quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O símbolo do nosso amor



Fazia pouco tempo que eu namorava com o maridão, era Carnaval, fomos para uma fazenda lá em Capão Bonito, interior de São Paulo.
Foi ótimo, um dia, trouxemos do pomar um monte de abacates, deliciosos. Depois da comilança "in loco", ainda trouxemos muitos abacates para casa.
Resolvemos plantar um abacateiro como símbolo de nosso amor, linda essa parte, não poderia haver nada mais romântico que plantar um abacateiro, ainda mais levando-se em conta que os dois moravam em apartamentos, muito simples nossa idéia.
Ele sempre gostou de plantas e sempre teve jeito para essas coisas, bem diferente de mim, que sou do tipo que consegue afogar uma flor num copo com água.
Pusemos a semente para secar.... muitos dias depois... quando brotou plantamos num vasinho, deixamos o vasinho na minha casa, no meio dos vasos de samambaia da minha mãe.
O Abacateiro foi crescendo, firme e forte. Quando ele vinha em casa, dava uma olhadinha, cuidava da plantinha.
Já fazia pelo menos dois anos que o abacateiro havia sido plantado, maridão lembrou da pobre mudinha, numa manhã de quase Dezembro, às vésperas do nosso casamento ele me ligou, me pedindo para levar o abacateiro para plantarmos em nossa casa.
Bem na época, minha mãe estava fazendo uma reforma gigantesca em casa, daquela de arrancar pisos, quebrar paredes, a confusão era completa, durante mais de um mês, a empregada cozinhou numa espiriteira na bancada do lavabo! Tão simples a manobra!
Ao procurar o famigerado vaso, surpresa, ele havia desaparecido, onde foi parar? Ninguém sabia dele, sumiu!
Eu resolvi dar um jeito na questão, não era possível comunicar o sumiço do exemplar de Persea persea, o símbolo de nosso amor, deixado sob meus cuidados.
A coisa mais prática que eu consegui pensar foi sair em busca de uma muda de abacate, de dois anos, mais ou menos.
Na época, a região onde eu morava, ainda era quase selvagem, havia muitas chácaras que vendiam plantas. Muitos japoneses, fui em um, fui em outro, nada, ninguém tinha abacateiros. Até que finalmente encontrei, o exemplar tinha três e não dois anos, mas era o único que encontrei.

Levei o vaso, ele ficou surpreso com o tamanho do caule, e eu bem quietinha.
A farsa durou pouco, achei melhor contar toda a aventura, afinal ninguém sabe com essas coisas podem se desenrolar, vai que algum entendido em abacateiros me pedisse o segredo de um crescimento tão astronômico!
Nosso mini-jardim não era apropriado para abacateiros, então ele foi levado para um lugar melhor.
O abacateiro se foi, mas a história ficou.

Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa)

4 comentários:

Cristina Sampaio disse...

Tão boa a forma como você às vezes fala sobre o seu marido, Paola, tão legal essa história, a simbologia. E ainda dizem que algumas coisas são bobagens, são nada, são bem importantes e significativas.
Todo casal tem suas dificuldades, mas deve ter também coisas boas, pra viver e pra lembrar, assim como esse momento que contou. Parabéns ao seu marido, por você falar assim sobre ele, sobre a relação de vocês, e a você também, claro, que contribui junto com ele pra existência desse amor.
Um abraço! Felicidades!!

Rita de Cássia disse...

Nóoooooo, fiquei um tempinho sem vir aqui e vc escreveu, escreveu!! cOISAS LINDAS E LINDAS!!! Adorei tudinho, principalmente esta história de abacateiro!! Vc é realmente uma pessoa especial!
Beijos querida

Camomila disse...

kkkkkk
muito bom!!!

Anônimo disse...

Estou postando anônimo porque ufaaa que coisa chata esta de blog viu ???
kkkkkkkkkkk

Algumas coisas em nossas vidas se foram, meu abacateiro, meus troféus, minha mãe, alguns bons amigos.
Porém em tudo que minha mulher tocou e se esforçou para dar certo, está aí até hoje firme e forte assim como meu amor e carinho por ela.
Pode parecer meio piegas mas....
Não seria o que sou sem o toque e o esforço dela em me fazer um homem melhor.

Te amo minha coisinha :o)

do seu Lelé