quarta-feira, 2 de março de 2011

Matilde, Drogas e Carnaval

A única experiência com drogas de Matilde até aquela data, havia sido com lança-perfumes num baile de carnaval, a amiga, muito animada fez Matilde experimentar sem que ela soubesse do que se tratava, em um instante Matilde começou a se sentir estranha, os pés já não tocavam o chão, precisou se segurar para não voar.
Depois dessa ocasião, Matilde nunca mais havia tido nenhum tipo de contato com qualquer substância ilícita, química ou natural, nada, nem o vocabulário usual ela entendia, talvez os amigos percebessem que ela não precisava dessas coisas, ela estava sempre "numa boa".
Já namorava o Lorival há um certo tempo e com amigos combinaram de passar um feriado num sítio no meio do mato, longe de qualquer lembrança de civilização, muitos moços e moças, alguns namoravam outros não.
Por motivo de divertimento tudo se organiza com muita rapidez, foram ao hipermercado, fizeram uma grande compra de víveres para os cinco dias da viagem. Enquanto estivessem lá, ninguém precisaria sair para providênciar qualquer coisa. As moças até fizeram um cardápio com sugestões de pratos gostosos e fáceis, sobremesas e lanches. Tudo acertado, pé na estrada.
Matilde percebia que um dos amigos do Lorival era um pouco estranho, sempre com aqueles olhos vermelhos, falando arrastado, rindo a toa, coitado vai ver é meio bobo mesmo.
Um dia depois do almoço, a namorada desse fulano, uma loira comprida, veio falar com a Matilde, estava muito brava. Imagine, Matilde, o fulano me prometeu que iria parar de fumar maconha, e olha só o que ele trouxe? O que é isso? Maconha, Matilde, você nunca viu? Não!
A loira estava furiosa, e resolveu pegar um tanto da erva e convidou a Matilde para dar uma fumadinha com ela.
A loira estava descompensada, tinha que ir bem longe, para ninguém sentir o cheiro.
Matilde, que ainda nem sonhava em dizer não a ninguém, resolveu acompanhar a amiga, a loira andando decidida, queria ir até o curral, era longe até para ir no lombo de burro, as duas andaram e andaram.
Ao chegar lá as duas se sentaram na mureta, ficaram olhando a paisagem, aquele pasto enorme, o caminho que vinha da montanha, as vaquinhas que sossegadas andavam pelo capim, a loira toda entendida tira do bolso uma coisa sem formato definido e começa a soltar tudo até que ficou em pedacinhos, puxou um papelzinho fino, colocou os pedacinhos no meio e enrolou, apertou e acendeu.
Matilde estava curiosa, a loira dá umas tragadinhas um pouco recatadas e oferece o cigarrinho para Matilde dizendo não querer mais.
Matilde que nunca foi do meio termo, achou que aquilo se fumava como um cigarro qualquer, fumou, enquanto a loira reclamava do namorado isso, que o namorado aquilo.
Matilde percebeu, de repente, um arco-íris no meio do pasto, coisa mais linda, Matilde viu as vacas correndo para o arco-íris, Matilde achou aquilo meio esquisito mas muito engraçado, aquelas eram vacas loucas (ainda não se falava da doença que acometeu os rebanhos do mundo nos anos 2000).
Começou a chover, uma chuva quente de verão, a loira resolveu voltar para casa, Matilde acompanhou.
O caminho era longo e a chuva era forte, a loira comprida tinha uma perna que andava mais que as pernas curtas da Matilde, Matilde começou a correr para acompanhar a loira.
Foi ai que Matilde percebeu não ter mais pés, percebeu que flutuava, não sentia nada, apenas observava uma situação inusitada, parecia que estava sonhando, a loira andava muito rápido, Matilde segurou a loira pelo braço e pediu, vai mais devagar, a loira parecia assutada, não imaginou que alguém pudesse ficar daquele jeito só de fumar um pouquinho.
A loira não sabe, mas Matilde não é todo mundo.
Quando as duas chegaram na casa, o fulano e a loira começaram a brigar. Matilde não estava interessada em brigas, começou a rir.
Lorival percebeu que Matilde tinha passado da conta, segurou a mão dela, sugeriu que ela comesse um pedaço de bolo que alguém tinha acabado de assar.
Uma delícia, Matilde comeu um, comeu dois pedaços, comeu o bolo todo sem deixar vestígios.
Matilde dizia que se corpo não estava ali, ela não estava sentindo seus membros, enquanto comia, Matilde falava, falava e falava, Matilde estava assustada, imaginou que se falasse não sumiria, afinal, onde estaria seu corpo?
Lorival sugeriu que ela se deitasse um pouco, Tá louco, né? Lorival, deitar?
Matilde achou melhor obedecer, deitou e pegou o livro da loira, loira inteligente, estava lendo Simone de Beauvoir, Quando o Espiritual Domina, Matilde achou o livro o máximo, leu um monte antes da loira confiscar o livro.
Matilde tentou dormir, mas a cama estava sacolejando, depois que a loucura passou, Matilde prometeu para si mesmo que nunca mais experimentaria qualquer outro tipo de droga, ela sabe, é fraca mesmo, prefere não arriscar, vai que o corpo suma mesmo, ninguém aguenta a Matilde tentando se salvar através da palavra!
Matilde ainda se pergunta, a loira estava brava com o namorado, então porque raios, pegou o fumo do namorado? Se encontrar com a loira, prometeu a si mesma que vai perguntar!

Um comentário:

Adriana H. Tavares disse...

Bom dia!!!
Meu nome é Adriana de Holanda Tavares, criei um blog junto com meu esposo para ajudar pessoas que precisam, maiores informações entra lá: chabebevirtual.blogspot.com precisamos que você contribua, com divulgação ou com um mimo... vai lá, como diz o poeta: FICA SEMPRE UM POUCO DE PERFUME NAS MÃOS DE QUEM OFERECE ROSAS, NAS MÃOS QUE SABEM SER GENEROSAS