ou cerveja, prefiro a segura e velha Coca-Cola.
não tem dono e passarinho que come pedra sabe o bico que tem.
- Matilde, conta essa história direito, que eu lembro do velório da avó do
Lorival.
- Ai, Adelaide, falando assim parece que a gente entornou na beirada da cova! Nem foi no
velório!
- Ah! Viu como eu lembro?
- Adelaide, você está misturando as bolas, parece que bebe! Lembra que quando a no

na morreu a família se reuniu no velório, nem tinham muito que chorar a
pobrezinha já estava para
prá lá de
bagdá, já tinha
emplacado a centena, ninguém esperava muito mais,
estávamos tristes, mas ao que tudo indicava era a hora de passar dessa para melhor, já não reconhecia os parentes, já não juntava
lé-com-
cré,
pobrezinha.
Na verdade é que enquanto rolavam os procedimentos do ritual, as poucas lágrimas se foram e deram lugar às lembranças antigas, a saudade de um tempo de intimidade, os primos e as primas começaram a imaginar que um encontro seria uma oportunidade boa para colocar a conversa em dia, foi só combinar um encontro, da "rapaziada", não eram convidados os "velhos", nem as crianças, era festa de adulto.

A prima de
Piracicaba sugeriu um churrasco, o primo
Dorival pensou num jantar numa cantina lá
pros lados do
Bixiga, finalmente a prima
Dirce ofereceu sua casa no
Butantã, coisa de primeira, todo mundo adorou a ideia.
- Eu lembro que ninguém entornou nada no velório, eu estava lá! Mas na festa que eu não fui convidada? Lembra Matilde? Você escolheu um
caftã estampado, que você comprou lá na contrabandista do centro, importado do
Havaii, sandálias prateadas com um cacho de cristais, a carteira prateada, e eu bem lembro que você passou a tarde no salão, eu caprichei, fiz um cabelo solto, bem armado, até na
maquiagem, eu fiz. Matilde, você ficou fenomenal, parecia uma deusa do cinema. Bem ao seu estilo, no dia-a-dia, nem liga muito para essas coisas de cabelo, roupa e
maquiagem, mas se tem motivo, não faz por menos, se monta e arrasa.

- Naquele dia eu descobri que o sucesso de qualquer evento
depende do anfitrião, a prima
Dirce e o marido estavam muito animados, receberam os convidados com sorrisos e
drinks, mostraram a casa para todos, fizeram os primos e primas ficarem à vontade.
- Eu soube mesmo...
- Você não foi por que não quis.
- Eu não quis mesmo, reunião de família, só é bonita no retrato na parede!
- Estava um calor de rachar, era verão, quando chegamos a prima
Dirce me ofereceu um suco de tomate, eu aceitei, adoro suco de tomate, eu estava tão animada que não percebi que estava mais
prá suco de batata fermentada que outra coisa.
Depois veio um
drink coloridinho, parecia bem
fresquinho! O calor era tanto, a festa estava tão animada que nem me dei conta que não era só um
Cocktail de frutas, acho que tinha rum.
Ai, eu já estava bem relaxada, o marido da prima
Dirce me ofereceu uma dose de whisky, como eu nunca tinha
experimentado, achei por bem aceitar.

- Essa história está muito comportada, Matilde!
- Eu fui bebendo, Adelaide, eu achei que a prima
Dirce ia servir um jantar, fiquei esperando, achei melhor não comer os aperitivos para não estragar o apetite!
- Mas ninguém serviu jantar
nehum!
- Pois é, foi ai que fiquei de
pilequinho!
-
Pilequinho, Matilde? Me contaram que a certa altura da festa você pediu a atenção de todos e começou a declamar poesias em francês! Você nem fala francês!
- Eu estava muito expressiva naquele dia, estava feliz de encontrar os primos.
- Além das declamações e uma "palhinha" de seus dotes musicais, me contaram que você fez uma apresentação de
balé!
- É parece que sim, eu não lembro disso, não! Acho que não foi tanto!
- Matilde, como não foi tanto? Soube que você, também, propôs casamento ao marido da prima
Dirce! Foi o
mair rebu, a prima
Dirce ficou mordida. De madrugada quando vocês chegaram, enquanto o
Lorival abria o portão, você desceu do carro e gritava que estava com vontade de fazer
xixi! Você,
Matild
e!
- Imagine, Adelaide, O
Lorival fala isso para brincar com a gente!
- Matilde, que
Lorival? Eu ouvi! Quando eu sai, você estava sentada no vaso de
azaléia, com o vestido arregaçado, fazendo
xixi!
- Agora você entrou na brincadeira do
Lorival?
- Não, Matilde! A
Azaléia morreu, a coitada. Eu ajudei o
Lorival, fui eu quem te colocou no banho, enquanto ele fazia um café.
- Bem lembro do banho gelado e do café amargo!
- No dia seguinte você entrou no salão com a cara toda inchada, reclamando da ressaca...
- Ai que ressaca, essa eu me lembro bem!
- Você se deitou no chão, no meio das clientes, e pedia para que alguém parasse o mundo!
- Tá vendo, Adelaide, é por isso que eu não como bombom recheado, nem uso homeopatia, não tomo nem floral!