quarta-feira, 15 de abril de 2009

As partes de mim


Quando penso em quem sou eu, como eu acho que os outros me vêem, como eu gostaria que me vissem, logo me invade uma ideia talvez filosófica, que eu sou, você é, todo mundo também, é uma construção, uma invenção.
Eu sou o que eu quero ser, conscientemente ou não, mas sou uma construção.
Ao longo da vida, pelos vários caminhos que percorro vou agregando modos, jeitos, tudo misturado à essência do que seria eu, se não fossem todas as interferências.
Então, aos 46 anos, que será que sobrou de mim de verdade?
Essa é uma pergunta sem alternativa única, é uma pergunta de múltiplas respostas válidas.
Eu sou que quero ser, hoje, pelo menos hoje. E não pesse que estou escrevendo isso desinteressadamente, escrevo para ter certeza que penso isso, para acreditar? Para realizar? é quem sabe, quem sabe não seja esse o remédio? Uma dose de mim mesmo para dar conta de tudo que quero acontecer, tudo que desejo realizar. Nesse momento, que poderia chamar de encasulamento compulsório, preciso que a crisália se transforme, não necessariamente em borboleta, mas se transforme, em qualquer outra coisa, qualquer coisa que possa realizar esse desejo que pulsa, lateja e eu não sei dizer que desejo é esse.
MAs sempre existe a literatura e a poesia para traduzir o impalpável em palavras:

"uma parte de mim é só vertigem,
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Goullar

Agora vou tentar transformar uma coisa em outra coisa!
Volto já!

2 comentários:

Milena disse...

Professorinha, na minha humilde opinião o autoconhecimento é a chave pra felicidade!

Beijo grande!

LuMa disse...

Paolinha, prefiro invertir uma frase sua. Aos 46 anos, não sobrou, mas acumulou, multiplicou, investiu, absorveu, remodelou, sustentou, resistiu, equilibrou e se fez única. Quero pensar que somos únicos! Beijos!