quarta-feira, 25 de março de 2009

Listas?

Quando eu estava na sétima série, com uns treze, catorze anos, a professora de Português, a Dona Maria do Carmo, mandou que lêssemos "O Alienista" do Machado de Assis, os livros que nos mandava ler, não faziam o menor sentido, lemos naquele ano, "As Sandálias do Pescador", livro no qual não há nenhum pescador, "A Pérola" a história de um pescador! Deu para entender? Não fazia "lé com cré".
A leitura de "O Alienista", se tornou sinonimo de tortura, eu que naquele momento, em plena adolescência, com traços de dislexia mental, não conseguia entender o que estava escrito, a única coisa que eu sabia é que tinha uma tal "Casa Verde", que era importante na história, o resto, nada!
Minha mãe, munida de toda sua Pedagogia Moderna (que merece um post especial), como sempre pôs as mãos à obra e sugeriu que fizéssemos uma leitura compartilhada, leríamos o livro em voz alta, cada uma um parágrafo.
Com a experiência iniciada eu continuava a não entender nada, mais chorava que lia, foi aí que ela inventou uma categoria especial de leitura, leitura com tradução simultânea. Não importava quem lia, ela explicava!
Como eu me sai na prova? Não sei, essa parte eu apaguei da memória.
Única certeza era que "O Alienista" havia me traumatizado, a partir desse momento, ao ouvir esse título eu começava a tremer e a transpirar!
Uns dez anos mais tarde, quando eu era professora das crianças do período integral lá do Galileu, vivendo uma outra crise congênere, fui conversar com o responsável pela biblioteca da escola, eu queria proporcionar, aos alunos, uma experiência prazerosa de leitura e escrita.
Nessa conversa contei a minha saga com o Machado de Assis.
Lescano, um argentino, professor de escrita criativa, cheio de ideias pouco convencionais, ao ouvir a história me disse que eu deveria tentar novamente, que não me entregasse.
Surpresa! Surpresa! Surpresa! O texto me pareceu consistente, interessante, irônico! Surpresa! Para alguém com treze anos, vivendo a maior crise da adolescência, não faz o menor sentido.
Desde então, sempre que começo a ler um livro, mesmo que no primeiro momento não me arrebate, sempre dou uma segunda chance, afinal, nem todo autor faz como o Saramago, só passa ao segundo capítulo quando o primeiro está literalmente pronto, acabado, sempre dou uma chance, umas cinquenta ou sessenta páginas, se nada acontecer depois disso, eu largo mesmo.
Ontem comecei a ler "A Quarentena" do Le Clézio, que não me pegou, ainda está com cara de relato, quase documentário, um tom de "Gangues de Nova Iorque", parece jornal, não gosto muito, mas prometido é prometido, vou com ele até a página 60! O próximo da lista me parece mais interessante, mas vou cumprir!
Ah que legal, agora eu tenho uma lista:

Livros que li na escola:
  1. Nas terras do rei do café.
  2. O gênio do crime
  3. Uma rua como aquela
  4. O menino do dedo verde
  5. Flicts
  6. O Egípcio
  7. Knulp
  8. A pérola
  9. As sandálias do pescador
  10. O alienista
  11. 1984
  12. O apanhador nos campos de centeio

Outra?
Livros que li antes de casar:
  1. Amor em tempos do cólera
  2. História sem fim
  3. O Nome da rosa
  4. Cem anos de Solidão
  5. O lobo da estepe
  6. Nem só de caviar vive o homem
  7. Ainda resta uma esperança
  8. A insustentável leveza do ser
  9. As brumas de Avalon
  10. O pouso da águia
  11. Sidarta
  12. As fontes de Israel

Um comentário:

Milena disse...

Encomenda de lista pra vc:
Coisas que te deixam com saudade!

bjo bjo