sábado, 14 de março de 2009

Memórias antigas


Folheando um velho álbum de fotografias, cheia de lembranças de um tempo que eu não conheci, encontrei uma imagem que me chamou atenção.
Era a foto de um dia de domingo na praia, o avô, a avó, rodeados dos netos, todos pequenos, estavam vestidos com suas roupas de banho, de costas para o mar, no alto da página está escrito em letras caprichadas, de uma caligrafia familiar: Praia Grande - 1944.
Fiquei olhando para a foto, foi tirada19 anos antes de eu nascer, mas parece que eu estive ali.
Puxando pela memória, me lembrei, eu também tomei banho naquele mar, com aqueles avós, o maiô dela, com certeza era o mesmo!
Esta é mais uma daquelas lembranças que eu nem sei quando foi, mas foi.
Passamos uma temporada na casa do nono e da nona na Paria Grande, e por alguma razão provavelmente afetiva, me lembro muito bem de tomar banho de mar com minha bisavó, ela usava seu maiô discreto, suas pernas muito branquinhas, ficávamos bem no rasinho, quase banho de areia, ela me segurava pela mão e eu pulava as ondinhas. Às vezes, ficávamos sentadas na areia esperando as ondas nos envolver, o gosto salgado das ondas, o cheiro de creme Nívea que passavam no meu nariz, e a cor manchada de Raito de Sol que a mulherada usava, ainda faz parte das minhas lembranças.
O nono, não ia à praia, ficava cuidando do jardim, ligando a bomba d'agua , que exigia uma certa dose de ciência e também tinha uns truques para espantar pernilongos, fazia uma fogueira bem ao lado da casa.
Outras vezes estivemos lá, mas o banho de mar com minha bisavó, foi só dessa vez.
Memória é assim, com apenas um estímulo, uma torrente de imagens, sabores e cheiros.

4 comentários:

Gabriel Bedin Slevinski disse...

Olá Paola..
Há muito tempo que não encontrava um blog de tamanha qualidade... Elogio pq vi no em algum lugar de seu perfil, ou em um de seus comentários na net, que nigm lê seu Blog...
Muito bom mesmo...
__
Quanto ao post:
"Viver consiste em construir recordações futuras"
Ernesto Sabato...

Parabéns

LuMa disse...

Muito bonito este momento de dedicação à memória deles. Folhear um álbum de família é resgatar não somente os flashes e fotogramas que nos remetem aos sabores e cheiros, mas os valores existentes na época. De tempo em que a palavra possuía o seu peso, assim como as regras sociais eram respeitadas. Creio que uma criança que tenha convivido com nonnos, avuelos ou ditians tenha uma "marcha" a mais de serenidade, justamente porque conhece a própria identidade, não é mesmo? Beijos!

Kenia Mello disse...

Tanta coisa linda pode vir à tona quando um fio do novelo é puxado, né, Paola? E quando as coisas nos tomam de assalto, como foi no caso da sua foto, parece que os sentimentos chegam com mais força ainda!
Beijos.

Paola disse...

Gabriel, Obrigada pela visita e pelas observacões!



Kenia e LuMa,
A rsposta aos comentários virou outro post!
Beijos

Paola