segunda-feira, 31 de maio de 2010

Belas Mentiras

Esse é o nome de um livro que eu li já faz muito tempo. Um livro sobre as maluquices que se faz dentro das escolas a fim de perpetuar o conhecido, uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem.
Vivemos num tempo de mentiras, a maior de todas é a facilidade com que se prometem a felicidade, como se ela estivesse ao alcance da mão, numa prateleira de uma loja qualquer.
Essa é uma grande mentira! A felicidade está sim ao alcance da mão, mas não se compra, não se ganha.
Felicidade é algo a se conquistar, construir, quem disse que felicidade é esse estado de eterno êxtase que a indústria da propaganda está querendo empurrar goela abaixo de todos nós?
Vivemos num tempo em que as ilusões são oferecidas às baciadas, todos podem ter o corpo perfeito, serem jovens eternamente, amarem e serem amados, para sempre, ter tudo que quiserem, viagens, carros e todo tipo de bugiganga que o Steve Jobs (eu sou fã dele) inventar, como se um iPad fosse passagem para a felicidade.
Fico muito incomodada com a quantidade de vezes que escuto as pessoas proclamando a felicidade, está muito fácil comprar a felicidade em seis vezes sem juros, no cartão, ou pelo financiamento a perder de vista.
Sou um pouco mais existencialista que isso, talvez um pouco fora de moda, quem sabe se eu não tomasse um antidepressivo eu também não encontrava a felicidade?
Quando alguém está doente é preciso procurar o atendimento médico e se tratar, fazer os exames, os diagnósticos e seguir o tratamento conforme as indicações do médico, é assim que se trata uma doença.
Percebo um movimento de auto-impermeabilização generalizado, as pessoas estão encontrando a felicidade nas coisas que elas compram, não se questiona o desejo, não se questiona o imediatismo das vontades... vive-se numa bolha de prazer, prazer já.
Tudo que pode, de alguma maneira, suspender esse estado de euforia é riscado, afastado, cada um por si.
Eu não estou criticando a maneira como as pessoas resolveram viver suas vidas, estou questionando o caminho que a busca pela felicidade tomou.
As grandes questões do seu humano continuam as mesmas... as maneiras de responder a ela é que mudaram.
O poder, a notoriedade, o reconhecimento, passaram a ser mais almejados, talvez por uma ação muito bem arquitetada pelos marqueteiros de plantão, que fizeram com que muitas pessoas acreditassem que um carro, um computador ou qualquer outro bem de consumo pudesse fazer com que qualquer um fosse reconhecido e adorado.
As mulheres querem que os homens caiam aos seus pés com uma montanha de presentes caríssimos, os homens querem ser bajulados por mulheres lindas, magras e sedentas por sexo selvagem.
Acho que estão todos se fechando cada vez mais, se refugiando, cada um em sua bolha de prazer, cuidando para se manter afastado do perigo, se comportando como se vivêssemos numa eterna comemoração... ai que perigo!

2 comentários:

MARIA VICTÓRIA disse...

Perfeita a sua percepção...
Alie-se a isto o imediatismo que tomou conta de todas as pessoas neste século; tudo é prá ontem!
Vejo que atualmente todos temos que ser jovens,magros e sobretudo felizes... Não há espaço para o velho, o gordinho e, não ouse ficar triste que logo, logo vc vai ganhar um antidepressivo!!

Paola disse...

... e a gente sabe com que facilidade, né?
bj
PAola