sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Janela Indiscreta


Outro dia estávamos na casa da minha irmã, da janela vimos uma criança na sacada do prédio da frente chorando e gritando. A criança batia na porta que devia estar trancada, gritava e nada acontecia.
Minha mãe e minha irmã se desesperaram, a criança se trancou na sacada e o adulto responsável não percebeu?
Na hora eu percebi, aquilo era um castigo, estávamos presenciando um caso de abuso!
A criança chorava muito, minha mãe se desesperou, em outro andar no mesmo prédio, estava uma mulher limpando a vidraça, que também começou a procurar de onde vinha aquele choro, minha mãe chamou a mulher e pediu que ela interfonasse para a portaria e avisasse que a criança estava presa. Foi o que a mulher fez.
Instantes depois, surpresa, uma mulher abriu a porta da sacada, saiu e deu uma palmada na criança, uns berros, saiu da sacada e fechou a porta de novo!
Minha irmã e minha mãe ficaram em estado de choque!
Muitas vezes somos levados a acreditar que essas coisas só acontecem nos bairros pobres, nas periferias, infelizmente essa é uma realidade muito mais corriqueira que podemos imaginar, o caso aconteceu num lindo prédio, novinho em folha, em plena Vila Madalena, um dos bairros mais badalados da cidade.
A tal mulher era a mãe da criança? Talvez não, mas com certeza é alguém que não está em condições de cuidar de uma.
Isso me levou a pensar que apesar de tantos avanços, as crianças continuam sendo tratadas sem o devido cuidado, por um lado são mimadas e levadas a se sentiram amadas pela quantidade de coisas que possuem, por outro ainda são hostilizadas por adultos que não sabem o que é autoridade, que não conseguem exercer seu papel de "adulto responsável".
A televisão inventou uma personagem de reality-show que se chama "Super-Nany", pelo que entendi o grande público só entende que pode por as crianças de castigo, desde o início do programa me chama a atenção a quantidade de pessoas que se referem ao "tapete" com muita facilidade, mas não entenderam uma só palavra sobre a rotina, as atividades, sabe aquela coisa de horário para comer, horário para dormir e brincar?
Como tudo na televisão é entendido conforme o desejo do telespectador... as consequências são desastrosas.
Por isso acho que os professores, por exemplo, devem estar muito atentos, quando detectados distúrbios devem agir, chamar os pais, convidar para uma conversa, uma orientação, talvez, até uma palestra sobre como a criança pensa, o significado do egocentrismo infantil, enfim, uma ação preventiva contra todo e qualquer traço de violência doméstica.
Esse é um dos temas do trabalho que estou envolvida.

2 comentários:

Nei kS disse...

Porque? Pra que? Pra daqui a 20 anos ela fazer isso com outra criança?

Tranca essa dona na varanda em dia de granizo.

Paola disse...

Pois é, Ney!
A questão da crueldade e perversidade contra a criança é um tema que deve ser tratado, com seriedade, a começar pela divulgação da ideia de planejamento de gravidez.
É preciso evoluir!