sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rede de Mulheres

Já faz algum tempo que venho percebendo o imenso crochê que é tecido entre as mulheres. 
Percebendo costumes antigos que deixaram de ser tão perceptíveis, as redes de mulheres continuam fortes entre nós.
Num mundo moderno e tecnológico como esse que vivemos, muitas vezes, a sabedoria dos antigos é rejeitada, dispensada. 
Estou num momento sensível, um pouco "Pequeno Príncipe" ( que eu li com 12 anos), "o essencial é invisível aos olhos, tu te tornas eternamente responsável pelo aquilo que cativas", (minhas filhas caçoam de mim, vira e mexe eu uso algumas frases do livro, elas nem ligavam, até que fomos assistir um balé que se inspira na obra de Antoine de Saint-Exupéry , como a caçula falou... eles usaram todas as minhas frases!).
Estou reparando nesse invisível aos olhos, não precisa de hora marcada, não precisa de requisição, é algo que acontece, simplesmente acontece, no caso de necessidade as mulheres começam a se organizar numa rede invisível de solidariedade, de cooperação, de troca, é muito interessante como é silenciosa e rápida a maneira como as coisas acontecem.
Estou pensando isso de graça? Do nada? Não, estou observando isso em várias situações, hoje, no blog Porque não dancei, (vai lá, dá uma olhada, se você não se debulhar em lágrimas é melhor procurar ajuda, você foi roubado, levaram seu coração) foi publicado um texto lindo sobre solidariedade que me fez lembrar de um texto que adoro, O Martelo das Feiticeiras da Rose Marie Muraro.
Nesse trecho - "Desde a mais remota antiguidade, as mulheres eram as curadoras populares, as parteiras, enfim, detinham saber próprio, que lhes era transmitido de geração em geração. Em muitas tribos primitivas eram elas as xamãs. Na Idade Média, seu saber se intensifica e aprofunda. As mulheres camponesas pobres não tinham como cuidar da saúde, a não ser com outras mulheres tão camponesas e tão pobres quanto elas. Elas (as curadoras) eram as cultivadoras ancestrais das ervas que devolviam a saúde, e eram também as melhores anatomistas do seu tempo. Eram as parteiras que viajavam de casa em casa, de aldeia em aldeia, e as médicas populares para todas as doenças." - que eu estou pensando, esse poder de cuidado e cura desenvolvido pelas mulheres, e não sei se é a idade avançando que me faz observar essas coisas.
O caminho do conhecimento, passa inevitavelmente pela porta do próprio eu, só se atinge a plenitude se for capaz de se aventurar dentro do seu labirinto interior, desbravar todos os recônditos da alma e da razão. Acho que é nesse ponto que eu me encontro hoje, com a bússola que construi ao longo da minha existência, que me mostra o rumo que sei ser o rumo do bem, do belo e do certo, desbravando meus próprios caminhos, vou desenhando meu mapas. Resumindo, sem nenhuma pretensão ou arrogância,  é nisso que eu ando pensando, sentindo e agindo, é um caminho cheio de desafios, estou aceitando tudo isso, é o meu momento.

3 comentários:

Monica Loureiro disse...

Adorei este texto seu e o seu Blog.
Espero que possamos compartilhar experiências...

Paola disse...

Monica,
Fico feliz por estar agradando!
Benvinda!
bj
PAola

Crys disse...

Lindo texto Paola, sou fa também do Pequeno Principe, apesar de te-lo descoberto à pouco tempo. Boa sorte nesse caminho de aceitaçao...