terça-feira, 14 de outubro de 2008

Crianças


Eu fui aprendendo a ser mãe conforme meus filhos foram nascendo e crescendo. Apesar de serem todos filhos da mesma mãe e pai, cada um tem seu jeito próprio, sua maneira de interagir com as pessoas e com o mundo.
Enquanto a mais velha sempre foi cheia de moda, colocava uns lenços na cintura, umas faixas no cabelo, um pouquinho acanhada, mas muito atenciosa.
O menino, um radical, radical mesmo. Velocidade, movimento, sempre muita emoção, aos nove meses, não sei como o moleque subiu em um escorregador gigantesco, e desceu, sozinho. Desde então, vivi milhares de sustos, um mais radical que outro. No maternal, as professoras, antes de entregá-lo, já avisavam, hoje ele entrou embaixo do gira-gira, ralou a testa, hoje ele subiu no alto da torre de transmissão...(ele já subiu na torre de transmissão, mas não foi na escola). Em casa, para minha santa ajudante com nome de santa, a instrução era: do chão não passa, deixe ele cair, depois você socorre! Não faça cara de susto! Acho que foi bom ter feito isso, ele nunca se estrupiou de verdade, bem pequeno conheceu a textura do chão!
A caçula, podia se chamar ventania, tempestade ou outra intempére qualquer. Sempre gostou muito de água, água em grandes quantidades. Quando começou a andar, logo descobriu onde encontrar água, como abrir o chuveiro, não uma ou duas vezes por dia, muitas vezes tinhamos que correr atrás dela para que não se molhasse, de novo.
Chuva, ela sempre adorou, corria pela tempestade na maior alegria, e eu correndo atrás, para que não se molhasse muito, aqui em São Paulo, nem sempre dá para deixar as crianças na chuva, aqui chove e fica frio.
Uma vez, ela tinha dois anos, fomos para o Mato Grosso, aquele calor de lascar, passávamos o dia dentro do rio, de molho, literalmente. Numa tarde, depois de um dia muito quente, a chuva veio nos brindar, uma chuva de gotas suculentas, caia com força, refrescava. Naquele dia, durante a chuva, pude ver a felicidade encarnada, os olhos dela brilhavam, ela corria pelo jardim dando mil piruetas, quando sentia a chuva diminuir, corria para a beirada da varanda de corria em volta da casa, aproveitando cada gota que escorria em seu corpo.
Cada um tem seu jeito, uma é mais reservada, o outro muito observador, a outra se aproxima das pessoas com muita facilidade.
Como todo filho, os meus adoram me perguntar de quem eu mais gosto, hoje eles já sabem, a resposta pode variar, mas o teor é sempre o mesmo, posso explicar assim; lembrando que sou mãe, e não posso ficar o tempo todo achando tudo lindo, meu papel é fazê-los crescer.
Amo cada um de meus filhos pelo que cada um é, e que representa para mim. Cada um tem características muito marcantes e que me agradam e me enchem de orgulho. Amo o silêncio, se é silêncio, amo o movimento se é movimento, amo a solicitude se é espontânea. Amo cada um pelo que é, e nunca poderia comparar esse sentimento.

5 comentários:

Milena disse...

Que lindo!!! Emocionei outra vez aqui!
E entendo... Mas o amor é diferente né? Não digo em quantidade, mas ele é diferente sim!
Observo minha mãe e ela nos ama (eu e meu irmão) com a mesma força, mas de uma forma diferente.... Entende?

bjinho

Rita de Cássia disse...

Que lindo texto, Paola!!!
Filho é tudo de bom, mesmo que nos deem trabalho, mesmo que sejam criaturas que não vamos nunca compreender totalmente, ne?? heheh
Linda a sua história com seus pequenos!!!
Beijos querida!

Paola disse...

Obrigada,


Ser mãe é algo muito especial!!!


Tenho mesmo é que agradecer, todos os dias!

Beijos

PAola

Ana R. disse...

Há quanto tempo eu não ouvia uma declaração de amor de uma mãe para seus filhos....É amor incondicional! Sublime amor. E é desse sentimento que o mundo precisa. Deus é amor.
É do amor na família que nasce a educação ideal para pessoas ideais.
Bom fim de semana!

Paola disse...

Ana,
Eu busco isso!
beijo


PAola