segunda-feira, 16 de março de 2009

Consumo Consciente


A Lola escreveu um post sobre suas experiências com o consumo consciente de água e outras coisas do tipo. O caso é que ao ler esse post, mais uma das minhas lembranças me invadiu.
Era difícil ir à casa da minha avó e não ouvir a afirmação: "Aqui ninguém é sócio da Light!" toda vez que a gente deixava uma lâmpada acesa ao sair de qualquer ambiente. Na casa do Nono era pior, acho que ele já estava cansado de tanto insistir em fazer com que todo mundo usasse as coisas com parcimônia e já não tinha muita paciência, mas era engraçado o jeito que ele reclamava.
Eu achava aquilo um horror! Uma antipatia! Era com a luz, era com a água, era com o telefone, era com tudo, até se a porta da geladeira ficasse aberta mais que dois segundos.
Diziam as más línguas que ele era muito muquirana, uma vez ele deu uma vitrola e alguns discos para as filhas, que adoraram o presente, mas um dia pediram outros discos e ele disse: "Prá quê mais discos? Vocês já tem esses que ainda estão bons!". Essa história é fofoca sim, aposto, mas é bem a cara dele. Austeridade, foi assim que ele enfrentou o mundo.
Minha avó era de uma austeridade alegre, aprendeu com ele, mas foi capaz de se divertir bastante, gastando pouco, sempre.
Minha mãe também é de uma classe de austeridade diversificada. O Nono era quase uma figura folclórica, quem é que tampa o vinho, durante a refeição com medo que uma mosca caia dentro da garrafa e estrague o precioso líquido? Mas seus ensinamentos foram aprendidas.
As verdadeiras lições de consumo consciente, energias alternativas e atitudes ecologicamente corretas tive mesmo com meu pai. Ele sempre insistiu na responsabilidade para com os recursos naturais.
Antes mesmo do Pró-Álcool ser lançado pelo ministro Mário Henrique Simonsen, meu pai já havia construído um carro movido a álcool, pensando no panorama de desvastação, e criou uma máquina de papel reciclado.
Essa preocupação com o meio ambiente apareceu já no tempo em que era professora de Escola Infantil, sempre fiz campanha contra o uso abusivo de sulfite.
O caso é que agora não tem mais jeito, todo mundo vai ter que se comprometer de alguma maneira, pensar em contribuir de forma eficiente, antes que nos afoguemos em tanto lixo.
Fico chocada que ainda hoje há pessoas que jogam lixo pela janela do carro! Sacos de Mac Donald's, em plena Marginal, é possível?

Um comentário:

LuMa disse...

Tenho amigos e conhecidos italianos que conheceram o Brasil durante suas férias. Dentre algumas observações que fazem é: "Porque os brasileiros precisam lavar tanto as calçadas qdo basta apenas varrê-las?". Como eu tbém provenho de família que exigia austeridade, compreendo a estranheza dos italianos...(rs)