segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Segundo especialistas...


Na revista da Folha dessa semana, saiu uma reportagem sobre uma escola diferente.
As fotos são lindas, mas o texto, deixou muitas dúvidas, parece que a escola é um oba-oba.
É diferente mesmo, até parece a música do Vinícius de Moraes, não tem portas, não tem provas, mas a diferença não é essa, assim tão simples. (O link é a página da escola, assim vocês podem ver o quê estou falando, pena a folha on -line ser só para assinantes!)
Faltou a reportagem ir mais fundo e dizer que nesse lugar as crianças desenvolvem a autonomia, que se organizam em grupos para atividades diversas, faltou dizer que, os mais velhos comandam os mais novos. Faltou entender que não são portas e janelas que definem o quê acontece num momento de aprendizagem, sim a intensidade, o significado, a propriedade, essas coisas que podem acontecer em qualquer lugar, só depende da vontade do professor, da escola, coisas assim.
Tive a sensação que o editor ou a repórter, de repente, ficaram com preguiça e tascaram um confortável "segundo especialistas"... para dizer que a falta de provas pode prejudicar alguém, "helloow"!
Interessante essa caminho, tão curto, tão restrito. Levanta a mão, quem, na vida real, passou, depois que saiu da faculdade, por alguma situação parecida com uma prova? Eu, que sou professora, nunca, jamais.
Passamos, isso sim, por situações que exigem nossa atenção, nervos de aço, sangue frio, cabeça no lugar, para não amarelar. Muitas situações não permitem choro, na vida real, temos que saber conviver, aceitar cobranças, buscar soluções de problemas, e tem vantagem quem sabe lidar com o improvável e as diferenças. Faltou a reportagem contar que também não há lições-de -casa, as crianças combinam com os professores quais temas deverão tratar em seus relatórios, pode ser uma aula, uma descoberta, um acontecimento qualquer do dia na escola, tão mais real, tão mais próximo da vida futura.
A repórter, deve ter estudado numa escola, que a única avaliação era a prova, bem tradicional, ela ainda mandou uma coisa dizendo que a criadora da escola, que está escrito, tem 57 anos, estudou em escolas tradicionais (havia outra possibilidade?) projetou sua escola a partir de referências europeias, Oh! Piaget, Freinet, Montessori, Vigotsky, são mesmo de onde? Europa! Fico até animada com tanta esperteza.
Não falei com ninguém sobre essa bobagem toda, meu filho, depois que leu ficou bravo, achou que ficou parecendo que a escola se faz pela falta de porta, e não pela competência dos profissionais que lá estão, pela firmeza dos propósitos da escola.
Especialistas, existem tantos, normalmente trancados nos gabinetes das Universidades preocupados em manter tudo como está, afinal, se mudar o mundo deles vai por água abaixo!
Grandes mudanças no cenário da educação já aconteceram há mais de sessenta anos, no Brasil, já há uns quinze anos, foi redigido um documento, chamado Parâmetros Nacionais da Educação, que propõe uma maneira de trabalhar pautada nas diferenças regionais, nos significados dos conteúdos, que sugere diversas formas de avaliação.
Acho que a Folha precisa contratar um especialista em educação, não um psicopedagoga para falar de educação, alguém que possa explicar para a reporter o significado do verbo aprender, e do verbo ensinar, ela passou o dia todo lá e não aprendeu nada?
Estou cansada dessa superficialidade vigente, tão fácil, tão cômoda!

Mandei uma carta para a Folha, um pouquinho só editada, e não é que responderam?
Eis aqui a resposta:

Olá, Paola,

Obrigada pelas suas avaliações. A matéria teria ficado infinitamente melhor se tivéssemos tido tempo de ouvir mais especialistas para aprofundarmos as questões que você como pedagoga e mãe apontou. Nem sempre no corre-corre de uma revista semanal conseguimos fechar todas os lados de uma pauta, como nesse caso.
Vou publicar sua mensagem na seção de cartas e tentar minimizar tais lacunas. Certamente, vamos voltar ao tema com mais calma e atenção.
Abs.
Eliane Trindade
Editora Revista da Folha

5 comentários:

Milena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Milena disse...

AAAHHHHH não acredito! Vim aqui falar disso! Até trouxe a revista pra te dar se vc não tivesse visto... Mas que boba que eu sou! É claro que vc já tinha visto...

Eu achei a matéria meio "incompleta" mesmo já que vc já tinha me falado maravilhas da escola! Mas mesmo assim... ESSA ESCOLA ME ENCANTA!!! Seus filhos têm sorte!

Beijoooooo

Paola disse...

Foi inevitável, as crianças já sabiam, no sábado compramos a folha!
É maravilhosa mesmo!
Eles adoram, essa foto é da festa de fim de ano, bem com a cara das crianças!

Bjo e obrigada!

Anônimo disse...

O site da escola é meio pobre em informações relevantes e eu to sem tempo de olhar com calma agora, mas me parece que eles seguem a linha pedagógica Waldorf, do Rudolf Steiner, né??

Adoro esse assunto, queria muito discutir, mas to com pressa!!!!!!!!!!

Eu volto!

Paola disse...

Anônimo,
Quem será você?
Não, não é Waldorf, não.
É socio-construtivista,
É um trabalho pautado por perspectivas renovadoras, quando você voltar eu explico mais!

PAola