez a limpa, sobrou quase nada nos armários, gavetas e maleiros.Soube por uma amiga que havia uma loja de trocas, Matilde se animou, trocar suas tranqueiras por utensílios de primeira necessidade.
Juntou sapatos forrados de cetim, um jogo de chá de porcelana com motivos orientais, seu vestido de noiva, uma estola de vison, uns paletós do Lorival, alguns livros da faculdade, uns bibbelôs e um televisor sete polegadas do Lorival.

Toda contente, certa de estar se livrando do peso extra, atravessou a cidade até o tal estabelecimento.
Uma mulher de cabelos cor de cenoura, unhas rosa-choque recebeu Matilde na maior simpatia, seus olhos faiscavam cada vez que Matilde puxava de dentro da sacola uma de suas porcarias.
Segundo a conta da fulana, Matilde tinha um crédito de 500.000 cruzeiros.
Toda animada, Matilde se pôs a procurar as utilidades espalhadas nas estantes da loja, cada objeto tinha uma etiqueta indicando o valor, logo Matilde constatou que
seu crédito não era muito, teve vontade de ir embora, não estava encontrando as tais utilidades.Acabou levando para casa duas perucas, três pares de óculos, um castiçal Luís XVI e um par de galos de prata.
Chegou em casa toda pampeira, achando que tinha levado a maior vantagem.
Naquela noite Lorival teve um ataque, como trocar um televisor de sete polegadas por um par de galos de prata? Inconcebível!!!!
Matilde fez beicinho, se fez de ofendida, óculos escuros Matilde? Você enjoa até com o para-sol do carro abaixado!
Os galos de prata ficaram morando lá no aparador por pouco tempo, até que um deles caiu no pé do Lorival, foi o fim dos dois.
O televisor de sete polegada foi lembrado por uns quinze natais, até Lorival acreditou que Matilde estivesse curada.
Que nada, anos mais tarde, quando se viu frente a frente com um caixote de pertences de sua falecida mãe, Matilde não hesitou, levou tudo para um brechó, recomendad
íssimo por uma amiga, estava contente, dessa vez iria vender as bugigangas.No dia que Matilde foi ao lugar a mulher estava ocupada, disse para Matilde deixar a caixa que ela faria o levantamento e depois avisaria o valor, combinaram que Matilde voltaria dias depois para fechar o negócio.
Não é que a tal mulher morreu e Matilde nunca mais soube de suas coisas ou do dinheiro.
Se souber de algum brechó, "família-muda-se", feira de escambo, é capaz de Matilde juntar a prataria só para ver em que golpe vai cair!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Hora "H"

Gostar, ninguém gosta, mas alguém tem que saber o que fazer na hora H.
Adelaide não gosta de velório, enterro, missa de sétimo dia, a energia é pesada, muita dor junta, mas ela vai, aprendeu com a avó, são os vivos que precisam de gente por perto.
Antigamente velório era coisa séria, não tinha essa coisa de enterrar no mesmo dia, ninguém trancava o velório e ia para casa dormir, muitos velórios eram na própria casa do falecido.
Costume antigo, quando chegava a notícia de alguma morte a avó de Adelaide já começava os preparativos, se o falecido fosse da família e estivesse no hospital ela provindenciava uma muda de roupa e mandava entregar.
Ia para a cozinha e fazia café para encher umas três garrafas, preparava uns sanduiches de queijo ou salame, que são mais difíceis de estragar, separava uma ou duas latas de biscoito, colocava tudo numa cesta. Não existia nenhum tipo de cantina nos velórios, o comércio em geral, abaixava as portas e só abria no outro dia.
Além do estômago, ela lembrava, também, do frio que faz à noite, juntava uns cobertores, um ou dois travesseiros, em minutos estava tudo pronto era só tocar para o endereço escolhido.
A Avó da Adelaide já sabia, tem defunto que é complicado, a família demora para fazer todas as vontades, ou são tantas vontades que atrasam os trâmites normais. Tem gente que é enrolada até quando morre, Adelaide tinha um tio que era atrasado por natureza, nunca chegava na hora, a família tentava enganá-lo, mas ele atrasava do mesmo jeito, nunca chegava na hora, nem no próprio enterro, por motivos variados o corpo chegou com um dia de atraso ao velório.
A avó da Adelaide, que tinha horror a atrasos, deixou tudo organizado, decidiu que morreria em casa, nada de hospitais nem de médicos, separou a própria roupa, explicou como proceder, foi dela que Adelaide herdou a praticidade.
Adelaide prefere os velórios dos velhos, quando eles morrem a são as lembranças que choram, a saudade de uma vida vivida.
Apesar de não gostar, já aconteceu de Adelaide ir a funerais acompanhar amigas, ou representando alguém impossibilitado de comparecer.
Adelaide não gosta de sanduíche de mortadela, e quê isso tem haver com o assunto aqui discutido? Se enganou que achou que a resposta era nada!
A avó da Adelaide contava que, depois do enterro, o pessoal que tinha passado a noite no velório, passava numa padaria e pedia sanduíche de mortadela para todo mundo, foi daí que veio sua repugnância ao famigerado lanche!
Além do estômago, ela lembrava, também, do frio que faz à noite, juntava uns cobertores, um ou dois travesseiros, em minutos estava tudo pronto era só tocar para o endereço escolhido.
A Avó da Adelaide já sabia, tem defunto que é complicado, a família demora para fazer todas as vontades, ou são tantas vontades que atrasam os trâmites normais. Tem gente que é enrolada até quando morre, Adelaide tinha um tio que era atrasado por natureza, nunca chegava na hora, a família tentava enganá-lo, mas ele atrasava do mesmo jeito, nunca chegava na hora, nem no próprio enterro, por motivos variados o corpo chegou com um dia de atraso ao velório.
A avó da Adelaide, que tinha horror a atrasos, deixou tudo organizado, decidiu que morreria em casa, nada de hospitais nem de médicos, separou a própria roupa, explicou como proceder, foi dela que Adelaide herdou a praticidade.
Adelaide prefere os velórios dos velhos, quando eles morrem a são as lembranças que choram, a saudade de uma vida vivida.
Apesar de não gostar, já aconteceu de Adelaide ir a funerais acompanhar amigas, ou representando alguém impossibilitado de comparecer.
Adelaide não gosta de sanduíche de mortadela, e quê isso tem haver com o assunto aqui discutido? Se enganou que achou que a resposta era nada!
A avó da Adelaide contava que, depois do enterro, o pessoal que tinha passado a noite no velório, passava numa padaria e pedia sanduíche de mortadela para todo mundo, foi daí que veio sua repugnância ao famigerado lanche!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
O passarinho verde
Lá no salão, Adelaide se acostumou com a mulherada que chegava com vontade de confiar em alguém, contavam muitas histórias, Adelaide sempre foi a favor de que as mulheres fossem mais seguras, fizessem as coisas que tem vontade, sem se preocupar com o pensamento dos outros, com convenções inventadas sabe-se lá onde que pregam a castidade da mulher.Ela sempre aconselha aos pais dos adolescentes, principalmente as mães, a ouvirem seus filhos, não acha que proibir de namorar vai resolver alguma coisa, ela acha, e por isso, agora é ativista do combate da gravidez não planejada, das doenças sexualmente transmissíveis, é orientar, responsabilizar, ensinar a proteção, fazer com que eles percebam que apesar de ser muito gostoso é preciso agir com a maturidade que a sexualidade exige.
Adelaide não se casou, isso não significa que ela não foi muito namoradeira, agora está mais sossegada, como ela mesmo se define, é uma solteira convicta.
Foi um namorado que ela teve que fez com que ela desenvolvesse essa alergia a compromissos amorosos.
Adelaide conheceu o moço, um tal de Orlando, ou era Arlindo? Era todo cheio das nove horas, na primeira vez que convidou a Adelaide para sair, entrou para pedir autorização ao pai dela e se comprometeu em trazê-la de volta antes da meia-noite! Adelaide ficou desconfiada, era cheio de salamaleques, isso irritava Adelaide.
O namoro foi ficando mais sério, com beijos ardentes, as mãos mais atrevidas, Adelaide percebeu que iria, finalmente conhecer o passarinho verde, estava bem animada. O namoro estava firme, o Orlando, ou era Arlindo? era tão certinho.
Um dia, cansada do suspense ela perguntou ao Orlando, ou Arlindo? se não ia rolar o rala e rola. Orlando, Arlindo? ficou assustado, como assim, Adelaide? Ele quis saber, com ele não passaria
daquele ponto, ele não queria manchar o futuro da moça.
Adelaide ficou pasma e furiosa. Manchar o futuro? Tá louco cara-pálida? Adelaide não é pessoa de meio termo, ele ainda não tinha percebido? Que história mais descabida, com ela as coisas são pão, pão, queijo, queijo, ou dá ou desce, meu bem!
Adelaide ficou tão furiosa que deu um basta, chega de chove não molha.
Orlando ou era Arlindo? ficou acabado, inconformado, aparecia sem dar aviso, controlava, trazia presentes, tudo que ele fazia deixava a Adelaide mais louca da vida, até que ela deixou Orlando ou Arlindo? numa saia justa federal, olha aqui, ô Orlando (ou Arlindo), se você quer ficar comigo, vai ter que marcar uma data, eu quero casar até o ano que vem! Orlando, que não pensava nessas coisas saiu correndo, nunca mais voltou, dizem que ele ainda andou sondando o terreno, mas nunca teve coragem de aparecer.
Livre daquele relacionamento esquisito, cheio de tabus, Adelaide assumiu que queria conhecer, na intimidade o passarinho verde.
Isso parece fácil, mas Adelaide já acreditava que essa tinha que ser uma experiência positiva, com alguém que ela tivesse afinidade, confiança, a lista era longa, com um minuto de atenção a pessoa certa surgiu na sua frente, como ela estava decidida, a oportunidade não tardou a aparecer, Adelaide se jogou, aproveitou e gostou!
Depois disso teve outros namorados, outros relacionamentos, mas ela sempre soube que cabresto nehum era feito para ela.
Adelaide não se casou, isso não significa que ela não foi muito namoradeira, agora está mais sossegada, como ela mesmo se define, é uma solteira convicta.

Foi um namorado que ela teve que fez com que ela desenvolvesse essa alergia a compromissos amorosos.
Adelaide conheceu o moço, um tal de Orlando, ou era Arlindo? Era todo cheio das nove horas, na primeira vez que convidou a Adelaide para sair, entrou para pedir autorização ao pai dela e se comprometeu em trazê-la de volta antes da meia-noite! Adelaide ficou desconfiada, era cheio de salamaleques, isso irritava Adelaide.
O namoro foi ficando mais sério, com beijos ardentes, as mãos mais atrevidas, Adelaide percebeu que iria, finalmente conhecer o passarinho verde, estava bem animada. O namoro estava firme, o Orlando, ou era Arlindo? era tão certinho.
Um dia, cansada do suspense ela perguntou ao Orlando, ou Arlindo? se não ia rolar o rala e rola. Orlando, Arlindo? ficou assustado, como assim, Adelaide? Ele quis saber, com ele não passaria
daquele ponto, ele não queria manchar o futuro da moça.Adelaide ficou pasma e furiosa. Manchar o futuro? Tá louco cara-pálida? Adelaide não é pessoa de meio termo, ele ainda não tinha percebido? Que história mais descabida, com ela as coisas são pão, pão, queijo, queijo, ou dá ou desce, meu bem!
Adelaide ficou tão furiosa que deu um basta, chega de chove não molha.
Orlando ou era Arlindo? ficou acabado, inconformado, aparecia sem dar aviso, controlava, trazia presentes, tudo que ele fazia deixava a Adelaide mais louca da vida, até que ela deixou Orlando ou Arlindo? numa saia justa federal, olha aqui, ô Orlando (ou Arlindo), se você quer ficar comigo, vai ter que marcar uma data, eu quero casar até o ano que vem! Orlando, que não pensava nessas coisas saiu correndo, nunca mais voltou, dizem que ele ainda andou sondando o terreno, mas nunca teve coragem de aparecer.

Livre daquele relacionamento esquisito, cheio de tabus, Adelaide assumiu que queria conhecer, na intimidade o passarinho verde.
Isso parece fácil, mas Adelaide já acreditava que essa tinha que ser uma experiência positiva, com alguém que ela tivesse afinidade, confiança, a lista era longa, com um minuto de atenção a pessoa certa surgiu na sua frente, como ela estava decidida, a oportunidade não tardou a aparecer, Adelaide se jogou, aproveitou e gostou!
Depois disso teve outros namorados, outros relacionamentos, mas ela sempre soube que cabresto nehum era feito para ela.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O pileque da Matilde
- Eu trouxe o Cocktail, Matilde!- Adelaide, eu não bebo, não gosto de vinho, cachaça, vermuth ou cerveja, prefiro a segura e velha Coca-Cola.
- Mas nem sempre foi assim, não é?
- Sempre foi assim, sim, enquanto todo mundo curte um drink alcoólico, eu mantenho-me sóbria, às vezes, fico entediada, que tanto essa gente ri quando bebe? Prefiro a ignorância, afinal fiofó de bêbado não tem dono e passarinho que come pedra sabe o bico que tem.
- Matilde, conta essa história direito, que eu lembro do velório da avó do Lorival.
- Ai, Adelaide, falando assim parece que a gente entornou na beirada da cova! Nem foi no velório!
- Ah! Viu como eu lembro?
- Adelaide, você está misturando as bolas, parece que bebe! Lembra que quando a no
na morreu a família se reuniu no velório, nem tinham muito que chorar a pobrezinha já estava para prá lá de bagdá, já tinha emplacado a centena, ninguém esperava muito mais, estávamos tristes, mas ao que tudo indicava era a hora de passar dessa para melhor, já não reconhecia os parentes, já não juntava lé-com-cré, pobrezinha.
Na verdade é que enquanto rolavam os procedimentos do ritual, as poucas lágrimas se foram e deram lugar às lembranças antigas, a saudade de um tempo de intimidade, os primos e as primas começaram a imaginar que um encontro seria uma oportunidade boa para colocar a conversa em dia, foi só combinar um encontro, da "rapaziada", não eram convidados os "velhos", nem as crianças, era festa de adulto.
A prima de Piracicaba sugeriu um churrasco, o primo Dorival pensou num jantar numa cantina lá pros lados do Bixiga, finalmente a prima Dirce ofereceu sua casa no Butantã, coisa de primeira, todo mundo adorou a ideia.
- Eu lembro que ninguém entornou nada no velório, eu estava lá! Mas na festa que eu não fui convidada? Lembra Matilde? Você escolheu um caftã estampado, que você comprou lá na contrabandista do centro, importado do Havaii, sandálias prateadas com um cacho de cristais, a carteira prateada, e eu bem lembro que você passou a tarde no salão, eu caprichei, fiz um cabelo solto, bem armado, até na maquiagem, eu fiz. Matilde, você ficou fenomenal, parecia uma deusa do cinema. Bem ao seu estilo, no dia-a-dia, nem liga muito para essas coisas de cabelo, roupa e maquiagem, mas se tem motivo, não faz por menos, se monta e arrasa.
- Naquele dia eu descobri que o sucesso de qualquer evento depende do anfitrião, a prima Dirce e o marido estavam muito animados, receberam os convidados com sorrisos e drinks, mostraram a casa para todos, fizeram os primos e primas ficarem à vontade.
- Eu soube mesmo...
- Você não foi por que não quis.
- Eu não quis mesmo, reunião de família, só é bonita no retrato na parede!
- Estava um calor de rachar, era verão, quando chegamos a prima Dirce me ofereceu um suco de tomate, eu aceitei, adoro suco de tomate, eu estava tão animada que não percebi que estava mais prá suco de batata fermentada que outra coisa.
Depois veio um drink coloridinho, parecia bem fresquinho! O calor era tanto, a festa estava tão animada que nem me dei conta que não era só um Cocktail de frutas, acho que tinha rum.
Ai, eu já estava bem relaxada, o marido da prima Dirce me ofereceu uma dose de whisky, como eu nunca tinha experimentado, achei por bem aceitar.
- Essa história está muito comportada, Matilde!
- Eu fui bebendo, Adelaide, eu achei que a prima Dirce ia servir um jantar, fiquei esperando, achei melhor não comer os aperitivos para não estragar o apetite!
- Mas ninguém serviu jantar nehum!
- Pois é, foi ai que fiquei de pilequinho!
- Pilequinho, Matilde? Me contaram que a certa altura da festa você pediu a atenção de todos e começou a declamar poesias em francês! Você nem fala francês!
- Eu estava muito expressiva naquele dia, estava feliz de encontrar os primos.
- Além das declamações e uma "palhinha" de seus dotes musicais, me contaram que você fez uma apresentação de balé!
- É parece que sim, eu não lembro disso, não! Acho que não foi tanto!
- Matilde, como não foi tanto? Soube que você, também, propôs casamento ao marido da prima Dirce! Foi o mair rebu, a prima Dirce ficou mordida. De madrugada quando vocês chegaram, enquanto o Lorival abria o portão, você desceu do carro e gritava que estava com vontade de fazer xixi! Você, Matild
e!
- Imagine, Adelaide, O Lorival fala isso para brincar com a gente!
- Matilde, que Lorival? Eu ouvi! Quando eu sai, você estava sentada no vaso de azaléia, com o vestido arregaçado, fazendo xixi!
- Agora você entrou na brincadeira do Lorival?
- Não, Matilde! A Azaléia morreu, a coitada. Eu ajudei o Lorival, fui eu quem te colocou no banho, enquanto ele fazia um café.
- Bem lembro do banho gelado e do café amargo!
- No dia seguinte você entrou no salão com a cara toda inchada, reclamando da ressaca...
- Ai que ressaca, essa eu me lembro bem!
- Você se deitou no chão, no meio das clientes, e pedia para que alguém parasse o mundo!
- Tá vendo, Adelaide, é por isso que eu não como bombom recheado, nem uso homeopatia, não tomo nem floral!
- Ai, Adelaide, falando assim parece que a gente entornou na beirada da cova! Nem foi no velório!
- Ah! Viu como eu lembro?
- Adelaide, você está misturando as bolas, parece que bebe! Lembra que quando a no
na morreu a família se reuniu no velório, nem tinham muito que chorar a pobrezinha já estava para prá lá de bagdá, já tinha emplacado a centena, ninguém esperava muito mais, estávamos tristes, mas ao que tudo indicava era a hora de passar dessa para melhor, já não reconhecia os parentes, já não juntava lé-com-cré, pobrezinha.Na verdade é que enquanto rolavam os procedimentos do ritual, as poucas lágrimas se foram e deram lugar às lembranças antigas, a saudade de um tempo de intimidade, os primos e as primas começaram a imaginar que um encontro seria uma oportunidade boa para colocar a conversa em dia, foi só combinar um encontro, da "rapaziada", não eram convidados os "velhos", nem as crianças, era festa de adulto.
A prima de Piracicaba sugeriu um churrasco, o primo Dorival pensou num jantar numa cantina lá pros lados do Bixiga, finalmente a prima Dirce ofereceu sua casa no Butantã, coisa de primeira, todo mundo adorou a ideia.- Eu lembro que ninguém entornou nada no velório, eu estava lá! Mas na festa que eu não fui convidada? Lembra Matilde? Você escolheu um caftã estampado, que você comprou lá na contrabandista do centro, importado do Havaii, sandálias prateadas com um cacho de cristais, a carteira prateada, e eu bem lembro que você passou a tarde no salão, eu caprichei, fiz um cabelo solto, bem armado, até na maquiagem, eu fiz. Matilde, você ficou fenomenal, parecia uma deusa do cinema. Bem ao seu estilo, no dia-a-dia, nem liga muito para essas coisas de cabelo, roupa e maquiagem, mas se tem motivo, não faz por menos, se monta e arrasa.

- Naquele dia eu descobri que o sucesso de qualquer evento depende do anfitrião, a prima Dirce e o marido estavam muito animados, receberam os convidados com sorrisos e drinks, mostraram a casa para todos, fizeram os primos e primas ficarem à vontade.
- Eu soube mesmo...
- Você não foi por que não quis.
- Eu não quis mesmo, reunião de família, só é bonita no retrato na parede!
- Estava um calor de rachar, era verão, quando chegamos a prima Dirce me ofereceu um suco de tomate, eu aceitei, adoro suco de tomate, eu estava tão animada que não percebi que estava mais prá suco de batata fermentada que outra coisa.
Depois veio um drink coloridinho, parecia bem fresquinho! O calor era tanto, a festa estava tão animada que nem me dei conta que não era só um Cocktail de frutas, acho que tinha rum.
Ai, eu já estava bem relaxada, o marido da prima Dirce me ofereceu uma dose de whisky, como eu nunca tinha experimentado, achei por bem aceitar.
- Essa história está muito comportada, Matilde!- Eu fui bebendo, Adelaide, eu achei que a prima Dirce ia servir um jantar, fiquei esperando, achei melhor não comer os aperitivos para não estragar o apetite!
- Mas ninguém serviu jantar nehum!
- Pois é, foi ai que fiquei de pilequinho!
- Pilequinho, Matilde? Me contaram que a certa altura da festa você pediu a atenção de todos e começou a declamar poesias em francês! Você nem fala francês!
- Eu estava muito expressiva naquele dia, estava feliz de encontrar os primos.
- Além das declamações e uma "palhinha" de seus dotes musicais, me contaram que você fez uma apresentação de balé!
- É parece que sim, eu não lembro disso, não! Acho que não foi tanto!
- Matilde, como não foi tanto? Soube que você, também, propôs casamento ao marido da prima Dirce! Foi o mair rebu, a prima Dirce ficou mordida. De madrugada quando vocês chegaram, enquanto o Lorival abria o portão, você desceu do carro e gritava que estava com vontade de fazer xixi! Você, Matild
e!- Imagine, Adelaide, O Lorival fala isso para brincar com a gente!
- Matilde, que Lorival? Eu ouvi! Quando eu sai, você estava sentada no vaso de azaléia, com o vestido arregaçado, fazendo xixi!
- Agora você entrou na brincadeira do Lorival?
- Não, Matilde! A Azaléia morreu, a coitada. Eu ajudei o Lorival, fui eu quem te colocou no banho, enquanto ele fazia um café.
- Bem lembro do banho gelado e do café amargo!
- No dia seguinte você entrou no salão com a cara toda inchada, reclamando da ressaca...
- Ai que ressaca, essa eu me lembro bem!
- Você se deitou no chão, no meio das clientes, e pedia para que alguém parasse o mundo!
- Tá vendo, Adelaide, é por isso que eu não como bombom recheado, nem uso homeopatia, não tomo nem floral!
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