quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Relógio Urbano


Todos os dias meu despertador toca no mesmo horário.
Temos uma rotina, todo dia deveria ser igual.
Se estamos no horário, é fácil perceber.
No elevador, na garagem, encontramos os vizinhos de costume, uns indo para o trabalho, levando as crianças para a escola e também o pessoal que logo cedo dá aquela voltinha básica com o cachorro.
No caminho, passando pelos mesmos lugares, se tudo correu sem sobressaltos, tem o moço que tem dred no cabelo, tem a turma do ônibus fretado, que espera a condução na frente da concessionária, tem uma moça que no trânsito, sempre nos ultrapassa, ela anda de scooter, faz tempo e uma outra de bicicleta.
Os vizinhos, cumprimentamos, os outros, dificilmente sabem que nós existimos, e ainda mais reparamos neles! E ainda são referencial para controle de horário!
De todos os encontros diários há um muito interessante. Se estamos no horário, logo depois da curva já avistamos as duas, provavelmente mãe e filha.
A cena se repete todos os dias, mãe levando a filha para a escola, a pequena tem mais ou menos três anos, vem andando no seu passinho, animadinha. Cada dia ela traz um brinquedo, uma bolsinha, até uma boneca.
As duas vêm pela calçada, a conversa corre solta, a menina vai reparando em tudo, numa folhinha no chão, uma flor, num passarinho, em tudo.
Acho que a menina nos reconhece, muitas vezes ela joga um beijinho e manda um tchauzinho.
Outro dia, no final da tarde estava indo buscar as crianças na escola e vi a pequena voltando , dessa vez ela vinha com outra mãe, com duas filhas, agora a boneca era ela, que vinha sendo conduzida pelas amigas mais velhas, estavam adorando a incumbência.
Tanto tempo vendo as mesmas pessoas na rua, quase acreditamos que somos velhos conhecidos.

5 comentários:

Milena disse...

E vc sempre reparando em tudo né? Olhando para os lados, descobrindo tendências, vendo arte nas coisas, prestando atenção nas pessoas.... Tão raro isso hoje em dia...

Beijinho!

Ana Barros disse...

Taí a beleza da vida... Tudo tão igual e tão diferente :-)
bjos

Camomila disse...

Ana barros falou por mim: essa é a beleza da vida.
Muito lindo.
Obrigada, Paola.

Cristina Sampaio disse...

É isso aí, Paola, às vezes vemos as mesmas pessoas com frequência, temos a sensação de que conhecemos, de que não são estranhas, como se fizessem parte da nossa vida. E de certo modo fazem mesmo, contribuem pra um sentimento de estabilidade, que todos precisamos sentir em alguns momentos. Perceber a vida à nossa volta não é algo que exige muito de nós, mas muitos deixam de perceber, devido aos mais variados motivos. Bem agradável ler sobre esses encontros diários.
Beijos

Paola disse...

Queridas,
Sabe quando a gente acorda um dia e pensa: Se continuar assim vai tudo pro vinagre, então pensei: O quê é bom de fato?
E cheguei a`aseguinte conclusão: tudo, então vamos enxergar as coisas com o coração, né?