segunda-feira, 4 de maio de 2009

Acredite se quiser

Para as crianças é mais fácil acreditar em Papai Noel e coelhinho da Páscoa que deixam provas de sua existência, que acreditar na infância dos próprios pais.
Eu também demorei a aceitar em tal possibilidade, aquelas fotos desbotadas, não queriam dizer nada, eu nem reconhecia naquelas crianças os rostos tão conhecidos de meus pais.
Outro dia, fiquei sabendo, meus sobrinhos acham que o pai deles nunca foi criança, imagine só, meu irmão com apelido de legume, também conhecido pela alcunha de "Espalha Brasa", teve sua infância questionada, isso é praticamente uma piada!
Quando o nono Beppe, chamava nos de "Espalha-Brasa", não era exagero não! Acho que o volume assustava, era muita criança do mesmo tamanho, já naquele tempo, nossa família era vista com olhos curiosos. ( A foto maior deve ser de 1968, e a irmã mais nova ainda não tinha nascido, nessa menor, o bebê maroto é ela, e a foto deve ser de 1970! - Uma vergonha, mas eu não tenho todas as fotos escaneadas como deveria!)
Meninos, acreditem nessa sua tia, o pai de vocês nasceu da barriga da vovó.
Nós cinco, nascemos entre 1963 a 1969, uma escadinha.
Numa casa com cinco crianças há muito movimento e folia, tudo era agitado. Nem sei quando, mas éramos bem pequenos, nos dias que a vovó e o vovô demoravam um pouquinho para acordar, gostávamos de tirar os colchões das camas e escorregar pela escada abaixo. Se alguém encontrava uma caixa de geladeira, nós fazíamos umas cabanas bem maneiras.
Nós passávamos férias em Atibaia, era um lugar bem gostoso, um condomínio onde nós podíamos brincar à vontade, o combinado era estar em casa quando começasse a escurecer.
Vivíamos soltos, explorando tudo, montanha a cima, morro a abaixo, acho que por isso éramos conhecidos no hospital da cidade, por acidente ou não, sempre havia um de nós precisando de um curativo, gesso ou vermífugo.
O pai de vocês gostava de andar à cavalo, de brincar de esconde-esconde nas construções, fazia coleção de azulejo. Uma vez ele caiu de um andaime e quebrou a perna, foi levado, às pressas para o hospital, apesar da confusão, a vovó não desmaiou, e o vovô não bateu o carro de tanto correr para chegar no hospital, ele ficou um tempão de molho, foi aí que ele ganhou esse apelido leguminoso, Chuchu.
Impossível contar quantas vezes ele foi parar no Pronto-Socorro, foram muitas, vai ver é por isso que ele é cuidadoso com vocês, ele, melhor que ninguém sabe como é chato tomar injeção, ponto na perna, no dedo, na cabeça, no ombro, na boca, no peito, depois ter que voltar para fazer curativo. Ou vocês acham que essas cicatrizes todas que ele tem, nasceram espontâneamente? Olha que quando eu comecei a dirigir eu levei ele fazer alguns curativos, o chato é que eu sempre acabava me sentindo mal, quase desmaiava de tanta aflição.
Não fiquem ai pensando que o pai de vocês era um "Samba-Lelê", o da cabeça quebrada, não, ele era um menino cheio de energia, disposto a conhecer e tirar do mundo tudo que tinha a oferecer, caso contrário como ele teria chegado a querer ir morar ai tão longe de todo mundo?
Na verdade isso não importa, quantas vezes ele se estatelou, se arrebentou, importa de verdade, quanto que ele esteve sempre disposto a descobrir os segredos do mundo.
Acho que é por isso que eu não consigo acreditar que vocês duvidem da infância dele!

3 comentários:

Ana Barros disse...

será que a criançada de hoje vai lembrar com tanto carinho da infância que teve ? Não querendo ser saudosista nem nada, acho que a gente se divertia bem mais na era AT (Antes desta Tecnologia toda)...

Patricia Daltro disse...

Que gostosas essas lembranças, Paola. Sei que quando criança também achava que pais e tios não tinha tido infância, rs, mas uma bela tarde fui surpreendida pelo meu avó, que contou a mim e aos meus primos todas as estripúlias dos 7 filhos (quatro com a primeira esposa e três da segunda)! Guardei seu relato no fundo do coração e um belo dia quero poder transcrever essas aventuras! bjs

Quanto ao projeto do livro que falei lá no blog, vou mandar um e-mail para explicar tudo.

LuMa disse...

As histórias do passado, inclusa a nossas infância, creio que a sensação de termos tido maior liberdade de ação - pular, brincar na rua, se machucar - se deva ao fato de termos tido mais irmãos na família. E tiro o chapéu para as mães do passado. Como se dar conta de 4, 5 ou mais pentelhos aprontando em casa, ao mesmo tempo (rs)? Nem as mais protetivas davam conta. E aí, as primogêntas ou mais grandinhos se incumbiam de fazer suas partes, mas criando cumplicidade entre a garotada pra aprontar todos juntos(rs). Daí, o espaço aberto(rua) era inevitável! Concluindo, ter irmãos faz a diferença, e como! (acho que crescem mais solidários e independentes). Beijos!