sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Como eu quero ser


Fiz, há milhares de anos, um planejamento, minucioso de quem eu queria ser, baseada em observações criteriosas de todo tipo de gente, todo tipo de atitude. Observei as minúcias, no pequeno e no grande também.
Entre tantas observações, eu desenhei uma pessoa para mim, que depois de bem analisada, me agradou e me deixou confortável, bem à vontade.
Entre muitas decisões que tomei ao longo dos anos, decidi encarar um desafio: encontrar o equilíbrio em mim. Busca diária, às vezes se encontra, às vezes se perde.
Estou vivendo meu momento "em pratos limpos", muitas lembranças afloram e eu obedientemente lido com elas, escrever é uma boa opção, vou separando o bom do ruim, vou entendendo as coisas em mim.
Entre tantas lembranças, minha professora de religião do ginásio veio me "visitar". Eu estudei num colégio de freiras, com aula de religião e Madre Superior (era só uma, mas valia uma congregação, a mulher era um espetáculo!).
Apesar da escola ser religiosa, e ter aulas de religião, a proposta filosófica, talvez existencial, dessas aulas era a construção do modo de ser cristão, não necessariamente a catequese.
Dona Margarida, a professora, não era freira, dona de uma paciência de Jó, durante aqueles anos nos doutrinou na arte de "ser humano".
Naquela aula ninguém aprendeu a rezar, quem quis, aprendeu a pensar.
Uma vez, e é por isso que Dona Margarida apareceu por aqui, nós tínhamos que fazer uma avaliação da aula, e eu fiz. Não fui justa com a professora naquela avaliação, escrevi coisas muito sem sentido, o que será que eu queria dela? Passou e eu achei que ela não tinha ligado,ou esquecido (criança é assim, idiota!), mas um dia ela me chamou, claro que eu sabia o porquê, e claro que eu sabia que não tinha saída, eu tinha que enfrentar.
Dona Margarida conduziu uma longa conversa, onde eu pude falar, onde encontrei respaldo para entender meus sentimentos.
Acho que foi ali que eu comecei a nascer como pessoa, foi ali que eu escolhi quem eu queria ser.
Foi essa escolha que definiu minha história, meus passos.
Hoje digo com firmeza, eu sou quem eu quero ser, eu luto para isso. Seria muito fácil eu ficar tendo chiliques por aí e dizendo "eu sou assim, eu sou assim".
Eu sou assim, sim, toda contradições, mas com a certeza de que há um jeito certo de ser, que há um equilíbrio a ser conquistado, e isso só pode ser se for trabalhado diariamente.
Eu busco, todo dia, o bom, o belo e o certo, esse é o jeito que encontrei para tentar encontrar o meu equilíbrio.
Estou afirmando, cada um escolhe quem quer ser, como quer ser, etc e tal, mas tem quem não entenda isso.

4 comentários:

Camomila disse...

Genial.
É sinal de uma grande maturidade, escolher crescer, abandonar as posições estratificadas.
Adorei a idéia, e vou imitar.
E as pedras, adorei.

Paola disse...

Camomila você que é maravilhosa.
Se vc me imita vou ficar completamente lisongeada!

Patricia Daltro disse...

Eu tenho tentado viver assim, tem horas em que tropeço, mas, assim que me ergo, busco voltar aonde parei. São escolhas difíceis, mas viver numa roda-viva emocional é bem pior.

Também estudei num colégio religioso e tive uma "mentora" maravilhosa, irmã Palmira, polonesa arretada! rs

Paola disse...

Patrícia,
Eu também dou minhas escorregadas, mas eu sei qual é a direção, assim é mais fácil manter o rumo!
Freira arretada era a MAdre Isabel Sofia, ela era um estouro!
Uma vez, na 5ª série perguntamos a ela se freira usava maiô, ela respondeu, só na praia!
Delícia!

Beijos

PAola