quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mantra


Todo mundo sabe, mantra é uma maneira de repetir, uma mesma palavra, som ou frase, com intuito de alcançar um estágio diferente, mudar a vibração do seu corpo e mente. Evoluir.

No oriente isso é muito normal, as pessoas têm seus mantras e pronto.

Nós aqui do nosso lado do mundo estamos nos afastando da essência das coisas, deixamos de meditar, orar, único vínculo com o divino que nos restou é a cultura do "peça e receba", praticamente um fast-food, com delivery de desejos.

Bem entendido que não estou criticando religião nenhuma, não estou criticando nenhum método, nenhum preceito, apenas constatando, vejo uma "publicidade" maciça do pedir e receber, como se essa ideia de "alcançar graças", se resumisse ao mundo material, sem nenhuma ligação com outras dimensões, internas e individuais, mesmo.

Pensando nisso, consigo perceber que ao longo da minha vida, fui colecionando meus mantras, nas horas boas e nas horas ruins. Confesso lutar para me manter positiva, otimista, sou assim mesmo. Em alguns momentos fui cética, em outros não. Entre todos os mantras o mais forte de todos, é uma herança, minha avó, quando me via chateada, triste, desanimada, achando que nada valia a pena ela dizia "o que é do homem, o bicho não come", na versão papo sério podia ser; "o que tem de ser, será".

Como nesse momento estou em crise, assumida, afinal ninguém acha que vou viver a mudança de faixa etária de todos os filhos juntos sem nenhuma dor? (explicação: os três mudam de "curso: primário-ginásio-colegial-faculdade", tem desconto prá mãe modelo full?)
hoje teve prova numa escola, e um vestibular. Sobrevivi, mas crise ainda persiste.

Estou numa encruzilhada, tenho que decidir (não sozinha, mas preciso decidir o que eu quero, para depois negociar) percebi que estava pensando bastante nas palavras da minha avó, ou seja esse , hoje é meu mantra. Cada um tem o seu, nem sempre sabemos disso, pode ser um impulso, mas muitas vezes e quantas vezes é freio, medo, paralisia. Quando tomados de dúvidas e incertezas, nosso mantra vira uma queixa, um lamento, o problema é acreditar nisso.

Na Idade Média, muita indulgência foi vendida, lotaram o paraíso de generosos instantâneos, hoje, são livros que prometem a possibilidade de prosperidade, a receita é velha conhecida, mas no fundo, no fundo, não muda nada, é como querer emagrecer sem abrir mão das guloseimas.
Meu Mantra, eu sei qual é, o seu, você sabe?

Um comentário:

Patricia Daltro disse...

Nossa, tenho alguns mantras que me acompanham a tanto tempo, que nem lembro como surgiram em minha vida. Particularmente, uso sempre um de uma poesia que decorei sem lembrar autoria, rs, mas que acabou virando meu mantra: "Por que um soldado não chora". Todas as vezes que a vida dá uma porrada, eu começo a lembrar dessa frase e ai, enxugo as lágrimas e a "soldada" aqui se proibe de chorar. bjs